• Os níveis de produção diminuem pela primeira vez desde Janeiro 
  • O volume de novos negócios aumenta apenas ligeiramente
  • Os custos dos meios de produção baixam pelo segundo mês consecutivo

Em Novembro, as empresas moçambicanas observaram uma deterioração das condições de operação, a primeira em dez meses, à medida que o ritmo da procura continuou a abrandar e os níveis de actividade diminuíram. O declínio resultou numa redução acentuada da actividade de aquisição, enquanto o ritmo da criação de postos de trabalho desacelerou para o valor mais baixo dos últimos 21 meses. Ainda assim, as empresas mantiveram um elevado grau de confiança na actividade futura, apoiado pela redução das pressões sobre os preços.

Pela primeira vez desde Janeiro, o principal indicador do PMI registou uma contracção, descendo do valor neutro de 50,0 em Outubro para 49,6 em Novembro, quer dizer, o indicador revelou apenas um declínio ligeiro na saúde do sector privado.

Reflectindo o índice básico, os níveis de produção em empresas moçambicanas diminuíram pela primeira vez em dez meses durante Novembro. De acordo com os membros do painel, o abrandamento das condições de procura, a falta de poder de compra e atrasos nos pagamentos estiveram na origem da diminuição, apesar de, a nível global, esta ter sido apenas ligeira.

Ao mesmo tempo, o crescimento de novos negócios no sector privado conseguiu apenas manter-se constante, com a taxa de expansão a cair para o nível mais fraco dos últimos dez meses. Dados granulares capatados pela pesquisa, indicaram que a recuperação se concentrou exclusivamente no sector do comércio por grosso e a retalho, tendo sido registadas quebras nas vendas nos sectores da agricultura, secundário, da construção e dos serviços.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique,

“O PMI do Standard Bank Moçambique desceu para 49.6 em Novembro, de 50 em Outubro, o que sinaliza uma desaceleração da actividade económica neste último trimestre de 2023. Tendo permanecido abaixo do valor de referência de 50, o PMI de Novembro sugere uma contracção mensal da actividade económica. Notamos que quase todos os sub índices registaram uma descida comparando com o mês anterior, com 7 dos 13 sub índices a permanecerem no nível de 50 ou acima, o que sugere uma desaceleração generalizada da actividade económica.

Há muito pouco apoio ao crescimento por parte das políticas monetária e fiscal, que estão calibradas para ajudar a manter a inflação um dígito e a gerir as pressões da dívida doméstica do Estado, o que torna a aceleração do crescimento económico muito dependente dos projectos de gás natural liquefeito (GNL).

A inflação homóloga caiu para níveis abaixo de 5%, mas os riscos permanecem elevados. Do lado fiscal, apesar da melhoria do saldo primário doméstico para 2.2% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano, após um défice de 2.8% do PIB em 2022, persistem as pressões da dívida doméstica do Estado, na sequência do amento de 39.7% da massa salarial em 2022 para 16.5% do PIB.

Perspectiva-se a manutenção de taxas de juro reais elevadas por um período longo, o que pode resultar num fraco crescimento da economia fora do sector dos recursos naturais. Para 2024, mantemos a previsão de uma aceleração do crescimento do PIB para 5.1%, apoiada pelo investimento em GNL, com a nossa previsão relativa à inflação homóloga para o final de 2024 de 5.9%, após 4.8% este ano.”