Governo Admite Não Ter Soluções Para Pagar O 13.º Salário À Função Pública

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Executivo invoca constrangimentos orçamentais e condiciona qualquer decisão ao fecho das contas do Estado, num contexto de crescente tensão social.

Questões-Chave:
  • Governo reconhece inexistência de recursos para pagamento do 13.º salário à função pública;
  • Primeira-ministra afasta compromissos e pede contenção nas exigências;
  • Ministério das Finanças condiciona decisão ao encerramento das contas do exercício;
  • Profissionais de saúde ameaçam paralisação total do sector.

O Governo de Moçambique voltou a admitir que não dispõe, neste momento, de soluções financeiras para assegurar o pagamento do 13.º salário aos funcionários e agentes do Estado, reforçando a incerteza em torno de um direito laboral consagrado na legislação, num contexto de forte pressão sobre as finanças públicas e crescente tensão social.

Executivo Afasta Compromissos Imediatos

A primeira-ministra, Benvinda Levi, foi peremptória ao afirmar que o Executivo continua sem alternativas para o pagamento do 13.º salário, sublinhando que o Governo já havia comunicado atempadamente a inexistência de recursos para o efeito.

Segundo a governante, qualquer anúncio só será feito quando existir uma solução concreta, defendendo que a insistência pública sobre o tema não contribui para resolver o problema. A posição do Executivo traduz uma leitura de prudência fiscal, mas também evidencia os limites actuais da capacidade financeira do Estado para assumir compromissos adicionais.

Finanças Condicionam Decisão Ao Fecho Das Contas

No mesmo sentido, a ministra das Finanças, Carla Loveira, esclareceu que não existe ainda uma decisão definitiva sobre o pagamento do 13.º salário, sublinhando que qualquer deliberação dependerá do encerramento das contas do exercício orçamental em curso.

A governante explicou que só após a avaliação rigorosa da arrecadação de receitas e do comportamento da despesa pública será possível aferir a real margem financeira do Estado. O Executivo invoca, entre outros factores, a necessidade de garantir a sustentabilidade da dívida pública e de preservar prioridades sociais num quadro macroeconómico ainda desafiante.

Nos últimos anos, o pagamento do 13.º salário tem sido marcado por soluções condicionadas, variando entre pagamentos integrais, parciais ou adiamentos, em função da disponibilidade orçamental, numa tentativa de equilibrar as contas públicas.

Sector Da Saúde Ameaça Paralisação Total

A indefinição governamental tem provocado reacções firmes por parte dos profissionais de saúde. A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique advertiu para a possibilidade de uma greve generalizada caso o pagamento do 13.º salário não seja assegurado no prazo anunciado.

O presidente da associação, Anselmo Muchave, sublinhou que o 13.º salário constitui um direito legal e não um benefício discricionário, alertando para impactos imediatos e graves no funcionamento das unidades sanitárias em todo o país.

Segundo a organização, o não pagamento poderá conduzir ao encerramento de hospitais e centros de saúde, comprometendo a continuidade e a qualidade dos cuidados prestados à população, num sector já pressionado por limitações estruturais e financeiras.

Direito Legal Versus Capacidade Orçamental

Apesar de reconhecer que o 13.º salário continua previsto no ordenamento jurídico que regula as carreiras e remunerações da função pública, o Executivo tem reiterado que a sua materialização depende das condições económicas e financeiras de cada exercício.

A expectativa oficial é de que, após o fecho das contas anuais, o Governo venha a pronunciar-se sobre a possibilidade, o modelo e o eventual calendário de pagamento, procurando conferir maior previsibilidade aos funcionários públicos. Até lá, mantém-se um clima de incerteza, com potenciais repercussões sociais e económicas, num momento em que a estabilidade fiscal e social assume particular relevância.

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