
Dólar Reforça Posição Global Após Anúncio de Novas Tarifas por Trump
- A imposição de tarifas punitivas a dezenas de países impulsiona a valorização do dólar e acentua tensões cambiais com destaque para o yen, o euro e moedas de mercados emergentes asiáticos
Questões-Chave:
- O dólar registou a sua melhor semana em quase três anos, com valorização de 2,4%;
- A valorização foi impulsionada por novas tarifas impostas pelos EUA e pela fraqueza do yen japonês;
- O yen caiu para mínimos de quatro meses, levando o Governo japonês a expressar alarme;
- O euro permanece sob pressão devido ao acordo comercial entre a UE e os EUA, criticado por líderes europeus;
- Moedas de mercados emergentes asiáticos (Filipinas, Taiwan, Coreia do Sul) registaram quedas acentuadas;
- Dados de emprego nos EUA deverão testar a resiliência económica e o rumo da política monetária da Fed.
A nova vaga de tarifas impostas por Donald Trump está a causar impacto não apenas no comércio global, mas também nos mercados cambiais. O dólar norte-americano, impulsionado pela reacção dos mercados ao unilateralismo tarifário e a indicadores económicos resilientes, alcançou a sua melhor performance semanal desde 2022, reforçando o seu estatuto como moeda-refúgio num ambiente de incerteza geoeconómica.
O dólar norte-americano fechou a semana de 1 de Agosto de 2025 com um ganho acumulado de 2,4% face a um cabaz de seis moedas de referência — incluindo o euro, o yen, o franco suíço e o dólar canadiano —, marcando a sua melhor prestação semanal em quase três anos. A principal alavanca deste desempenho foi a decisão do Presidente Donald Trump de impor tarifas punitivas a dezenas de países, numa medida que reconfigura os fluxos comerciais e reforça o apelo do dólar como activo seguro.
Entre os países mais afectados encontra-se o Canadá, cuja moeda recuou 0,12% após o anúncio de tarifas de 35%, agravando-se face aos 25% inicialmente previstos. A Suíça viu as tarifas sobre as suas exportações aumentarem para 39%, o que levou o franco suíço a desvalorizar até 0,26%. Já em mercados emergentes da Ásia, a pressão foi mais intensa: o peso filipino atingiu o seu ponto mais baixo em seis meses, o won sul-coreano caiu para mínimos de Maio, e o dólar taiwanês registou perdas significativas.
O yen japonês foi um dos destaques negativos, atingindo os 150,915 por dólar — o nível mais fraco desde Março —, numa queda abrupta iniciada após o Banco do Japão indicar que não tenciona aumentar as taxas de juro no curto prazo. A situação levou o Ministro das Finanças japonês, Katsunobu Kato, a expressar publicamente alarme quanto à velocidade das movimentações cambiais.
No contexto europeu, o euro permanece sob pressão, mantendo-se próximo dos seus mínimos de dois meses, em torno de $1.1428. Analistas apontam para o impacto negativo do novo acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, que tem sido alvo de duras críticas por parte de líderes franceses e alemães, considerando-o assimétrico e penalizador para os interesses europeus.
Apesar da turbulência, os mercados aguardam com expectativa a divulgação dos dados mensais de emprego nos EUA, com previsões de abrandamento na criação de postos de trabalho (de 147.000 para 110.000), o que poderá influenciar o posicionamento futuro da Reserva Federal. Até agora, a Fed tem mantido a sua política monetária inalterada, apontando para uma inflação “ligeiramente elevada” e um mercado laboral “sólido”.
Num tom já habitual, Trump voltou a atacar o presidente da Fed, Jerome Powell, apelidando-o de “erro de nomeação” e reiterando exigências para cortes nas taxas de juro. Contudo, a autoridade monetária tem resistido às pressões políticas, mantendo a sua independência institucional.
A valorização do dólar, embora sustentada por fundamentos económicos, revela também a crescente incerteza geopolítica e os efeitos colaterais das medidas unilaterais da administração Trump. À medida que a guerra comercial ganha novas frentes, os mercados cambiais tornam-se barómetros da instabilidade global. E, enquanto o dólar se fortalece, as fragilidades expostas nas restantes economias poderão agravar desequilíbrios já existentes — sobretudo nos países emergentes.
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