
Empreiteiros denunciam dívida do Estado de 300 milhões e alertam para falências no sector
Associação em Nampula aponta atrasos de até três anos nos pagamentos e denuncia irregularidades nos concursos públicos
- Estado deve cerca de 300 milhões de meticais a empreiteiros em Nampula;
- Atrasos de pagamento chegam a dois e três anos;
- Empresas enfrentam risco de falência e exclusão de novos concursos;
- Sector denuncia impacto na qualidade das obras públicas;
- Empreiteiros alertam para concorrência com documentos falsificados.
Empreiteiros em Nampula denunciam uma dívida do Estado de cerca de 300 milhões de meticais, alertando que os atrasos nos pagamentos estão a levar empresas à falência.
Dívida do Estado asfixia sector da construção
A Associação dos Empreiteiros em Nampula acusa o Estado de acumular uma dívida de aproximadamente 300 milhões de meticais, referente a obras executadas nos últimos anos, colocando várias empresas numa situação financeira crítica.
O presidente da associação, Mário Albano, afirma que a falta de pagamento está a comprometer seriamente a sustentabilidade do sector.
“O Estado está a afundar as empresas. Há valores que não são pagos e isso impede-nos de concorrer a novas obras”, declarou.
Segundo o responsável, a incapacidade de recuperar os valores em dívida limita o fluxo de caixa das empresas, afectando desde o pagamento de trabalhadores até à aquisição de materiais.
Atrasos prolongados bloqueiam novos contratos
Os empreiteiros indicam que, em alguns casos, os pagamentos estão em atraso há dois a três anos, criando um efeito em cadeia que impede a participação em novos concursos públicos.
“Há empresas que executaram obras, entregaram-nas, mas continuam sem qualquer perspectiva de pagamento. Sem liquidez, não conseguem cumprir requisitos para novos concursos”, explicou Mário Albano.
Apesar de a dívida já ter sido reconhecida pelas autoridades, os empresários criticam a ausência de um calendário claro para a sua regularização.
Encerramento de empresas e risco para obras públicas
A situação já está a ter consequências visíveis no terreno, com empresas a encerrar portas e outras a reduzir drasticamente a sua actividade.
Os empreiteiros alertam ainda que a falta de pagamento pode comprometer a qualidade das obras públicas, uma vez que limita a capacidade técnica e operacional das empresas.
Irregularidades nos concursos agravam crise do sector
Para além das dificuldades financeiras, a associação denuncia práticas irregulares nos processos de contratação pública, nomeadamente a participação de empresas com documentação falsificada.
“Estamos a assistir à entrada de concorrentes com documentos que não correspondem à realidade, o que distorce o mercado e prejudica empresas que actuam de forma legal”, alertou o responsável.
Face a esta situação, os empreiteiros defendem o reforço dos mecanismos de fiscalização e controlo, de forma a garantir maior transparência e equidade no acesso às obras públicas.
Entre dívidas acumuladas, falta de liquidez e fragilidades no sistema de contratação, o sector da construção em Nampula enfrenta um momento crítico. Sem uma intervenção efectiva do Estado, os empreiteiros alertam para o risco de colapso de empresas e deterioração da capacidade nacional de execução de obras públicas.
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