
Nigéria e África do Sul podem entrar em recessão este ano
A Oxford Economics considera que a Nigéria e a África do Sul as duas maiores economias da África Subsaariana, podem entrar em recessão este ano, com o Senegal e o Ruanda a registarem os maiores crescimentos.
“A capacidade das economias africanas lidarem com as fraquezas actuais difere profundamente; os maiores crescimentos deverão ser registados no Senegal e no Ruanda e, pelo contrário, as fragilidades internas podem muito bem originar uma contracção do Produto Interno Bruto (PIB) na África do Sul e na Nigéria este ano”, dizem os analistas do departamento africano da Oxford Economics.
Numa análise sobre a evolução económica das principais economias africanas, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, citado pelo jornal “Noticias”, a Oxford Economics África salienta que a elevada dívida pública vai continuar a ser um “tópico quente” em 2023, antevendo que o Gana, a Etiópia e a Tunísia possam começar as conversações para uma reestruturação da dívida.
“Vários países africanos têm iniciado discussões sobre a restruturação da dívida ou pediram um alívio da dívida, no seguimento do aumento das probabilidades de incumprimento financeiro”, apontam os analistas, lembrando que “a maioria dos países africanos sofreu uma deterioração na opinião das agências de “rating” sobre a qualidade do crédito soberano”, como foi o caso mais recente do Gana.
O contexto global desafiante “significa que o crescimento em toda a África Subsaariana deverá abrandar em 2023, e por muito mais do que a maioria espera; as taxas de câmbio dever-se-ão desvalorizar e os receios sobre a dívida pública vão crescer, especialmente com o reaparecimento de riscos políticos”, escrevem os analistas.
A Oxford Eccnomics Africa considera também que apesar da inflação a nível global dever “recuar significativamente” este ano devido à descida dos preços das matérias-primas, abrandamento do crescimento mundial e melhoria nos constrangimentos das cadeias de abastecimento global, “deverá haver um ritmo menor na descida da inflação em África, em parle, devido à depreciação das moedas”, podendo haver também uma subida das taxas de juro decretada pelos bancos centrais.
A degradação das condições económicas mundiais já Linha levado o Fundo Monetário Internacional (FMI), logo em Outubro, a reduzir a previsão de crescimento das economias da África Subsaariana para 3,7% este ano, antevendo que o ano de 2022 tenha terminado com uma inflação média de 14,4%.
“Na África Subsaariana, a perspectiva de crescimento é ligeiramente pior que a previsão de Julho, com um declínio, de 4,7% em 2021, para 3,6°/4 e 3,7% em 2022 e 2023, respectivamente, o que representa revisões em baixa de 0,2 e 03 pontos percentuais”, lê-se no relatório sobre as Previsões Económicas Mundiais, divulgado em Washington no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial.
Esta revisão cm baixa “reflecte o crescimento mais baixo dos parceiros comerciais, as condições financeiras e monetárias mais restritivas e uma mudança negativa nos Lermos do comércio das matérias-primas”, acrescentam os economistas do FMI, que estimam o abrandamento para 2,7% no crescimento mundial este ano.
A subida dos preços levou os bancos centrais a nível mundial a aumentarem as taxas de juro desde finais do ano passado, o que para os países africanos tem um efeito duplamente negativo, já que a maior parte da divida externa é emitida em dólares, tornando-a automaticamente mais cara em caso de aumento das taxas de juro por parle dos bancos centrais.












