
Moody’s corta a perspectiva dos EUA para negativa, citando défices e polarização política
- A Moody’s Investors Service baixou a perspectiva da notação do governo dos Estados Unidos de estável para negativa, apontando para riscos crescentes para a solidez fiscal do país.
- A agência de notação confirmou a notação do emitente a longo prazo e a notação sénior sem garantia dos EUA em Aaa.
- A decisão da Moody’s de reduzir a sua perspectiva surge numa altura em que o Congresso enfrenta novamente a ameaça de um encerramento do governo. O governo tem financiamento até à próxima sexta-feira, 17 de Novembro.
- O recém-eleito Presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, disse que tencionava apresentar um plano republicano de financiamento do Governo no sábado, 11 de Novembro.
A agência de notação Moody’s Investors Service baixou na sexta-feira, 10 de Novembro, a sua perspectiva de notação dos Estados Unidos de estável para negativa, apontando para riscos crescentes para a solidez fiscal do país.
A agência de notação confirmou as notações do emitente a longo prazo e do emitente sénior sem garantia dos EUA em Aaa.
“No contexto de taxas de juro mais elevadas, sem medidas eficazes de política orçamental para reduzir as despesas públicas ou aumentar as receitas”, afirmou a agência. “A Moody’s prevê que os défices orçamentais dos EUA continuem a ser muito elevados, o que enfraquecerá significativamente a acessibilidade da dívida”. Acrescentou.
A falta de vontade política em Washington também tem sido um factor que contribui para a situação, disse a Moody’s.
“A contínua polarização política no Congresso dos EUA aumenta o risco de que os sucessivos governos não consigam chegar a um consenso sobre um plano fiscal para abrandar o declínio da capacidade de pagamento da dívida”, disse a agência de notação.
Quanto à manutenção da classificação do País em Aaa, a Moody’s disse que espera que os EUA “mantenham a sua força económica excepcional”. “Outras surpresas positivas de crescimento a médio prazo poderiam, pelo menos, abrandar a deterioração da acessibilidade da dívida”, afirmou a agência.
“Embora a declaração da Moody’s mantenha a notação Aaa dos Estados Unidos, discordamos da mudança para uma perspectiva negativa”, afirmou o Secretário Adjunto do Tesouro, Wally Adeyemo, num comunicado. “A economia americana continua forte e os títulos do Tesouro são o principal activo seguro e líquido do mundo”.
A decisão da Moody’s de reduzir as suas perspectivas surge numa altura em que o Congresso enfrenta novamente a ameaça de um encerramento do governo. Por enquanto, o governo está financiado até 17 de Novembro, mas os legisladores em Washington continuam em desacordo sobre um projecto de lei antes do prazo.
O recém-eleito presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson indicou que vai divulgar um plano republicano de financiamento do governo no sábado, 11 de Novembro, o que daria tempo aos deputados para o lerem antes da votação da medida, prevista para terça-feira, 14 de Novembro.
Mas, dizem analistas, o seu plano para financiar certas áreas do Governo até 7 de Dezembro, e outras até 19 de Janeiro, conhecido como uma resolução contínua em escada, ou CR, está morto à chegada à Casa Branca e ao Senado, controlado pelos democratas.
“A decisão da Moody’s de alterar a perspectiva dos EUA é mais uma consequência do extremismo e da disfunção dos republicanos do Congresso”, afirmou a Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, num comunicado.
Em Agosto, a Fitch reduziu de AAA para AA+ a notação de risco de incumprimento do emitente de moeda estrangeira a longo prazo dos EUA, citando “a deterioração fiscal prevista para os próximos três anos”, bem como a erosão da governação e o aumento do peso da dívida.
As disputas em Washington também foram um problema. “Os repetidos impasses políticos em torno do limite da dívida e as resoluções de última hora minaram a confiança na gestão orçamental”, afirmou a Fitch na altura.
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