Índice de Preços dos Alimentos da FAO Cai em Outubro com Aumento das Reservas Mundiais de Cereais

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Queda nas cotações de cereais, lacticínios, carne e açúcar reflete abundância global de oferta, enquanto as reservas de cereais deverão atingir um novo recorde histórico.

Questões-Chave:
  • O Índice de Preços dos Alimentos da FAO recuou 1,6% em Outubro, fixando-se em 126,4 pontos, o segundo declínio mensal consecutivo;
  • Quedas expressivas foram registadas nos subíndices de açúcar (-5,3%), lacticínios (-3,4%), carne (-2,0%) e cereais (-1,3%);
  • Apenas o índice dos óleos vegetais contrariou a tendência, subindo 0,9% e atingindo o nível mais alto desde Julho de 2022;
  • A produção mundial de cereais deverá aumentar 4,4% em 2025, para um total de 2,99 mil milhões de toneladas;
  • As reservas globais de cereais deverão atingir 916,3 milhões de toneladas, o valor mais elevado desde 2017/18.

Os preços internacionais das principais commodities alimentares voltaram a cair em Outubro, reflectindo abundância de oferta global, com destaque para os cereais, lacticínios, carne e açúcar. Segundo o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a tendência descendente é sustentada pela forte produção agrícola mundial e pela estabilização dos mercados, apesar de persistirem riscos geopolíticos e logísticos.

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO (FFPI), que acompanha as variações mensais das cotações internacionais de um cabaz de produtos alimentares, fixou-se em 126,4 pontos em Outubro, o que representa uma descida de 1,6% face a Setembro e situa o índice ligeiramente abaixo do nível registado há um ano. No total, o índice permanece 21,1% abaixo do pico observado em Março de 2022, após a eclosão da guerra na Ucrânia.

Entre os principais grupos de produtos, o Índice dos Cereais caiu 1,3%, reflectindo descidas nos preços do trigo (-1,0%), dos cereais secundários (-1,1%) e do arroz (-2,5%). A FAO atribui esta evolução à robusta oferta global e às boas perspectivas de colheitas no hemisfério sul, nomeadamente na Austrália e na América Latina.

O Índice da Carne recuou 2,0%, interrompendo oito meses consecutivos de aumentos, com as carnes de porco e de aves a liderarem as quedas. A descida foi parcialmente compensada pela valorização da carne bovina, impulsionada pela forte procura internacional, sobretudo da Ásia.

Nos lacticínios, o índice baixou 3,4%, com recuos em todos os subprodutos: manteiga (-6,5%), leite em pó integral (-6,0%), leite em pó desnatado (-4,0%) e queijo (-1,5%). A FAO aponta para uma oferta abundante da União Europeia e da Nova Zelândia e para uma procura externa enfraquecida na Ásia e no Médio Oriente.

O açúcar registou a queda mais acentuada, com um recuo de 5,3%, atingindo o nível mais baixo desde Dezembro de 2020. O declínio decorre das condições favoráveis de produção no Brasil, de maiores expectativas de colheita na Índia e na Tailândia, e da descida dos preços internacionais do petróleo, que reduziu a procura de cana para biocombustíveis.

O único subíndice em alta foi o dos óleos vegetais, que subiu 0,9%, impulsionado por aumentos nas cotações de óleo de palma, colza, soja e girassol. O movimento reflecte restrições de oferta na região do Mar Negro, forte procura para biocombustíveis e atrasos de colheita em alguns países exportadores.

As previsões actualizadas da FAO indicam que a produção mundial de cereais deverá aumentar 4,4% em 2025, atingindo 2,99 mil milhões de toneladas, o valor mais elevado de sempre. O consumo global deverá crescer 1,8%, para 2,93 mil milhões de toneladas, reflectindo o forte abastecimento e os preços mais baixos.

Com base nestas projecções, os stocks mundiais de cereais deverão expandir-se 5,7%, alcançando 916,3 milhões de toneladas, enquanto o rácio stocks/utilização subirá para 31,1%, o nível mais alto desde 2017/18.

A FAO prevê também que o comércio mundial de cereais aumente 3,2%, para 499,5 milhões de toneladas, impulsionado pelas maiores importações de trigo na Ásia, ainda que o comércio global de arroz deva recuar ligeiramente.

O relatório destaca ainda que as restrições às exportações de culturas básicas estão a diminuir, com Argentina, Índia e Rússia a relaxarem medidas adoptadas entre 2024 e meados de 2025, contribuindo para a estabilização dos fluxos comerciais agrícolas.

Com o abrandamento dos preços alimentares e a previsão de colheitas recorde, o mercado global de alimentos entra num período de maior estabilidade e segurança de abastecimento. Ainda assim, a FAO alerta que a vulnerabilidade climática e as tensões geopolíticas continuam a ser factores de risco que podem alterar esta trajectória favorável, sobretudo em países de baixa resiliência alimentar.

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