
Moçambique pode perder acesso a financiamentos, caso não adopte uma abordagem para construções resiliente às alterações climáticas
- IFC apresenta o Building Resilience Index – BRI, que aponta o caminho da construção resiliente às alterações climáticas
- O impacto dos desastres naturais no mundo e em particular em Moçambique impõe a adopção de uma nova abordagem quando o assunto é construção. É que mais do que simples palavras ditas, ou leis escritas, é preciso sair da teoria para a prática. Garantir a resiliência das construções é também garantir a qualidade de vida das pessoas.
O International Finance Corporation – IFC, , apresentou, terça-feira, 12/12, Em Maputo, as principais conclusões do Relatório de Avaliação do Mercado de Edifícios Resilientes de Moçambique, concebido para ajudar os promotores locais a melhorar a resiliência climática dos edifícios, num país particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, incluindo ciclones, inundações e secas.
Vasco Nunes, Director Interino do IFC, em Moçambique, disse que o relatório constatou que Moçambique, que demonstra um elevado nível de sensibilização para os riscos climáticos, ainda não implementou plenamente os seus fortes quadros políticos e legais para edifícios resilientes.
Igualmente, o relatório constatou que o sector de construção em Moçambique pode ter dificuldades em aceder a financiamento e que os materiais de construção são em grande parte importados, factores que estão a dificultar o desenvolvimento, no País, de edifícios resilientes às alterações climáticas.
Os edifícios resilientes às alterações climáticas são aqueles concebidos e construídos para resistir e adaptar-se ao impacto das alterações climáticas e outros desafios ambientais, minimizando os danos e garantindo a sustentabilidade a longo prazo, indica o relatório hoje apresentado.
“Há um mercado promissor e uma necessidade urgente de construir edifícios resilientes em Moçambique e alguns segmentos dentro do sector da construção enfrentam desafios que planeamos abordar”, disse O Director Interino do IFC para Moçambique, na apresentação do estudo.
Mais ainda “Identificamos os primeiros a adoptar práticas de construções resilientes e engajamos parceiros com experiência com quem buscamos projectar com sucesso políticas, programas e produtos para melhorar os investimentos no sector da construção”.
O relatório de Moçambique foi composto usando o Building Resilience Index (BRI) do IFC [ em português Índice de Resiliência de Construção], um quadro de mapeamento de perigos e avaliação de resiliência para promotores, compradores de casas e outras partes interessadas que visa aumentar a resiliência urbana no ambiente construído contra os riscos naturais induzidos pelas alterações climáticas. Moçambique é o primeiro país da África Subsariana a beneficiar da iniciativa BRI.
O Quadro, que foi adoptado pela primeira vez pelas Filipinas, tem projectos activos no Vietnam, Colômbia e México.
Mocambique é indicado no relatório como um dos 10 países mais frágeis de África, em termos de clima. De 1950 a 2022, o seja em 72 anos o país registou 90 ciclones. Desde o ciclone em 2019 até ao Fred, ocorreram na pérola do índico 11 ciclones, o que corresponde a três ciclones por ano.
As cheias afectaram 9 milhões de pessoas em 49 anos em Moçambique. As províncias que mais sofreram são as situadas ao longo da costa como Inhambane, Beira, Quelimane e outras.
A Ordem dos Engenheiros de Moçambique afirma que em caso de sismo, a cidade de Maputo pode ser engolida porque não existe dimensionamento para sismo em Moçambique.
“Se se usar os regulamentos dispostos no país pode se ter edifícios resilientes”, disse Feliciano Dias.
Dias diz que não faz sentido falar-se de resiliência onde os alunos não têm salas de aulas ou carteiras. O bastonário sugere a valorização da mão-de-obra de local para responder positivamente às necessidades do país.
O relatório do Building Resilience Index foi apresentado em Maputo numa mesa-redonda que juntou decisores políticos, especialistas da indústria, empresas de construção, promotores internacionais, companhias de seguros e ONU Habitat.
O IFC é membro do Banco Mundial e maior instituição global de desenvolvimento voltada para o sector privado nos mercados emergentes.
Está em mais 100 países para criar mercados e oportunidades nos países em desenvolvimento.
Segundo dados da mesma entidade, no ano fiscal de 2023, o IFC alocou US$ 43,7 mil milhões para empresas privadas e instituições financeiras nesses países, alavancando assim o poder do sector privado para erradicar a pobreza extrema e aumentar a prosperidade compartilhada enquanto as economias enfrentam os impactos das crises globais.
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