Coabitação FMA – DG LAM, longe de ser pacífica, contrato espreita o fim e ainda não há sinais sobre sua eventual prorrogação

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  • O contrato entre o Governo e a Fly Modern Ark – FMA, que estabeleceu uma comissão de gestores internacionais nas Linhas Aéreas de Moçambique – LAM, termina em Abril, e para já não há qualquer informação sobre o futuro do mesmo. 

A parceria firmada com a empresa sul-africana para a sua comparticipação na gestão e reestruturação da LAM foi rubricada em Abril de 2023, com a duração de um ano. 

O objectivo do acordo é tirar as contas da LAM do vermelho e, posteriormente, estabilizar a empresa para, depois, o Governo decidir sobre o futuro da companhia aérea de bandeira. 

“O contrato vai até Abril deste ano (…), mas havendo pretensão da FMA ou do Governo de continuar isso só as partes podem decidir”, disse, há dias, Sérgio Matos, gestor de projectos da FMA, em conferência de imprensa em Maputo. 

A FMA é especializada em locação e vendas de aeronaves Boeing e Bombardier, incluindo o monitoramento e gestão de aeronaves. 

Esta empresa foi convidada a participar na gestão da LAM depois de um trabalho de avaliação da situação da companhia aérea nacional orientado pelo Governo e que culminou com a proposta de reestruturação.

A FMA foi inserida, assim, numa estrutura encabeçada pelo ministro dos Transportes Comunicações e a presidente do Conselho de Administração do Instituto para Gestão das Participações do Estado – IGE- PE, seguida pelo vice-ministro dos Transportes e Comunicações. 

Um dos primeiros ganhos desta gestão foi ter-se conseguido tornar a LAM numa empresa tecnicamente solvente, dois meses depois da assinatura da parceria. 

Para além disso, o Ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, destacou, na altura, a redução das tarifas em 30 por cento, incremento da frota e retoma de voos regulares Maputo-Lisboa.

 Refira-se que esta semana a FMA denunciou alegados desvios de fundos das contas da companhia aérea, prática vista pelos sul-africanos como sabotagem à sua gestão.

Segundo denúncia feita esta semana, em Maputo, por Sérgio Matos, gestor de projectos na Fly Modern Ark, nos últimos três meses foram contabilizadas perdas na ordem de US$ três milhões. 

O gestor disse estarem a decorrer trabalhos de rastreio a nível interno e com os bancos comerciais para compreender-se tais esquemas e combatê-los. 

Disse que optou-se, então, por desencadear um trabalho-relâmpago com a segurança interna da companhia para recolher os POS. 

“E dos 20 pontos de venda da LAM recolhemos até ontem [domingo] 81 POS, e há algumas lojas onde os próprios chefes não reconhecem ou não sabem a quem pertencem os POS”. 

Entretanto, além desta questão, Sérgio Matos falou igualmente de problemas que a actual Gestão da LAM está a enfrentar para compreender o registo das operações financeiras da empresa.

Explicou que depois que as empresas de segurança recolhem o dinheiro nos pontos de venda da companhia ao invés de os valores serem direccionados ao destino previsto fica guardado num lugar desconhecido durante alguns dias “e depois disso é que vem o borderô (prova das operações financeiras)”. 

Falou da existência de uma conta da companhia domiciliada no Malawi com um saldo de US$ 1.2 milhão, entretanto sem detalhes sobre a sua acessibilidade. 

Entretanto, Numa carta assinada pelo Director-geral da LAM, João Carlos Pó Jorge, e dirigida ao Ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, a Direcção da LAM repudia e distancia-se dos pronunciamentos da FMA, segundo as quais há desvio de dinheiro das contas da empresa, principalmente da venda de passagens. 

 “Reiteramos que esta informação não foi previamente partilhada com a Direcção-Geral da LAM, tendo esta sido colhida de surpresa quando a informação foi veiculada pelos órgãos de informação”, lê-se na carta. 

A direcção sublinha que a gestão da tesouraria da LAM está sob responsabilidade exclusiva da FMA, que se responsabiliza por todos os pagamentos efectuados na companhia. A LAM diz-se, igualmente, preocupada com o impacto dos pronunciamentos da FMA na reputação da empresa.

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