
Fitch prevê fraca recuperação da economia moçambicana em 2021, mas um crescimento mais forte em 2022
São optimistas as perspectivas sobre o desempenho da economia moçambicana. A Fitch Solutions prevê que, após a contracção de 1,3% registada em 2020, a economia nacional deverá registar uma fraca recuperação, experimentando uma taxa de crescimento real de 2,8% 2021.
Abaixo da média de 5,5% registada entre 2010 e 2019, a referida recuperação deverá resultar principalmente do aumento do consumo privando, registando um crescimento de 1,7%, acrescentando 1,3 pontos percentuais (pp)ao valor nominal, a maior contribuição para o crescimento real do PIB.
“Acreditamos que as condições do mercado de trabalho irão melhorar gradualmente, fortalecendo a renda das famílias e a confiança do consumidor, o que levará a uma recuperação modesta na demanda do consumidor”, lê-se no mais recente Country Risk Report da consultora sobre a economia nacional.
Segundo os analistas, após o período de fraca recuperação, o crescimento económico deve se acelerar ainda mais em 2022, atingindo os 4,4%, considerando que a actividade de consumo e de negócios continuará a melhorar à medida que o programa de vacinação da Covid-19 do governo progride para cobrir uma parcela maior da população vulnerável do país até o final do ano.
Relativamente à evolução dos preços, as previsões apontam para uma estabilização da inflação nos próximos anos, após um pico em 2016-2017. Face a aceleração do consumo privado, apoiada no fortalecimento do crescimento económico no longo prazo, a consultora descortina uma taxa média de inflação de 5,6% entre 2021 e 2030, ante 3,1% em 2020.
“Embora esperemos uma inflação a moderada em relação ao pico de 2016-2017, restrições do lado da oferta, incluindo flutuações monetárias e choques no abastecimento de alimentos continuarão a representar riscos para inflação nos próximos anos”, destaca a fonte.
Economia nacional no espectro da armadilha das commodities
No cômputo geral, as perspectivas de crescimento da economia nacional a longo prazo são promissoras, apoiadas no progresso no desenvolvimento do sector de gás.
Várias estimativas apontam para existência de entre 100 e 185 biliões de pés cúbicos de gás natural na Costa de Moçambique – mais do que suficiente para satisfazer o consumo total dos EUA por mais de duas décadas – que, segundo a fonte, se bem administrados, poderão impulsionar uma transformação da economia moçambicana, acarretando um maior crescimento do PIB, maiores exportações e receitas fiscais e oportunidades mais atraentes para investidores estrangeiros.
No entanto, alertam os analistas, dada a probabilidade de o país não aprovar “grandes reformas estruturais para transformar a riqueza de recursos recém-descoberta em uma economia diversificada e superior”, corre o risco de cair na “armadilha das commodities”.
Trata-se de uma “armadilha” que tem impedido o crescimento de muitas economias dependentes de commodities, limitando as oportunidades em outros setores. “Moçambique provavelmente enfrentará as mesmas armadilhas que restringiram o crescimento em países como Angola e Nigéria durante a recente queda das commodities”, aponta a fonte, a menos que sejam implementadas “reformas econômicas significativas que encorajem a distribuição dos benefícios trazidos pelo boom do gás em toda a economia”.














