
Jeffrey Sachs Diz Que Moçambique Pode Tornar-Se Economia Desenvolvida Em 25 Anos
Economista Defende Uso Estratégico Das Receitas Do Gás, Investimento Em Educação E Infra-Estruturas Para Acelerar Transformação Estrutural
- Jeffrey Sachs projecta que Moçambique pode tornar-se economia desenvolvida em 25 anos;
- Potencial do gás natural visto como catalisador de crescimento acelerado;
- Educação, infra-estruturas e electrificação apontadas como pilares estruturantes;
- Integração regional com África do Sul considerada estratégica;
- Ênfase na execução técnica rigorosa para converter investimento em benefícios sociais.
O economista norte-americano Jeffrey Sachs afirmou que Moçambique pode tornar-se uma economia desenvolvida nas próximas duas décadas e meia, desde que consiga converter o actual ciclo de investimento em transformação estrutural sustentável .
O encontro entre Sachs e o Presidente da República, Daniel Chapo, decorreu em Adis Abeba, à margem da 39.ª Conferência Ordinária da União Africana, e centrou-se na definição de estratégias de desenvolvimento de longo prazo .
Segundo o economista, o país encontra-se num momento particularmente favorável, marcado pela entrada de investimento significativo associado aos projectos de gás natural.
“Há um grande volume de investimento a chegar a Moçambique, o que nos oferece a oportunidade de um avanço muito rápido na economia”, afirmou Sachs .

Gás Natural Como Catalisador, Não Como Fim
Para Sachs, o desenvolvimento dos projectos de gás natural representa um impulso relevante, mas o verdadeiro teste reside na capacidade de transformar receitas extractivas em capital humano e infra-estruturas produtivas.
“O desenvolvimento dos projectos de gás natural será um grande impulso, mas o rendimento daí obtido poderá também ser aplicado na educação de qualidade para todas as crianças”, declarou .
A leitura económica é clara: a renda dos recursos naturais deve financiar investimento estruturante, evitando armadilhas típicas de economias dependentes de commodities.
Educação, Electrificação E Corredores Económicos
Sachs destacou ainda a importância de investir em infra-estruturas, electrificação e logística como factores multiplicadores do crescimento.
“A construção de infra-estruturas, a expansão da electrificação e a dinamização de corredores económicos são essenciais para potenciar outros sectores vitais da economia”, afirmou .
A referência aos corredores económicos aponta para integração regional, particularmente com a África do Sul, como vector estratégico para desenvolvimento do turismo, comércio e serviços.
A posição geográfica de Moçambique, segundo o economista, constitui vantagem comparativa natural que pode ser explorada para consolidar um modelo de crescimento diversificado.

Execução Técnica Como Fatcor Decisivo
Apesar do optimismo, Sachs sublinhou que o sucesso dependerá da qualidade da execução técnica e da capacidade institucional.
“Coloquei-me à disposição para prestar qualquer apoio necessário, qualquer assistência técnica que seja relevante para trabalhar com a equipa do Presidente numa estratégia que permita acelerar significativamente o desenvolvimento”, declarou .
A projecção de 25 anos para alcançar estatuto de economia desenvolvida representa um horizonte ambicioso. Implica taxas de crescimento sustentadas, forte acumulação de capital humano, estabilidade macroeconómica e gestão prudente das receitas extractivas.
Oportunidade Histórica Ou Desafio Estrutural?
Moçambique já registou períodos de crescimento elevado no passado, mas enfrenta ainda desafios estruturais significativos: vulnerabilidade climática, défices infra-estruturais, limitações de capital humano e dependência de recursos naturais.
A afirmação de Sachs coloca o país num quadro de potencial transformador, mas também amplia as expectativas.
Entre a retórica de oportunidade histórica e a exigência de disciplina macroeconómica, a trajectória dependerá da capacidade de alinhar investimento, governação e inclusão social.
Como sintetizou o próprio economista:
“Moçambique representa uma perspectiva económica muito, muito empolgante. Há muito a fazer, há muito para construir, mas o potencial e a viabilidade prática de um desenvolvimento rápido estão, neste momento, ao alcance do país” .
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