
Crise da dívida se estenderá pelos próximos 10 anos, uma “morte fiscal lenta” aguarda alguns países nesta “década de dívida” – Arthur Laffer
- O mundo está perante uma crise de dívida que se estenderá pelos próximos 10 anos, afirmou o economista Arthur Laffer.
- A dívida global atingiu um recorde de US$ 307,4 biliões de dólares no terceiro trimestre de 2023, com um aumento substancial tanto nos países de elevado rendimento como nos mercados emergentes.
O mundo está perante uma crise da dívida que se estenderá pelos próximos 10 anos e que não vai acabar bem, alertou o economista Arthur Laffer, com os empréstimos globais a atingirem um recorde de US$ 307,4 biliões de dólares em Setembro passado.
Tanto os países de rendimento elevado como os mercados emergentes assistiram a um aumento substancial das suas dívidas, que cresceram 100 biliões de dólares desde há uma década, alimentadas em parte por um ambiente de taxas de juro elevadas.
“Prevejo que os próximos 10 anos serão a Década da Dívida. A dívida a nível mundial está a chegar a um ponto crítico. Não vai acabar bem”, disse Laffer, que é presidente da Laffer Tengler Investments, uma empresa de consultoria em investimentos e património, à CNBC.
Em termos de percentagem do produto interno bruto mundial, a dívida aumentou para 336%. Este valor compara-se com um rácio médio da dívida em relação ao PIB de 110% em 2012 para as economias avançadas e de 35% para as economias emergentes. O rácio era de 334% no quarto trimestre de 2022, de acordo com o mais recente relatório de monitorização da dívida global do Instituto de Finanças Internacionais.
Para fazer face ao pagamento da dívida, estima-se que cerca de 100 países terão de reduzir a despesa em infra-estruturas sociais essenciais, incluindo a saúde, a educação e a protecção social.
Os países que conseguirem melhorar a sua situação orçamental poderão beneficiar ao atraírem mão-de-obra, capital e investimento do estrangeiro, enquanto os que não o fizerem poderão perder talentos, receitas – e muito mais, disse Laffer.
“Eu esperaria que alguns dos países de maior dimensão que não resolvessem os seus problemas de dívida tivessem uma morte fiscal lenta”, disse Laffer, acrescentando que algumas economias emergentes “poderiam muito bem ir à falência”.
Os mercados maduros, como os EUA, o Reino Unido, o Japão e a França, foram responsáveis por mais de 80% do aumento da dívida no primeiro semestre do ano passado. Já no caso dos mercados emergentes, a China, a Índia e o Brasil registaram os aumentos mais acentuados.
O economista alertou para o facto de o pagamento da dívida se tornar mais problemático à medida que a população dos países desenvolvidos continua a envelhecer e os trabalhadores se tornam mais escassos.
“Há duas formas principais de resolver este problema: aumentar os impostos ou fazer crescer a economia mais rapidamente do que a dívida se está a acumular”, afirmou.
Os comentários de Laffer surgem na sequência da decisão da Federal Reserve dos EUA de deixar as taxas inalteradas em Janeiro e de afastar as esperanças de uma redução das taxas em Março.
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