
NEXUM Liga Jovens Empreendedores A Investidores Com Meta De Alcançar 2.000 Jovens
Conferência reúne cerca de 300 participantes em Maputo, nos dias 1 e 2 de Outubro, colocando jovens empreendedores frente a frente com empresários e investidores de vários mercados africanos. Iniciativa terá duração de cinco anos e procura transformar ideias e soluções inovadoras em negócios sustentáveis.
- NEXUM reúne cerca de 300 participantes para discutir financiamento, inovação, empreendedorismo e liderança juvenil;
- Projecto de cinco anos estabelece como meta alcançar directamente pelo menos 2.000 jovens;
- Investidores e empresários de Moçambique, Nigéria, Gana, Quénia, Angola, Sudão do Sul, Zimbabwe e África do Sul deverão participar no encontro;
- Cerca de dois milhões de meticais foram mobilizados para logística e premiação, enquanto a conferência procura aproximar iniciativas juvenis de potenciais fontes de capital.
O acesso ao financiamento para transformar ideias em empresas sustentáveis estará no centro da Conferência NEXUM de Inovação e Liderança Juvenil, que deverá reunir cerca de 300 participantes nos dias 1 e 2 de Outubro, em Maputo, numa iniciativa destinada a aproximar jovens empreendedores de investidores, empresários e outros actores com capacidade para apoiar o desenvolvimento dos seus negócios.
Organizada pela AMJIGE, em parceria com a Ser+, a conferência constitui a primeira etapa de um projecto previsto para cinco anos, com a meta de alcançar directamente pelo menos 2.000 jovens.
A proposta procura ultrapassar o formato convencional dos encontros dedicados ao empreendedorismo juvenil. Em vez de colocar os jovens essencialmente na posição de participantes, a organização pretende criar espaços onde possam apresentar negócios, soluções tecnológicas, iniciativas agrícolas e outros projectos directamente a potenciais financiadores.
“Onde está o dinheiro?” é a provocação escolhida para orientar a discussão sobre um dos principais constrangimentos enfrentados pelos jovens que procuram transformar iniciativas empresariais em actividades economicamente sustentáveis. Segundo a organização, persistem dificuldades de acesso a crédito, investimento, mercados e espaços de decisão.
Jovens Vão Apresentar Negócios Directamente A Investidores
A directora executiva da AMJIGE, Francisca Noronha, explica que a configuração da NEXUM procura estabelecer contacto directo entre quem dispõe de uma iniciativa empresarial e quem possui capacidade de financiamento.
“O jovem estará deste lado, a apresentar a sua iniciativa, a discutir com o investidor”, explicou, apontando a aproximação entre capital e empreendedor como uma das condições para que uma ideia possa evoluir para um negócio.
A organização prevê a participação de empresários nacionais ligados à CTA e a outras organizações, assim como investidores provenientes da Nigéria, Gana, Quénia, Angola, Sudão do Sul, Zimbabwe e África do Sul.
A diversidade geográfica dos participantes poderá ampliar a exposição dos empreendedores moçambicanos a diferentes experiências empresariais, potenciais fontes de capital e mercados africanos.
A aproximação aos investidores ganha particular relevância porque a existência de uma ideia ou solução inovadora não significa, por si só, que exista um negócio financiável. Capacidade de demonstrar mercado, receitas potenciais, sustentabilidade, modelo de negócio e possibilidade de expansão são factores determinantes para transformar inovação em investimento.
Dois Milhões De Meticais Suportam Logística E Premiação
A primeira edição da conferência conta actualmente com cerca de dois milhões de meticais mobilizados para suportar a logística e a componente de premiação das iniciativas inovadoras que mais se destacarem.
O montante não corresponde, portanto, a um fundo de financiamento disponível para os participantes. Francisca Noronha esclarece igualmente que o valor não representa a totalidade dos apoios mobilizados, uma vez que alguns parceiros contribuem através de equipamentos, serviços e outros meios não financeiros.
Entre as organizações mencionadas encontra-se a Ajuda Popular da Noruega, além de parceiros estratégicos nacionais.
A componente de premiação deverá funcionar como incentivo à continuidade das iniciativas seleccionadas. Para Sílvia Panguana, directora executiva da Ser+, os prémios não devem ser encarados apenas como distinções, mas como instrumentos para permitir que os jovens prossigam o desenvolvimento dos seus projectos e estimular novas iniciativas empresariais.
Prémio Jovem Inovador Leva Projectos A Painel De Avaliação
Um dos momentos previstos na NEXUM será o Prémio Jovem Inovador, através do qual jovens empreendedores deverão apresentar e defender as suas ideias perante um painel.
A organização refere a existência, em Moçambique, de iniciativas juvenis que abrangem protótipos tecnológicos, aeronaves não tripuladas, soluções de mobilidade e outros empreendimentos. Parte deste potencial, considera, permanece limitada pela reduzida visibilidade e pela dificuldade de estabelecer ligações com fontes de capital.
“Os jovens têm ideias, têm coragem, têm talento e têm planos claros”, afirmou Francisca Noronha, defendendo que a capacidade criativa precisa de ser acompanhada por mecanismos que permitam financiar e ampliar as iniciativas.
A abordagem desloca parte da discussão sobre emprego juvenil para a capacidade dos próprios jovens de constituírem empresas, desenvolverem serviços e criarem oportunidades de trabalho.
Informalidade Condiciona A Relação Entre Pequenos Negócios E Capital
A conferência deverá igualmente abordar o peso da economia informal na actividade económica dos jovens.
A AMJIGE chama atenção para a necessidade de distinguir informalidade de ilegalidade, observando que uma parte dos jovens já exerce actividades económicas que constituem fontes de rendimento para as respectivas famílias, embora os negócios não estejam necessariamente formalizados.
Mototaxistas, agentes de carteira móvel, técnicos de reparação de equipamentos, pequenos comerciantes e jovens envolvidos em startups estão entre os exemplos identificados pela organização.
Compreender estes segmentos é considerado fundamental para desenhar mecanismos de financiamento e capacitação ajustados às condições em que os jovens efectivamente desenvolvem actividade económica.
A formalização assume igualmente importância na relação com potenciais financiadores. À medida que um pequeno negócio procura crescer e captar capital, tornam-se relevantes factores como organização financeira, demonstração de receitas, conhecimento do mercado e capacidade de apresentar um modelo empresarial sustentável.
Mercado E Receitas Determinam Sustentabilidade Dos Projectos
A sustentabilidade das iniciativas constitui outro eixo da abordagem. Para a AMJIGE, disponibilizar financiamento sem avaliar a viabilidade económica do projecto pode não ser suficiente para assegurar a continuidade do negócio.
A avaliação deverá considerar a existência de mercado, capacidade para gerar receitas, possibilidade de expansão e condições para que a actividade continue depois do apoio inicial.
A organização aponta experiências anteriores em programas de auto-emprego, incluindo formação de jovens e raparigas em reparação de computadores e telemóveis. Entre os exemplos apresentados encontra-se uma oficina instalada no Mercado Estrela e dirigida por mulheres.
A lógica consiste em fazer com que os beneficiários não sejam apenas receptores de formação ou equipamentos. A expectativa é que possam prestar serviços remunerados e posteriormente transmitir competências a outros jovens, reduzindo custos de formação e ampliando a cadeia de transmissão de conhecimento.
A existência de procura pelos serviços é considerada determinante. Actividades que respondam a necessidades recorrentes das comunidades apresentam melhores condições para gerar receitas e continuar a funcionar depois da fase inicial de apoio.
Projecto Prevê Cinco Anos E Pelo Menos 2.000 Beneficiários Directos
A conferência de Outubro deverá inaugurar um ciclo de cinco anos, com sucessivas edições e aperfeiçoamento do modelo a partir da experiência acumulada em cada etapa.
A meta estabelecida pela organização é alcançar directamente pelo menos 2.000 jovens durante o período de implementação.
A primeira edição deverá reunir aproximadamente 300 participantes, entre jovens empreendedores, estudantes, empresários, investidores, académicos, organizações da sociedade civil e outros actores ligados ao desenvolvimento económico.
A presença de investidores e empresários de diferentes países africanos acrescenta uma dimensão regional à iniciativa. Para os jovens participantes, a proposta é fazer com que a conferência não termine no debate: a NEXUM pretende estabelecer ligações entre projectos, capital e mercados, criando condições para que iniciativas juvenis possam evoluir para negócios capazes de gerar receitas, crescer e criar emprego.
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