Mercados Globais Oscilam Entre Esperança Diplomática E Escalada Militar No Médio Oriente

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  • Novos ataques norte-americanos no Irão travam optimismo dos mercados sobre eventual acordo de paz, enquanto petróleo volta a subir e investidores regressam a activos de refúgio.
Questões-Chave:
  • Petróleo Brent voltou a aproximar-se dos 100 dólares por barril após novos ataques dos EUA no sul do Irão;
  • Mercados accionistas globais revelaram volatilidade perante dúvidas sobre um acordo rápido entre Washington e Teerão;
  • Investidores reforçaram procura por activos de refúgio, sustentando o dólar e estabilizando obrigações do Tesouro norte-americano;
  • Receios sobre inflação energética e manutenção de juros elevados continuam a pressionar perspectivas económicas globais.

Os mercados financeiros internacionais iniciaram a sessão desta terça-feira sob um ambiente de cautela acrescida, depois de novos ataques militares conduzidos pelos Estados Unidos no sul do Irão terem reduzido o optimismo em torno de um eventual acordo diplomático para pôr termo ao conflito que se arrasta há cerca de três meses no Médio Oriente.

Segundo avançou a agência Reuters, os ataques foram descritos por Washington como uma “acção defensiva”, ocorrendo precisamente no momento em que altos representantes iranianos se encontravam em Doha, no Qatar, envolvidos em conversações diplomáticas sobre um potencial entendimento com os Estados Unidos.

A reacção dos mercados foi imediata. O petróleo Brent subiu mais de 2% durante a sessão asiática, atingindo os 98,21 dólares por barril, num movimento que reflecte o receio de perturbações prolongadas no fornecimento energético global, sobretudo num contexto em que permanece indefinida a situação do Estreito de Ormuz — corredor estratégico por onde transita uma parte significativa do petróleo mundial.

Petróleo Volta Ao Centro Das Preocupações Inflacionistas

O agravamento das tensões recolocou o mercado petrolífero no centro das preocupações macroeconómicas globais, numa altura em que várias economias ainda tentam consolidar processos de desinflação iniciados após os choques inflacionistas dos últimos anos.

Joseph Capurso, estratega do Commonwealth Bank of Australia, citado pela Reuters, mostrou-se céptico quanto à possibilidade de um entendimento rápido entre Washington e Teerão, defendendo que o mercado ainda desconhece os contornos reais de qualquer eventual acordo.

“O mercado continua a ouvir que um acordo está próximo, mas o mais importante é perceber como será esse acordo e quando o Estreito de Ormuz poderá voltar a operar plenamente”, afirmou.

A persistência de preços elevados da energia surge, assim, como um factor adicional de pressão sobre bancos centrais, particularmente num contexto em que investidores receiam que choques petrolíferos prolongados possam reactivar pressões inflacionistas e obrigar autoridades monetárias a manter taxas de juro elevadas por mais tempo.

Bolsas Sem Direcção Clara Em Meio À Incerteza Geopolítica

Nos mercados accionistas, o sentimento revelou-se misto e marcado por elevada prudência.

O índice MSCI Ásia-Pacífico excluindo o Japão registou ganhos de 0,67%, enquanto o índice Nikkei do Japão recuou 0,14%. Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq e do S&P 500 mantiveram ganhos moderados, embora inferiores aos observados no início da sessão.

Na Europa, os futuros accionistas também oscilaram sem direcção definida, reflectindo a dificuldade dos investidores em avaliar se os desenvolvimentos diplomáticos poderão efectivamente conduzir a uma redução sustentável das tensões militares.

Capurso observou ainda que os mercados “querem acreditar que tudo terminará rapidamente”, sobretudo porque um prolongamento da guerra representa um risco crescente para a economia mundial, num contexto em que vários países já esgotaram parte importante das suas reservas e margens de amortecimento económico.

Dólar Recupera Procura Como Activo De Refúgio

No mercado cambial, o dólar voltou a beneficiar da procura típica por activos considerados seguros em períodos de instabilidade geopolítica.

Apesar de continuar abaixo do pico de seis semanas atingido na semana passada, a moeda norte-americana estabilizou frente às principais divisas internacionais. O euro recuou para 1,1633 dólares, enquanto a libra esterlina caiu para 1,3488 dólares.

A procura por títulos do Tesouro norte-americano também contribuiu para estabilizar o mercado obrigacionista, após as fortes perdas registadas na semana passada, motivadas pelos receios de inflação energética persistente.

O rendimento das obrigações norte-americanas a dois anos caiu para 4,0573%, enquanto a yield das obrigações a dez anos recuou para 4,5083%.

Eric Robertsen, director global de research do Standard Chartered, alertou, contudo, que os riscos inflacionistas e fiscais poderão revelar-se mais duradouros do que os alívios temporários associados a eventuais reduções das tensões geopolíticas.

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