
Microsseguro em expansão, mas ainda em fase emergente
Apesar dos progressos registados nos últimos anos na indústria de seguros, o estagio do sector ainda se mostra precoce, a revelar um enorme mercado inexplorado, sobretudo, para seguros de baixo custo e de fácil acesso. Com efeito, uma boa parte dos adultos ainda sofre o impacto total de uma diversidade de riscos, ou usam mecanismos de gestão de risco muito caros, como cortar despesas, vender algo ou pedir dinheiro emprestado.
Além da baixa penetração e contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB), que se manteve abaixo de 2% por muitos anos, o sector de seguros em Moçambique também não é muito inclusivo. Com apenas 8 provedores de microsseguros autorizados – sendo 7 companhias de seguros e 1 companhia de microsseguros – a contribuição do seguro inclusivo para o desempenho total do sector em termos de Prémios Brutos Emitidos (PBE) é inferior a 1%.
Segundo dados do Relatório do Panorama do Seguro Inclusivo em Moçambique, recentemente divulgado pelo Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç), os produtos de seguros inclusivos cobrem apenas cerca de ¼ de milhão de pessoas através do seguro de crédito, funeral, despesas hospitalares, agricultura e acidentes pessoais
Embora o sector dos seguros inclusivos em Moçambique esteja numa fase inicial, pode considerar-se que está ainda a avançar para a fase emergente, dada a variedade de riscos que as companhias de seguros estão actualmente a cobrir.
Quando se refere ao seguro inclusivo, estão em causa, essencialmente, produtos de seguro adequados e acessíveis para os segmentos da população não abrangidos e pouco abrangidos, com uma ênfase especial na população vulnerável e de baixa renda, uma solução que visa “atender as necessidades da população de baixa renda”, explicou Sílvio Chiau, Gestor do FSDMoç.
Num País em que cerca de 52% da população adulta aufere rendimentos até 5 mil meticais/mês, o micro-seguro surge como uma solução viável sob ponto de vista de capacidade de adesão, pelo que, os produtos desenhados devem ser “acessíveis e apropriados para estas camadas”.
Falando em exclusivo ao “O.ECONÓMICO, a propósito do lançamento do Relatório do Panorama do Seguro Inclusivo em Moçambique, Chiau revelou que, apesar de ser cada vez mais notável a tendência de diversificação dos produtos e canais de distribuição de informação sobre os serviços de seguro, no caso do microsseguro, este ainda constitui um desafio. No geral, o segmento de baixa renda permanece pouco explorado no País.
Microsseguro é sustentável…se acautelados alguns aspectos
Instado a comentar sobre a sustentabilidade de uma maior expansão dos produtos do sector dos seguros inclusivos às populações de baixa renda, Chiau explicou que a mesma está condicionada à alguns factores. “Há sustentabilidade, todavia há uma série de elementos que devem ser tomados em consideração”, ajustou.
O prémio para o microsseguro é baixo, explicou, para depois acrescentar que é preciso haver “eficiências no processo”, ao mesmo tempo que se aumenta a escala para que o negócio do seguro inclusivo seja sustentável. A inovação, o uso de canais de distribuição não convencionais e das tecnologias de comunicação e informação, concorrem para uma maior sustentabilidade do seguro inclusivo.
Servir segmentos de baixa renda com o seguro requere que se preste atenção às características únicas destes segmentos, para garantir que as soluções de seguro resultantes estejam alinhadas às suas necessidades de gestão de risco. “É importante que se compreenda as reais necessidades do consumidor…seguir um princípio de desenho centrado no homem”, frisou.
No que refere ao papel dos reguladores e fazedores de política, Chiau aponta a necessidade de afinamento dos requisitos para o reporte da actividade do microsseguro, por forma que possa haver “desagregação da informação sobre os seguros convencionais e o seguro inclusivo”, uma questão que já está a sendo acautelada ao nível do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique – ISSM.
O estabelecimento de um equilíbrio entre a protecção do cliente com a realidade no terreno, subsídios e/ou incentivos fiscais para alguns produtos de seguro que são de alto risco, a educação financeira dos consumidores e a criação de um fundo de inovação para testar novos produtos, são algumas das propostas que, na perspectiva do FSDMoç, poderiam contribuir para o aprimoramento da regulação e promoção do seguro inclusivo.
Entretanto, tais acções exigem uma coordenação multissectorial, “porque se for apenas um dos blocos a actuar, o resultado pode não ser dos melhores. Há necessidade de haver um engajamento conjunto para que o seguro inclusivo possa ser uma realidade”, destacou.
















