
MWC25 Kigali Abre com Apelo a Reformas Políticas Para Acelerar a Transformação Digital de África
O GSMA alerta para a necessidade de políticas públicas que promovam acessibilidade de dispositivos, inclusão linguística na inteligência artificial e resiliência energética, como pilares do futuro digital africano.
- O MWC25 Kigali é a edição africana do Mobile World Congress, o maior evento mundial de telecomunicações e tecnologia;
- O GSMA defende reformas políticas em três eixos: acessibilidade de dispositivos, IA inclusiva e resiliência energética;
- O sector móvel contribuiu com 220 mil milhões de dólares (7,7% do PIB) para a economia africana em 2024;
- A penetração da internet móvel deverá crescer de 416 milhões para 576 milhões de utilizadores até 2030;
- O evento, presidido por Paul Kagame, marca o lançamento do Programa Ministerial do GSMA e novas iniciativas regionais de inclusão digital.
O MWC25 Kigali abriu esta segunda-feira, 21 de Outubro, com um apelo a reformas políticas urgentes para acelerar a transformação digital de África. Organizado pelo GSMA, o evento reúne líderes da indústria, decisores políticos e inovadores para discutir como a tecnologia móvel pode estimular o crescimento inclusivo e impulsionar o futuro digital do continente.
O Que é o MWC25 Kigali
O MWC25 Kigali (Mobile World Congress 2025 – Kigali) é a edição africana do maior evento mundial dedicado à indústria móvel e tecnológica, organizado anualmente pela GSMA (Global System for Mobile Communications Association).
Realizado em Kigali, capital do Ruanda, o MWC25 funciona como o principal fórum africano de políticas digitais, investimento e inovação tecnológica, reunindo governos, reguladores, operadoras de telecomunicações, empresas tecnológicas globais e instituições de desenvolvimento.
Sob o lema “Transformar África Digitalmente”, o encontro visa promover a inclusão digital, fortalecer a infraestrutura tecnológica, acelerar a transição para 5G, e estimular parcerias público-privadas que sustentem o crescimento económico e a integração digital do continente.
Agenda Política e Prioridades Estruturais
Na cerimónia de abertura, o Director-Geral do GSMA, Vivek Badrinath, destacou três prioridades imediatas para os governos africanos:
- Acessibilidade de dispositivos móveis,
- Inclusão linguística nos modelos de IA, e
- Resiliência energética.
“O sector móvel africano é um dos mais dinâmicos do mundo, mas persistem barreiras significativas — desde o custo dos dispositivos e a falta de energia estável até à ausência de uma IA verdadeiramente inclusiva. Com cooperação entre governos, indústria e parceiros de desenvolvimento, podemos tornar a inclusão digital acessível e significativa para todos os africanos”, afirmou Badrinath.
Economia Digital: Crescimento e Investimento
Segundo o relatório GSMA Mobile Economy Africa 2025, o sector móvel contribuiu com 220 mil milhões de dólares em 2024, representando 7,7% do PIB africano, e deverá atingir 270 mil milhões (7,4%) até 2030.
O ecossistema criou 8 milhões de empregos e 30 mil milhões de dólares em receitas fiscais. Actualmente, 416 milhões de africanos utilizam a internet móvel — número que deverá crescer para 576 milhões até 2030, impulsionado pela expansão das redes 4G (45%→54%) e 5G (2%→21%).
As operadoras planeiam investir 77 mil milhões de dólares em novas infra-estruturas entre 2024 e 2030, consolidando o sector como motor de crescimento e inovação tecnológica.
Inclusão Digital e Acessibilidade de Dispositivos
Um dos principais anúncios do MWC25 Kigali foi a Coligação para Acessibilidade de Aparelhos Telefónicos, lançada pelo GSMA em parceria com seis das maiores operadoras africanas — Airtel, Axian Telecom, Ethio Telecom, MTN, Orange e Vodacom.
A iniciativa pretende reduzir o custo dos smartphones 4G de entrada, promovendo maior conectividade e inclusão digital. Um caso emblemático citado foi o da África do Sul, onde o governo aboliu uma taxa de 9% sobre smartphones básicos, medida que ampliou a base de utilizadores de internet móvel.
IA Inclusiva: “Por África, Para África”
A Inteligência Artificial foi outro ponto de destaque. O GSMA anunciou um programa continental para o desenvolvimento de modelos de linguagem africanos, em parceria com empresas tecnológicas e centros de investigação.
Denominada “IA em África, por África, para África”, a iniciativa visa reduzir lacunas de dados, computação e talento, assegurando a representação das línguas e culturas africanas no ecossistema digital global. Entre os parceiros figuram Airtel, Cassava Technologies, Masakhane Hub, Lelapa AI, Pawa AI, Qhala e o World Sandbox Alliance.
Energia e Infra-estrutura: Pré-requisito da Transformação Digital
A resiliência energética surge como factor determinante para a inclusão digital. De acordo com o GSMA, mais de 80% da população mundial sem acesso à electricidade vive em África, o que limita o impacto económico da conectividade e das novas tecnologias.
O recém-criado Programa Ministerial do GSMA procura alinhar políticas de energia e telecomunicações, incentivando o uso de energias renováveis e o investimento em redes sustentáveis.
“Sem energia fiável, a inclusão digital não é possível. A transformação digital de África requer políticas coordenadas entre energia e telecomunicações”, sublinhou Angela Wamola, directora do GSMA para África.
Kigali: Plataforma de Diálogo e Cooperação Regional
O evento foi inaugurado pelo Presidente Paul Kagame, que preside o MWC Kigali pelo terceiro ano consecutivo. A agenda inclui painéis de alto nível sobre regulação digital, financiamento tecnológico, IA, telecomunicações e inovação.
Com a presença de ministros, reguladores, operadores e investidores, o MWC25 Kigali consolida-se como a principal plataforma africana para debater políticas públicas, impulsionar o investimento tecnológico e delinear a arquitectura digital do continente.
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