
Governo E Sector Privado Defendem Nova Estratégia Para Transformar Turismo Em Plataforma De Industrialização E Investimento
- Fórum de Turismo e Investimento de Nampula defende uma mudança de paradigma, em que o turismo deixa de ser visto apenas como actividade de promoção de destinos para assumir um papel central na dinamização de cadeias de valor, atracção de investimento e transformação económica.
- Governo propõe integração entre turismo, agro-negócio e indústria transformadora;
- CTA defende conversão de recursos naturais e históricos em produtos turísticos competitivos;
- Nampula posiciona-se como futuro pólo turístico e económico do Norte do país;
- Corredor de Nacala é apontado como activo estratégico para atrair investimento;
- Sector procura maior conectividade, qualificação profissional e promoção internacional.
O debate sobre o futuro do turismo moçambicano ganhou uma nova dimensão durante o Fórum de Turismo e Investimento realizado em Nampula. Mais do que discutir a promoção de destinos turísticos, Governo e sector privado defenderam uma visão que coloca o turismo no centro da transformação económica, como instrumento de industrialização, desenvolvimento territorial e mobilização de investimento.
A mensagem transversal que emergiu do encontro foi clara: Moçambique precisa de abandonar uma abordagem baseada apenas na valorização passiva dos seus recursos naturais e culturais e avançar para uma lógica de transformação desses activos em produtos turísticos estruturados, capazes de gerar rendimento, emprego e encadeamentos económicos sustentáveis.
Na abertura do Fórum, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, afirmou que o turismo deve ser encarado como uma plataforma de activação de cadeias produtivas e não apenas como um sector isolado da economia. Segundo o governante, o desafio passa por diversificar a base produtiva das províncias, identificando produtos estratégicos em cada distrito, promovendo unidades produtivas locais e articulando essa produção com a actividade turística.
A proposta procura elevar o Índice de Complexidade Económica dos territórios, reduzindo a dependência de produtos primários e criando novas ligações entre turismo, agricultura, indústria transformadora e serviços.
Turismo Como Motor De Cadeias De Valor
A abordagem defendida pelo Governo representa uma evolução importante na forma como o turismo é tradicionalmente concebido em Moçambique.
Em vez de depender exclusivamente da atracção de visitantes, a estratégia procura maximizar os efeitos multiplicadores do sector sobre a economia local.
Basílio Muhate sublinhou que fazer turismo em Nampula significa activar cadeias produtivas, estimular a indústria local, criar emprego qualificado e reforçar a posição da província como um dos principais motores económicos do Norte de Moçambique.
Esta visão converge com a defendida pela CTA.
O Presidente da organização, Álvaro Massingue, argumentou que o desenvolvimento económico depende da capacidade de transformar recursos e potencialidades em investimento, emprego e prosperidade. Segundo o dirigente empresarial, Moçambique dispõe de vantagens competitivas significativas, incluindo mais de 2.700 quilómetros de costa, património histórico reconhecido internacionalmente, diversidade cultural e áreas de conservação de referência.
Contudo, advertiu que o país ainda precisa converter esse potencial em produtos turísticos competitivos e internacionalmente comercializáveis.
Nampula Procura Liderar Nova Geografia Do Turismo
Grande parte do debate centrou-se no posicionamento de Nampula como uma das futuras plataformas turísticas e de investimento do país.
O Governador Eduardo Abdula destacou que a província reúne activos únicos, incluindo a Ilha de Moçambique, Património Mundial da UNESCO, as praias de Nacala, Memba, Mossuril e Angoche, além de importantes recursos culturais e ecológicos.
A estes factores juntam-se vantagens logísticas associadas ao Corredor de Nacala, ao Porto de Nacala e ao Aeroporto Internacional de Nacala, infra-estruturas consideradas essenciais para aumentar a conectividade e facilitar o acesso aos mercados regionais e internacionais.
Segundo Abdula, o objectivo é transformar Nampula num dos grandes destinos turísticos africanos e simultaneamente num centro de atracção de investimento privado.
Desafios Continuam A Limitar Competitividade
Apesar do optimismo demonstrado pelos participantes, o Fórum identificou vários constrangimentos que continuam a limitar o crescimento do sector.
Entre eles destacam-se a limitada conectividade aérea doméstica, os custos elevados das viagens internas, a necessidade de maior qualificação dos recursos humanos, a melhoria das infra-estruturas básicas e a promoção internacional mais agressiva da marca Moçambique.
A CTA defendeu ainda a simplificação dos regimes de vistos, o reforço da segurança dos turistas e o combate a práticas ilícitas que afectam a experiência dos visitantes.
Da Promoção Do Potencial À Mobilização Do Investimento
O aspecto mais relevante do Fórum foi talvez a mudança de enfoque observada no discurso dos principais intervenientes.
A prioridade deixou de ser apenas promover o potencial turístico e passou a centrar-se na mobilização efectiva de investimento.
Como resumiu o Ministro da Economia, o objectivo é transformar ideias em projectos, projectos em investimentos e investimentos em resultados concretos para a população.
Num contexto em que Moçambique procura acelerar o crescimento económico, diversificar a sua base produtiva e criar novas fontes de emprego, o turismo surge cada vez mais como uma plataforma económica transversal, capaz de ligar recursos naturais, património cultural, logística, agro-negócio, indústria e investimento privado numa única estratégia de desenvolvimento.
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