
Moçambique Projecta Investimento De 80 Mil Milhões De Dólares Para Acelerar Transição Energética
O Governo moçambicano apresenta uma das mais ambiciosas metas da região para financiar a transição energética, reforçando o compromisso com o acesso universal à energia e com o desenvolvimento sustentável até 2030.
- O investimento previsto atinge 80 mil milhões de dólares para a Estratégia Nacional de Transição Energética;
- O Governo defende que “financiar o clima é financiar o desenvolvimento”;
- A Estratégia de Financiamento Climático 2025–2034 será instrumento central da nova arquitectura económica verde;
- Moçambique compromete-se com o acesso universal à energia até 2030;
- A CPLP adopta um Roteiro de Cooperação Energética 2030, centrado em planeamento, financiamento e aceleração das transições energéticas.
O Governo de Moçambique prevê um investimento de cerca de 80 mil milhões de dólares para implementar a Estratégia Nacional de Transição Energética, numa iniciativa que pretende reforçar o financiamento climático e acelerar o acesso universal à energia até 2030.
O anúncio foi feito por Albano Manjate, director nacional do Gabinete de Financiamento Climático do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, na abertura da V Semana de Energia e Clima da CPLP, que decorre de 20 a 24 de Outubro.
Transição Energética Como Pilar Do Desenvolvimento Económico
Ao intervir na sessão de abertura, Albano Manjate destacou a importância da mobilização de financiamento e da acção coordenada para o sucesso das políticas públicas no sector energético.
“Financiar o clima é financiar o desenvolvimento”, afirmou, sublinhando que a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034 será fundamental para apoiar a implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento.
O responsável referiu que o financiamento climático deve ser visto não apenas como um mecanismo ambiental, mas como um instrumento económico estruturante, capaz de sustentar a industrialização, a electrificação e o investimento sustentável.
Energia E Clima No Centro Da Agenda CPLP
A directora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, descreveu o encontro da CPLP como um momento crucial para alinhar as políticas dos países lusófonos num contexto em que o mundo atravessa uma transição energética global.
“Para os países da CPLP, a transição energética não é apenas uma exigência global, mas uma oportunidade estratégica para transformar as nossas economias, fortalecer a resiliência climática e melhorar a qualidade de vida das populações”, afirmou.
Mataveia sublinhou que Moçambique tem vindo a reforçar o sector energético com planeamento e investimentos sustentáveis, destacando marcos como a Lei da Electricidade (2022), a Estratégia de Transição Energética (2023), a Estratégia de Eficiência Energética e o Compacto de Energia no âmbito da Missão 300, que visa atingir acesso universal à electricidade até 2030.
Planeamento, Regulamentação E Infraestruturas Resilientes
Segundo a directora nacional, o país está na fase adiantada de elaboração do regulamento das concessões e da taxa de acesso universal, instrumentos essenciais para operacionalizar o novo modelo de expansão eléctrica.
“Estamos a desenvolver o sector de energia com infra-estruturas que resistam às mudanças climáticas, discutindo planeamento e financiamento num contexto em que pretendemos o acesso universal em 2030”, explicou.
Mataveia acrescentou que o Governo dispõe de instrumentos de planificação robustos, como a Estratégia Nacional de Electrificação, o Compacto de Energia e a revisão do Plano Director de Infraestruturas Eléctricas, que permitem identificar prioridades e atrair financiamento internacional para projectos estruturantes.
Aposta Em Energias Renováveis E Soluções Fora Da Rede
Uma das prioridades destacadas é o reforço das soluções off-grid, com foco nas energias renováveis descentralizadas, particularmente em zonas rurais e remotas.
Nos últimos anos, estima-se que as soluções fora da rede representem já cerca de 10% da taxa de acesso, contribuindo para tornar a energia mais acessível e inclusiva.
“Temos vários recursos energéticos, renováveis e não renováveis, e estamos empenhados em levar energia aos principais centros de consumo”, disse Mataveia, frisando o equilíbrio entre expansão da oferta e sustentabilidade ambiental.
CPLP Reforça Cooperação E Mobilização De Financiamento
A presidente da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER), Mayra Pereira, apresentou o Roteiro de Cooperação 2030, o primeiro instrumento de visão comum em matéria de energia e clima no espaço lusófono.
O documento assenta em quatro eixos prioritários: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização de financiamento e aceleração das transições energéticas.
“Mais do que um documento técnico, o roteiro é o resultado de um alinhamento político e estratégico entre os países unidos pela língua e pela ambição de um futuro sustentável”, sublinhou.
Economia Verde E Desafios De Financiamento Sustentável
Apesar da ambição do plano, o desafio do financiamento climático sustentável continua a ser central.
Moçambique, como outros países africanos, enfrenta limitações de liquidez e de acesso a mecanismos de financiamento internacional, o que exige parcerias público-privadas inovadoras e estruturas de crédito climático adequadas ao contexto nacional.
Analistas consultados pelo O.Económico defendem que, ao projectar 80 mil milhões de dólares de investimento, Moçambique sinaliza a maturidade da sua visão económica verde e a integração da política energética na agenda de desenvolvimento, transformando a transição energética num motor de crescimento e de transformação estrutural.
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