
Agressividade comercial determinante na reanimação da LAM
A Fly Modern Ark (FMA), empresa que actualmente gere operacionalmente a LAM, justifica a recuperação conseguida de US$ 43 milhões das dívidas a empresa, em cerca de 30 dias, como produto da agressividade comercial que tem vindo a aplicar.
O volt face conseguido, para uma empresa insolvente e na iminência de colapso, foi possível segundo a FMA, depois de, entre outras, a decisão tomada de suspensão de todas as condições de crédito na venda de bilhetes, o que originou um incremento as receitas em 15%.
“Foi mesmo por cobrança a alguns clientes que em tempo ficaram muito tempo sem pagar e tivemos que fazer uma intervenção um pouco agressiva e conseguimos ter boa recuperação do valor para a companhia”. Disse, Sérgio Matos, salientando, entretanto, que a LAM continua com dívidas de cerca de 300 milhões de dólares americanos à banca e fornecedores.
Com as intervenções que estão a ser feitas, quer do lado comercial, assim como do lado operacional, a FMA espera ter um acréscimo de receitas de 5 milhões de dólares na componente de passageiros e um acréscimo de 500 a 600 mil dólares na componente de carga.
A FMA não espera que a LAM possa dar lucros no curto prazo, devido, precisamente, ao elevado endividamento que tem.
Explicando o aumento de receitas em contexto de redução de tarifas em 30% que foi recentemente anunciado pela companhia, Sérgio Matos disse: “Nós fomos buscar à tarifa base e a subir tarifa da companhia e aí nós fizemos a redução de 30%”. Acrescentando que a redução das tarifas poderá aumentar.
“Provavelmente, num outro momento poderá reduzir se ainda mais”. Disse.
A LAM, afirma a FMA, vive ainda um contexto de crise severa, os resultados que agora são apresentados, são vistos apenas como sintomas de melhoria, ou a indicação de que é possível reverter a situação
Sérgio Matos explica que no primeiro mês de trabalho da FMA na companhia, de um total de 12 meses do contrato, “foram identificados dez riscos, um dos quais é que a LAM corria risco de perder licença como operadora”.
Dos dez riscos identificados um dos mais elevados situa-se ao nível da frota, que ora está subaproveitada, ora envelhecida.
“Temos algumas aeronaves que tecnicamente já não estão em condições de poder servir por muito mais tempo. Não estou a dizer que estão em perigo. Ainda não chegou a essa fase, mas é só uma questão de estarmos preparados para poder fazer a mudança”. Explicou
Nesse domínio, uma das medidas consideradas é a introdução de novas aeronaves.
“A FMA vai introduzir dois aviões nos próximos dias, de um total de 15 que estão previstas e vai injectar dinheiro na LAM”. Disse Sérgio Matos.
Para além disse, ao que ficou a saber-se, serão reactivadas rotas que vão operar a partir das cidades como Beira, Nampula e vice-versa, e também para o exterior.
Está em preparação, portanto, um novo plano de rotas. “Uma das coisas que consta do nosso plano é a reabertura dos hubs da Beira e dos hubs de Nampula. Isso é para fazer os voos partirem não só daqui de Maputo para o resto das províncias. Mais sim, também poderem partir do Ponto da Beira e de Nampula. E isso, já existiu em tempos. A ideia é só voltarmos, já a reactivar. Afirma a FMA, que acrescenta existirem planos de reabertura de algumas frotas intercontinentais, numa primeira fase, vai ser Maputo-Portugal e, depois, faseadamente, rotas como Maputo-São Paulo, Maputo, Gwangju, Maputo-Bombaim e Maputo -Dubai.
Neste momento, a LAM opera com sete aviões, conta com 753 funcionários, sendo que 112 são para uma aeronave.
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