
COP 28: Países exigem resultado ambicioso através do financiamento climático
Os Correios da África do Sul (SAPO) perderam 9,2 mil milhões de rands em valor accionista em três anos e enfrentam agora a falência.a
- A União Europeia (UE) e a Organização dos Estados de África, das Caraíbas e do Pacífico (OACPS) pediram ontem um “resultado ambicioso” na 28.ª Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Alterações Climáticas (COP-28), solicitando financiamento climático para países em desenvolvimento.
“Salientamos a nossa forte vontade de alcançar resultados bem-sucedidos na COP-28 e sublinhamos a importância de concluir um primeiro balanço global com um resultado ambicioso e virado para o futuro que forneça sinais políticos concretos”, lê se numa declaração conjunta dos 27 Estados membros da UE e dos 79 membros da OACPS ontem divulgada.
Reafirmando o seu compromisso com o Acordo de Paris, que estipula a meta de limitar o aumento global da temperatura a 1,5°C, estes países vincam a necessidade de “as nações desenvolvidas mobilizarem o financiamento climático para responder às necessidades dos países em desenvolvimento, no contexto de uma acção de atenuação significativa e da transparência na execução e de, pelo menos, duplicar a sua provisão colectiva de financiamento da adaptação a partir dos níveis de 2019 até 2025”.
“Sublinhamos que a transição para uma economia neutra do ponto de vista climático, em conformidade com o objectivo de 1,5 ‘C, exigirá a eliminação progressiva, a nível mundial, dos combustíveis fósseis”, refere ainda a declaração conjunta que propõe um reforço da cooperação conjunta e um quadro global de adaptação.
A COP-28, onde se espera uma batalha feroz pelo abandono dos combustíveis fósseis e pelo financiamento da transição energética nos países em desenvolvimento, foi ontem inaugurada oficialmente no Dubai. Representantes de quase 200 países estão reunidos para duas semanas de negociações presididas pelos Emirados Árabes Unidos (EAU).
Esta será a primeira vez, após o Acordo de Paris, adoptado em Dezembro de 2015, em que se irá fazer um balanço global da situação no mundo em termos de mitigação das alterações climáticas.
A COP 28 vai também insistir na necessidade de serem cumpridas as promessas de mobilizar anualmente US$ 100 mil milhões para ajudar os países pobres no combate e adaptação às alterações climáticas.
Entretanto, o Papa Francisco apelou aos participantes na 28.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas (COP28), que começou hoje no Dubai, que pensem no bem comum em vez dos interesses de alguns países ou empresas.
“Esperemos que aqueles que falarão na COP28 sejam estrategas capazes de pensar no bem comum e no futuro dos seus filhos e não nos interesses circunstanciais de alguns países ou empresas”, afirmou o Francisco na rede social X.
O Papa instou os participantes na reunião a “demonstrarem a nobreza da política”.
Recorde-se que o Papa Francisco, que fez da protecção ambiental uma pedra angular do seu pontificado de dez anos, seria o primeiro Papa a participar pessoalmente de uma cimeira do clima desde que as reuniões começaram em 1995. Mas devido à bronquite, foi forçado a cancelar a sua esperada visita ao Dubai para participar na conferência da ONU.
O Vaticano está a ser representado na COP28 pelo seu secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin.
Na COP28, Lula critica países que se “beneficiam” de guerras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira, em Dubai, no início da conferência do clima COP28, os países que se beneficiam das guerras e, nesse sentido, pediu um papel mais proactivo da Organização das Nações Unidas.
“Temos que voltar a acreditar no multilateralismo. É inexplicável que a ONU, apesar de seus esforços, seja incapaz de manter a paz, simplesmente porque alguns de seus membros se beneficiam da guerra”, declarou Lula no seu discurso.
O petista lembrou que só no ano passado o mundo gastou mais de US$ 2 bilhões em armas e “esse valor poderia ser investido no combate à fome e às mudanças climáticas”.
“Quantas toneladas de carbono são emitidas por mísseis que cruzam o céu e caem sobre civis inocentes, especialmente crianças e mulheres famintas?”, questionou o presidente brasileiro.
Mudanças climáticas
Lula participou da abertura da cúpula nesta sexta-feira e, no seu discurso, também enfatizou os desafios que a humanidade enfrenta diante das mudanças climáticas.
O mandatário citou a queniana Wangari Maathai, vencedora do Prémio Nobel da Paz, quando a activista africana disse: “A geração que destrói o meio ambiente não é a que paga o preço”, em referência às acções imediatas que devem ser tomadas.
Com 2023 como “o ano mais quente em 125 mil anos” e secas, enchentes e ondas de calor cada vez mais extremas e frequentes, Lula deu o exemplo da seca na Amazónia brasileira e dos ciclones no sul do país.
“A ciência e a realidade nos mostram que desta vez a conta chegou mais cedo. O planeta não está mais esperando para passar a conta para a próxima geração e está farto de acordos climáticos que não são cumpridos”, afirmou.
Para Lula, a ajuda financeira aos países necessitados não chega apesar dos “discursos eloquentes”, mas “vazios”, que exigem “acções concretas” porque “a conta da mudança climática não é igual para todos e chegou primeiro para os mais pobres”.
“Quantos líderes mundiais estão realmente comprometidos em salvar o planeta?”, mais uma vez, questionou Lula.
No seu discurso, Lula citou a desigualdade como uma barreira para a protecção dos recursos naturais e mencionou que o um porcento mais rico do planeta emite a mesma quantidade de carbono que 66 por cento da população mundial.
“O não cumprimento dos compromissos assumidos está corroendo a credibilidade do regime”, enfatizou Lula, lamentando que compromissos como os assumidos no Protocolo de Kyoto (1997) e nos Acordos de Paris (2015) não estejam sendo implementados.
Ao final do seu discurso, Lula disse que “o mundo já está convencido do potencial das energias renováveis” e pediu mais “debate” sobre o ritmo lento da descarbonização para estabelecer uma economia menos dependente de combustíveis fósseis no planeta.
“Temos que fazer isso com urgência e equidade”, disse Lula, apenas um dia depois de o Brasil ter anunciado que entrará para a Opep+ em Janeiro, um grupo formado por 23 “petroestados” que controlam 40por cento do fornecimento mundial de petróleo.
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12 de Março, 2026
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