
Mais de 50 países assinam Declaração da ONU sobre Turismo Sustentável: Uma nova abordagem climática
Num momento histórico para o sector, mais de 50 governos uniram-se para assinar uma declaração das Nações Unidas que visa tornar o turismo global mais amigo do clima. Este compromisso surge como um marco importante na COP29, que decorre no Azerbaijão etermina nesta sexta-feira, 22/12, marcando a primeira inclusão do turismo na Agenda de Ação da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
Zoritsa Urosevic, Directora Executiva das Nações Unidas para o Turismo, salientou que este sector, responsável por 3% do PIB mundial, é também uma das maiores fontes de emissões de gases com efeito de estufa, contribuindo com 8,8% do total global. Reconhecendo a relevância do evento, Kanan Gasimov, Chefe da Administração da Agência de Turismo do Azerbaijão, destacou que o futuro do turismo depende directamente das acções de sustentabilidade adoptadas hoje.
A declaração compromete os países a integrar o turismo na elaboração de planos climáticos nacionais, os chamados Contributos Determinados Nacionalmente (CDN). Estes planos, que delineiam políticas específicas para reduzir emissões, deverão ser actualizados em Fevereiro. Para muitos países emergentes, onde o turismo é uma das principais fontes de receitas em moeda estrangeira, este compromisso oferece uma oportunidade de alinhar os interesses económicos com as responsabilidades climáticas. Ao mesmo tempo, sublinha os riscos que os fenómenos climáticos extremos, como furacões, ondas de calor e secas, representam para a sustentabilidade do setor.
Além das implicações políticas, o evento trouxe à luz iniciativas práticas de grande impacto. A World Sustainable Hospitality Alliance apresentou um quadro para medir e comunicar dados sobre emissões de gases com efeito de estufa, consumo de água, gestão de resíduos e utilização de energia no setor hoteleiro. Esta iniciativa, que conta com o apoio de cadeias globais como Accor e Hilton, representa um total de 55.000 hotéis e mais de 7 milhões de quartos. Glenn Mandziuk, CEO da aliança, realçou a necessidade de o setor desempenhar um papel ativo na preservação dos destinos turísticos, reforçando que a sustentabilidade deve ser parte integrante de qualquer estratégia de longo prazo.
A integração do turismo nos planos climáticos nacionais tem implicações que vão além da proteção ambiental. Para os países signatários, esta declaração pode catalisar a transição para práticas mais verdes, promovendo investimentos em infraestruturas sustentáveis, como transportes de baixa emissão e tecnologias para gestão eficiente de recursos naturais. No entanto, o desafio será assegurar que os compromissos assumidos se traduzam em ações concretas, especialmente em regiões onde os recursos financeiros e técnicos são limitados.
Por outro lado, o envolvimento de grandes cadeias hoteleiras representa uma oportunidade significativa para disseminar padrões sustentáveis em escala global. As métricas propostas pela World Sustainable Hospitality Alliance oferecem não apenas transparência, mas também incentivos para que outras empresas adotem práticas semelhantes, promovendo uma cadeia de valor mais verde em todo o setor.
A declaração assinada na COP29 tem o potencial de transformar o turismo global, alinhando-o com os objetivos climáticos internacionais. Este movimento interpreta um compromisso crescente em enfrentar os desafios das alterações climáticas de forma colaborativa, mas também aponta para os benefícios económicos que podem surgir de práticas mais sustentáveis. Ao proteger os destinos e preservar a essência do turismo, os países signatários não apenas contribuem para a mitigação dos impactos climáticos, mas também garantem a resiliência e a competitividade de suas economias.
A próxima actualização dos CDN, prevista para Fevereiro, será um momento-chave para medir o impacto desta declaração e avaliar a seriedade dos compromissos assumidos. A verdadeira transformação dependerá da capacidade dos países e do sector privado em converter estas promessas em acções tangíveis, garantindo que o turismo, um dos motores económicos mais importantes do mundo, seja também uma força para a sustentabilidade global.
Impacto Potencial: Transformação económica e ambiental do setor do turismo
Um dos impactos mais significativos da Declaração da ONU sobre Turismo Sustentável é a potencial transformação do sector como motor de desenvolvimento económico e ambiental. Para muitos países, especialmente os em desenvolvimento, o turismo é uma das principais fontes de receitas em moeda estrangeira, responsável pela criação de milhões de empregos e pela dinamização de economias locais. No entanto, o setor enfrenta vulnerabilidades profundas, exacerbadas pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais.
Ao comprometer os governos a incluir o turismo nos seus planos climáticos nacionais, a declaração cria um incentivo para que os países invistam em práticas sustentáveis. Estes investimentos podem abranger áreas como a transição para transportes de baixa emissão, a promoção de energias renováveis em infraestruturas turísticas e a gestão mais eficiente de recursos hídricos e de resíduos. Tais mudanças não apenas reduzem o impacto ambiental, mas também aumentam a competitividade do setor, atraindo turistas cada vez mais conscientes da sustentabilidade.
Além disso, o envolvimento de grandes cadeias hoteleiras na medição e comunicação de dados ambientais promove a transparência e a padronização de práticas verdes. Este movimento pode criar uma “nova normalidade” no turismo, onde os destinos que adoptam estratégias sustentáveis se destacam no mercado global, atraindo mais visitantes e gerando maior receita.
Por outro lado, para as comunidades locais, o impacto vai além do económico. A promoção de práticas turísticas sustentáveis pode contribuir para a preservação do património cultural e natural, ao mesmo tempo que fortalece a resiliência das comunidades aos impactos das alterações climáticas. Assim, a Declaração da ONU não apenas redefine as bases para o turismo global, mas também posiciona o sector como um catalisador para o desenvolvimento sustentável e inclusivo, garantindo benefícios a longo prazo para as economias e o meio ambiente.
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