Moody’s eleva perspectiva de crédito da Nigéria para positiva, justifica com os progressos das reformas

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  • A empresa cita a desvalorização da moeda e a supressão de subsídios
  • A notação do país foi confirmada em Caa1 devido à fraca situação orçamental

A perspectiva de crédito da Nigéria foi elevada para positiva pela Moody’s Investors Service, à medida que a nação toma medidas para melhorar a sua situação fiscal e reforçar as reservas estrangeiras.

A perspectiva de crédito foi alterada de estável para positiva, de acordo com um comunicado de sexta-feira, 08 de Dezembro. A Moody’s citou as medidas tomadas pelo Governo, incluindo a desvalorização da naira e a eliminação da maior parte dos subsídios ao petróleo.

“A perspectiva positiva reflecte a possível inversão da deterioração da situação fiscal e externa da Nigéria em resultado dos esforços de reforma das autoridades”, escreveram os analistas Lucie Villa e Matt Robinson.

A agência fixou a notação da Nigéria em Caa1, sete níveis acima de “lixo”, devido às posições orçamental e externa “ainda fracas”. Segundo a Moody’s, as reformas podem não ser suficientes para melhorar o seu perfil de crédito.

No mês passado, o Presidente do banco central nigeriano, Olayemi Cardoso, prometeu conter a inflação e estabilizar a moeda nacional, declarando que os decisores políticos irão liquidar os contratos de câmbio a prazo que têm pesado sobre a naira.

A forte procura da moeda americana contribuiu para a queda de 40% do valor do naira em relação ao dólar desde que o Presidente Bola Tinubu aliviou os controlos cambiais em junho.

Desde que assumiu a liderança do País, em 29 de Maio, Tinubu aboliu o pagamento do dispendioso subsídio aos combustíveis, numa tentativa de transformar uma economia em dificuldades para atrair investimentos e conseguir um crescimento superior a 6% nos próximos anos. A última vez que a Nigéria atingiu essa taxa de crescimento foi em 2014.

As dolorosas reformas contribuíram para o aumento da inflação, que atingiu, em Outubro, um máximo de 18 anos, mas ainda não contribuíram muito para aumentar o crescimento. O produto interno bruto registou uma expansão de 2,54% nos três meses até Setembro em relação ao ano anterior, em comparação com um crescimento de 2,51% no trimestre anterior.

Prevê-se que, no próximo ano, a Nigéria gaste pelo menos seis vezes mais com o serviço da dívida do que com a construção de novas escolas ou hospitais no país. Mais de 40% da população vive em condições de pobreza extrema.

Antes da publicação do relatório da Moody’s, Ibukunoluwa Omoyeni, economista da Vetiva Research, disse que a empresa de notação poderia considerar favoravelmente as pequenas recuperações na produção de petróleo, os projectos de refinação e as reformas no mercado cambial, mas que não via com bons olhos os baixos níveis de reservas líquidas.

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