Geopolítica, FMI E Fragilidade Fiscal Colocam Economia Moçambicana Num Ano Decisivo

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No ‘Tema de Fundo’ do programa Semanário Económico, o economista Oldemiro Belchior analisa os impactos da instabilidade internacional, as exigências do FMI e os desafios macroeconómicos que Moçambique enfrenta em 2026.

Questões-Chave:
  • Conflitos geopolíticos estão a aumentar volatilidade nos mercados energéticos e financeiros;
  • Crescimento da economia mundial deverá desacelerar face às previsões iniciais;
  • Moçambique enfrenta fortes restrições macrofiscais e dificuldades de financiamento externo;
  • Retoma do apoio do FMI depende de consolidação fiscal e reformas estruturais.

Instabilidade geopolítica agrava incerteza económica global

Na analise feita no “Tema de Fundo” do Semanário Económico, o economista Oldemiro Belchior concitou sobre os principais riscos e tendências que marcam a actual conjuntura económica internacional e os seus impactos para Moçambique.

O economista destacou que o agravamento das tensões geopolíticas  particularmente no Médio Oriente, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão  está a provocar reacções significativas nos mercados globais.

Segundo Belchior, estes episódios intensificam a volatilidade nos mercados energéticos e financeiros, afectando as expectativas dos investidores e o desempenho das principais economias.

“A economia mundial deverá crescer menos do que o previsto devido à instabilidade geopolítica”, observou o economista durante a entrevista.

Crescimento global poderá ficar abaixo das previsões

Na entrevista, Belchior recordou que as previsões iniciais apontavam para um crescimento da economia mundial em torno de 3,1% em 2026.

Contudo, o agravamento das tensões internacionais poderá levar a uma revisão em baixa dessas projecções.

Apesar deste cenário de desaceleração, o economista sublinhou que algumas economias exportadoras de recursos naturais poderão beneficiar da valorização das matérias-primas nos mercados internacionais.

Países africanos produtores de petróleo, como Angola e Nigéria, tendem a registar ganhos adicionais sempre que os preços do crude sobem.

Neste contexto, a região da África Subsaariana poderá alcançar um crescimento próximo de 4,6%, impulsionado em parte pela valorização das commodities energéticas.

Economia moçambicana enfrenta restrições macrofiscais severas

Ao abordar a situação doméstica, Belchior considerou que o principal desafio da economia moçambicana reside nas restrições macrofiscais e na dificuldade em mobilizar financiamento externo.

Na análise no Semanário Económico, o economista salientou que a ausência de um novo programa com o Fundo Monetário Internacional limita significativamente a capacidade do país em obter recursos junto de parceiros internacionais.

“Sem um novo programa com o FMI, Moçambique terá dificuldades em mobilizar financiamento externo”, alertou. 

Oldemiro Belchior

Ao mesmo tempo, o desempenho da economia real continua frágil, sobretudo fora da indústria extractiva.

“A economia real do país está praticamente sem crescimento fora do sector extractivo”, acrescentou o economista.

Consolidação fiscal continua no centro das negociações com o FMI

Outro ponto central da análise incidiu sobre as exigências associadas a um eventual novo programa com o Fundo Monetário Internacional.

Segundo Belchior, o FMI tem insistido na necessidade de consolidar as finanças públicas através da contenção da despesa e do reforço da base tributária.

“A consolidação fiscal significa conter despesas e melhorar a capacidade de arrecadação”, explicou o economista.

Estas medidas poderão implicar ajustes sensíveis, particularmente no que diz respeito à massa salarial do sector público e à gestão do investimento público.

Mercado cambial continua sob pressão

Na sua abordagem analítica, Belchior abordou também as fragilidades do mercado cambial moçambicano.

Segundo o economista, existe actualmente uma diferença significativa entre a taxa de câmbio observada no mercado paralelo e a taxa praticada no mercado cambial interbancário.

Essa disparidade reflecte a escassez estrutural de divisas na economia.

Apesar de alguns analistas defenderem uma liberalização mais ampla do regime cambial, Belchior advertiu para os riscos associados a essa estratégia.

“Uma liberalização abrupta do câmbio poderia provocar um choque inflacionário”, afirmou.

Mozal continua a ser um pilar das exportações

Outro tema abordado na rubrica Tema de Fundo foi o papel da Mozal na economia nacional.

Segundo Belchior, a empresa representa cerca de 15% das exportações totais do país, desempenhando um papel crucial na geração de divisas.

Uma eventual suspensão ou redução significativa da actividade da empresa poderia provocar efeitos económicos relevantes, afectando centenas de empresas da cadeia de fornecimento e pressionando o mercado cambial.

Confiança internacional será determinante

Na conclusão da análise, o economista defendeu que a recuperação da confiança internacional será determinante para o futuro económico de Moçambique.

Para Belchior, a retoma de um programa com o Fundo Monetário Internacional poderá desempenhar um papel crucial na restauração da credibilidade económica do país e na mobilização de financiamento externo.

“A confiança dos investidores depende da estabilidade macroeconómica”, concluiu o economista.

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