Financiamento Climático: A nova meta global – US$ 300 bilhões anuais até 2035 – e os desafios para implementação

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  • A COP29 marca avanços ao estabelecer um mercado global de créditos de carbono, prometendo bilhões para projetos climáticos, mas questões sobre transparência e governança permanecem.

A COP29, realizada em Baku, Azerbaijão, trouxe um marco significativo para o financiamento climático global. Os países acordaram um sistema de mercado para compra e venda de créditos de carbono. Esse acordo é resultado de mais de uma década de negociações e busca equilibrar as demandas por supervisão rigorosa com a flexibilidade necessária para aumentar a adesão de países e empresas. Ele tem o potencial de mobilizar bilhões de dólares para combater as mudanças climáticas, com estimativas de que o mercado global de créditos de carbono possa valer US$ 250 bilhões anuais até 2030.

Apesar do avanço, o sistema enfrenta desafios relacionados à integridade, transparência e governança.

O mercado global de créditos de carbono

A principal conquista da COP29 foi o acordo para lançar um mercado centralizado sob supervisão da ONU já no próximo ano, além de avançar em um sistema bilateral de comércio direto entre países. Créditos de carbono, criados por projetos como reflorestamento ou instalação de parques eólicos, podem ser comprados para compensar emissões de gases de efeito estufa, ajudando países e empresas a alcançar metas climáticas.

Principais debates e compromissos

Durante as discussões da COP29, foram delineados temas-chave que moldarão o futuro do mercado de créditos de carbono e o impacto do financiamento climático. A necessidade de garantir integridade e transparência, conciliada com a flexibilidade exigida por diferentes nações, levou a acordos importantes:

A União Europeia pressionou por uma supervisão mais rígida da ONU para transações internacionais, enquanto os Estados Unidos defenderam maior autonomia nas negociações bilaterais. O resultado foi um compromisso que permite o uso de um registo central para rastrear os créditos, sem que isso signifique aprovação automática pela ONU, atendendo a ambas as demandas.

Outro desafio significativo é assegurar que os créditos de carbono representem reduções reais e verificáveis de emissões. O acordo inclui mecanismos para rastreamento detalhado e procedimentos para lidar com falhas em projetos, fortalecendo a credibilidade do mercado.

Estima-se que o mercado global de créditos de carbono pode atingir US$ 250 bilhões anuais até 2030, compensando 5 bilhões de toneladas métricas de carbono. Esse potencial económico reflecte a relevância do sistema para a transição a economias mais sustentáveis.

Esses debates demonstram o equilíbrio necessário para implementar um sistema global inclusivo e eficiente, capaz de mobilizar recursos financeiros para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

Impacto global e desafios futuros

O sistema global de créditos de carbono promete injectar recursos em países em desenvolvimento, mas críticas apontam que sua eficácia dependerá de regras claras e aplicação rigorosa. Projectos mal executados podem comprometer a confiança no sistema, enquanto a falta de uniformidade nas regulamentações pode limitar a adesão global.

Além disso, iniciativas bilaterais já começaram, como a compra de créditos pela Suíça da Tailândia, mas permanecem limitadas. A nova estrutura pretende impulsionar essas transações e estabelecer padrões mais robustos.

O acordo firmado na COP29 representa um avanço muito importante no que concerne ao financiamento climático e na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, garantir que esses créditos cumpram seu propósito e que os recursos cheguem aos projectos certos será o verdadeiro teste para o sucesso do sistema. A próxima década será decisiva para transformar esse marco em acções concretas e sustentáveis, capazes de reduzir emissões e proteger comunidades vulneráveis.

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