
Economias africanas continuam resilientes e com forte potencial para uma recuperação rápida
- Com abundante capital natural, enorme população jovem uma economia em crescimento, existe uma enorme oportunidade para as economias de baixo rendimento recuperarem após choques como a pandemia de Covid-19
As economias africanas permanecem resilientes apesar de sofrerem múltiplos choques, com 53 dos 54 países africanos a manterem um crescimento positivo e uma perspectiva estável para o período 2023/24, conforme prevê o Banco Africano de Desenvolvimento.
Com efeito, o Economista-Chefe Interino e Vice-Presidente para a Governação Económica e Gestão do Conhecimento no Banco, Kevin Urama, referiu-se aos argumentos económicos do continente, como seja o abundante capital natural africano, a enorme população jovem e uma economia em crescimento, como elementos que representam uma enorme oportunidade para uma rápida recuperação económica, aliás, para a generalidade das economias de baixo rendimento se recuperarem após choques como a pandemia de Covid-19.
Urama discursava no lançamento do Relatório de 2022 do Fundo Monetário Internacional sobre Evolução Macroeconómica e Perspetivas nos Países de Baixo Rendimento, realizado a 31 de Janeiro, em Abidjan, na Costa do Marfim.
Sobre o conteúdo da informação revelada pelo estudo do FMI, disse que “a boa notícia é que as cinco economias de crescimento mais rápido de África vão voltar a juntar-se às dez economias de crescimento mais rápido em todo o mundo nos próximos anos”
“Muitos países de baixo rendimento estão em África e o relatório do FMI chega num momento oportuno, especialmente porque a maioria destas economias está a braços com complexos choques económicos internos e externos”, afirmou o economista.
“Estes choques estão a ameaçar a recuperação e a dinâmica que vimos de países a tentar recuperar após os efeitos devastadores do Covid-19 e também do impacto a invasão russa da Ucrânia está a criar na economia global”, disse Urama.
Ele explicou que os choques sobrepostos estão a perturbar as cadeias de abastecimento africanas e mundiais e a alimentar a inflação generalizada dos preços da energia e dos alimentos.
As condições financeiras globais prevalecentes, os custos do serviço da dívida interna e os efeitos persistentes da pandemia de Covid-19 estão todos a criar ventos contrários significativos, que os países africanos têm de enfrentar. A inflação está a acelerar rapidamente, com os preços dos alimentos e das matérias-primas a continuarem a subir, aumentando a insegurança alimentar e agravando o risco de agitação social nos países de baixo rendimento, incluindo em África.
Citando dados do Programa Alimentar Mundial, Urama afirmou que mais de 345 milhões de pessoas em 82 países a nível mundial sofrem hoje de insegurança alimentar aguda, e que há necessidade de aumentar o acesso a alimentos, energia e mecanismos que possam ajudar a enfrentar alguns destes desafios.
“Em África, no ano passado, a nossa própria estimativa é que mais de 15 milhões de pessoas tenham sido empurradas para a pobreza extrema devido aos elevados preços da energia e à inflação dos preços dos alimentos”, disse.
O relatório sobre o Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas para 2023 do Banco Africano de Desenvolvimento, lançado a 19 de janeiro, mostra que estas tendências inflacionistas poderão abrandar em 2023-2024, dando algum optimismo cauteloso às perspectivas para o continente.
Os países africanos e de rendimento médio enfrentarão desafios significativos em 2023 no futuro, advertiu Urama. Roland Kangni Kpodar, Chefe de Divisão Adjunto de Estratégia, Política e Revisão do Fundo Monetário Internacional, apresentou o relatório, sublinhando que a pandemia de Covid-19 tinha afetado os países de baixo rendimento de forma desproporcionada.
“Apesar do baixo número de casos (Covid-19) identificados, os sistemas de saúde dos países de baixo rendimento tinham sido severamente afectados pela pandemia porque já eram frágeis mesmo antes da pandemia”, disse Kpodar.
Para além dos impactos na saúde, Kpodar disse que a perda de horas de aprendizagem devido ao encerramento de escolas criou um revés para o desenvolvimento do capital humano nestes países.
O enorme impacto adverso da pandemia nas economias dos países de baixo rendimento revelou não só o espaço fiscal limitado que tinham mesmo antes da pandemia, mas também a elevada vulnerabilidade estrutural a tais choques, acrescentou.
“Dentro dos países, a desigualdade também aumentou, dado que a maioria dos grupos desfavorecidos, incluindo as mulheres e os que estão na economia informal, foram os que mais sofreram com as consequências económicas da pandemia”, concluiu Kpodar.
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