Plataforma flutuante da Eni inicia trajecto com destino a Bacia de Rovuma

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Volvidos quase dez anos após a descoberta do Campo Coral Sul da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, o País poderá, muito em breve, iniciar com a exploração e exportação do gás daquela região. Para o efeito, teve início, esta segunda-feira, 15/11, o reboque da plataforma flutuante que deverá garantir a extracção das primeiras reservas de hidrocarbonetos dentro da Área 4, operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV).

Com origem em Geoje – uma região insular onde se localiza o estaleiro naval do grupo Samsung Heavy Industries, uma das empresas responsáveis, desde 2018, pela unidade flutuante de gás natural liquefeito que levará o reservatório de Coral Sul à produção – a plataforma flutuante deverá realizar uma viagem de 60 dias, com uma paragem técnica na República de Indonésia, para abastecer os três rebocadores e reforçar o estoque de mantimentos.

Trata-se de uma unidade integrada de gás que, para além de extraí-lo, deverá também assegurar a sua liquefação, armazenamento e um sistema de descarregamento. Possui 414 metros de comprimento, 65 metros de largura e 40 de profundidade. Tem ainda depósitos de armazenamento no casco e 13 módulos por cima deles, incluindo uma fábrica de liquefação e um módulo de oito andares onde podem viver 350 pessoas e uma pista para helicópteros.

Com capacidade de produzir 3,4 milhões de toneladas métricas de gás por ano, a plataforma vai atravessar o oceano Índico para ser ancorada ao largo da costa de Cabo Delgado, presa por 20 cabos, e iniciar produção durante o primeiro semestre de 2022, tornando-se a primeira plataforma de gás em águas profundas e o primeiro projecto do género desenvolvido em África.

Descoberto em maio de 2012, o Campo Coral Sul contém 18 trilhões de pés cúbicos (TCFs) de gás no local e a sua produção será toda vendida à petrolífera britânica BP durante vinte anos, com opção de extensão por mais dez.

A área é operada pela MRV, constituída pela petrolífera italiana Eni e a norte-americana Exxon mobil, com participações individuais de 25 por cento, a China National Petroleum Corporation (CNPC), com 20 por cento; a sul coreana Kogas, portuguesa Galp e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, com participações de 10 por cento cada uma. A Eni e seus parceiros mobilizaram cerca de sete biliões de dólares norte-americanos, maioritariamente gastos na construção da plataforma flutuante Coral FNLG.

Sinalizando a importância para a economia do País do arranque da exploração das reservas de gás da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, participou, esta segunda-feira, em Goeje, na cerimónia  de reboque da unidade flutuante de gás natural liquefeito (FLNG), marcando o início da marcha triunfal da plataforma rumo a Bacia de Rovuma.

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