Novo Centro Tecnológico De Petróleo e Gás Marca Aposta Estratégica Na Formação De Quadros Moçambicanos

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  • Projecto financiado pelos parceiros do Rovuma LNG deverá iniciar formação em 2028 e é apresentado como investimento estruturante para o conteúdo local e para a transformação da indústria energética nacional.
Questões-Chave:
  • Centro Tecnológico de Moçambique será construído no Zimpeto com investimento estimado em 40 milhões de dólares;
  • Formação em petróleo e gás deverá arrancar no primeiro trimestre de 2028;
  • Infra-estrutura terá capacidade inicial para 250 formandos;
  • ExxonMobil considera iniciativa uma “vitória” para o conteúdo local em Moçambique;
  • Projecto visa reduzir dependência de formação no exterior e fortalecer capital humano nacional para a indústria de LNG.

Moçambique deu esta semana mais um passo relevante no processo de consolidação da sua estratégia de conteúdo local e desenvolvimento de capital humano para a indústria de petróleo e gás, com o lançamento da primeira pedra do Centro Tecnológico de Moçambique (CTM), uma infra-estrutura que deverá assumir um papel central na formação de quadros nacionais para os megaprojectos de gás natural em curso no país.

A cerimónia decorreu no Zimpeto, arredores da cidade de Maputo, e contou com a presença do Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e dos parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, incluindo a ExxonMobil.

Segundo informações avançadas durante o evento, o centro tecnológico deverá iniciar actividades no primeiro trimestre de 2028, numa primeira fase com capacidade para formar cerca de 250 técnicos e engenheiros ligados à indústria petrolífera.

O empreendimento, avaliado em aproximadamente 40 milhões de dólares, será erguido junto ao Estádio Nacional do Zimpeto e surge como parte da estratégia associada ao desenvolvimento do projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil na Área 4 da Bacia do Rovuma.

Durante a cerimónia, o representante da ENH, Nelson Cossa, explicou que, embora numa primeira fase o centro esteja direccionado para responder às necessidades do projecto Rovuma LNG, a infra-estrutura será igualmente aberta a outros moçambicanos interessados em ingressar na indústria petrolífera nacional.

“Numa primeira fase vai servir aos parceiros da Área 4, no âmbito do desenvolvimento do projecto Rovuma LNG, porém estará aberto para que outros moçambicanos interessados em querer fazer parte da indústria petrolífera usufruam deste centro para se capacitar e prestar serviços à indústria petrolífera”, afirmou.

A criação do CTM ocorre num momento em que Moçambique procura reforçar a componente nacional na cadeia de valor do gás natural, numa altura em que os grandes projectos de LNG caminham gradualmente para fases mais intensivas em engenharia, operação, manutenção e serviços especializados.

O discurso em torno do conteúdo local tem vindo precisamente a evoluir de uma abordagem predominantemente centrada em fornecimento de bens e serviços para uma perspectiva mais estrutural, ligada à formação técnica, retenção de competências e desenvolvimento de mão-de-obra altamente qualificada.

Nesse contexto, a ExxonMobil classificou o arranque da construção do centro como um marco relevante para o conteúdo local em Moçambique.

“Este é um dia de vitória para o conteúdo local em Moçambique”, afirmou o director-geral da ExxonMobil em Moçambique, Arne Gibbs, acrescentando que o centro representa “um exemplo magnífico sobre os win-win que podemos encontrar entre as empresas estrangeiras e o Governo de Moçambique”.

O responsável destacou ainda que a formação local de técnicos e engenheiros representa ganhos tanto para as empresas quanto para o país, reduzindo custos associados à formação no estrangeiro e permitindo maior eficiência operacional. “Para nós é mais barato, são menos custos, mas também é bom para Moçambique”, declarou.

A iniciativa surge igualmente num momento particularmente importante para a indústria de gás natural moçambicana, que atravessa uma nova fase de aceleração.

Após vários anos marcados por atrasos, desafios de segurança e incertezas sobre os calendários de investimento, os principais projectos da Bacia do Rovuma começam gradualmente a ganhar nova dinâmica.

O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, retomou oficialmente actividades após quatro anos de suspensão devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado e prevê capacidade de produção de até 13 milhões de toneladas por ano a partir de 2029.

Já o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, prevê uma capacidade de produção estimada em 18 milhões de toneladas por ano após 2030, estando a decisão final de investimento esperada ainda este ano.

Paralelamente, o projecto Coral Sul, liderado pela Eni, permanece actualmente como o único em operação no país desde 2022, enquanto o projecto Coral Norte recebeu aprovação de investimento para duplicar a produção de gás natural liquefeito a partir de 2028.

Do ponto de vista estratégico, o novo centro tecnológico procura responder a uma das principais fragilidades historicamente identificadas no sector extractivo moçambicano: a limitada capacidade nacional de absorção técnica e tecnológica em segmentos especializados da indústria energética.

A aposta na formação local poderá igualmente contribuir para reduzir assimetrias regionais, ampliar oportunidades para jovens moçambicanos e aumentar a participação nacional em empregos de maior valor acrescentado associados ao LNG.

Contudo, analistas consideram que o verdadeiro impacto do conteúdo local dependerá não apenas da criação de infra-estruturas de formação, mas também da existência de políticas consistentes de integração industrial, retenção de talento, transferência efectiva de conhecimento e articulação entre o sistema educativo e as necessidades concretas da indústria.

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