
MPDC Investe 67 Milhões de Meticais em Pessene e Reitera Educação no Centro do Desenvolvimento
- Nova escola secundária, com capacidade para mais de mil alunos em dois turnos, traduz o crescimento da infra-estrutura portuária em investimento no capital humano. Num país onde limitações de qualificações continuam a condicionar a produtividade e a transformação económica, investir em educação representa mais do que responsabilidade social: é criar capacidade produtiva para o futuro.
- A MPDC vai investir cerca de 67 milhões de meticais, excluindo o mobiliário, na construção da Escola Secundária de Pessene, no distrito da Moamba.
- A infra-estrutura terá 10 salas de aula e capacidade para cerca de 539 alunos por turno, permitindo beneficiar mais de mil estudantes em dois turnos.
- O projecto inclui uma área para actividades agro-pecuárias, associando aprendizagem escolar à aquisição de competências práticas.
- O investimento reduz uma barreira concreta ao acesso ao ensino secundário: as longas distâncias actualmente percorridas pelos jovens das comunidades de Pessene e arredores.
- A relevância económica do projecto ultrapassa a construção física da escola: a educação aumenta as qualificações, a produtividade, a empregabilidade e a capacidade de uma economia gerar rendimentos mais elevados.
A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) vai investir cerca de 67 milhões de meticais na construção da Escola Secundária de Pessene, na província de Maputo, num projecto que coloca em evidência uma dimensão frequentemente subestimada do investimento empresarial: a formação do capital humano.
A primeira pedra foi lançada pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela. Com um período previsto de construção de nove meses, a escola deverá dispor de 10 salas de aula, bloco administrativo, bloco multiuso, sistema de abastecimento de água, dois blocos sanitários, campo polivalente e muro de vedação. A capacidade estimada é de 539 estudantes por turno, ultrapassando os mil alunos quando funcionar em dois turnos.
Mas o significado económico do investimento ultrapassa os números da empreitada.
Uma Escola Também É Infra-Estrutura Económica
Estradas, portos, caminhos-de-ferro, energia e telecomunicações são normalmente classificados como infra-estruturas indispensáveis ao crescimento. A educação deve ser entendida na mesma lógica.
Uma economia pode dispor de recursos naturais, corredores logísticos eficientes e grandes projectos de investimento, mas a sua capacidade de transformar esses activos em produtividade, inovação, melhores empregos e rendimentos depende, em grande medida, da qualidade do seu capital humano.
O Banco Mundial identifica precisamente as limitações do capital humano entre os factores que restringem a produtividade, o investimento privado e a transformação estrutural de Moçambique. O indicador de capital humano do País situa-se em 0,36, num contexto marcado igualmente por escassez de competências e dificuldades de acesso ao mercado de trabalho.
É neste quadro que os 67 milhões de meticais aplicados em Pessene ganham uma dimensão que vai além da responsabilidade social empresarial.
O investimento cria uma escola, mas procura igualmente criar condições para que centenas de jovens acumulem um dos activos económicos mais importantes que poderão possuir ao longo da vida: conhecimento e competências.
Educação Produz Retornos Que Ultrapassam a Sala de Aula
A teoria do capital humano, associada a economistas como Theodore Schultz e Gary Becker, ajuda a compreender esta relação: educação não representa apenas consumo social ou despesa pública. Constitui investimento porque aumenta a capacidade produtiva das pessoas e, por essa via, o potencial produtivo das economias.
Estudos reunidos pelo Banco Mundial mostram que, em média, um ano adicional de escolaridade está associado a um aumento próximo de 9% a 10% nos rendimentos individuais, sendo os retornos particularmente elevados nas economias de menor rendimento.
Há ainda uma relação mais ampla entre educação, emprego e pobreza. Numa análise específica sobre investimento em capital humano em Moçambique, o Banco Mundial concluiu que níveis mais elevados de educação estão associados a uma maior probabilidade de emprego remunerado e de participação em sectores mais produtivos, enquanto anos adicionais de escolaridade reduzem a probabilidade de permanência abaixo da linha da pobreza.
Por isso, quando uma empresa investe numa escola numa comunidade onde desenvolve a sua actividade, o retorno social pode ocorrer muito depois de terminada a construção: através de trabalhadores mais qualificados, famílias com maior rendimento, jovens com mais alternativas profissionais e comunidades economicamente mais resilientes.
Reduzir Distâncias É Também Alargar Oportunidades
A localização da Escola Secundária de Pessene assume particular importância.
Segundo a informação da MPDC, muitos jovens da região percorrem actualmente longas distâncias para frequentar o ensino secundário. A nova escola deverá servir Pessene e várias comunidades circundantes, aproximando fisicamente a oferta educativa das famílias.
Essa redução da distância tem uma leitura económica. Quanto maiores forem o tempo e os custos necessários para chegar à escola, maior tende a ser o custo efectivo da educação para as famílias, particularmente para agregados de baixos rendimentos.
A construção de uma escola mais próxima reduz essa barreira e pode melhorar as condições de permanência dos alunos no sistema educativo.
O desafio continua significativo. O Global Education Monitoring Report 2026, da UNESCO, assinala progressos importantes em Moçambique, mas mostra igualmente a dimensão do percurso ainda por realizar. A proporção de jovens entre os 15 e 17 anos que tinham concluído o ensino primário aumentou de cerca de 15% em 2000 para 52% em 2024, coexistindo, contudo, com problemas de participação, assiduidade e conclusão escolar.
Assim, ampliar a rede escolar continua a ser uma componente importante da política de desenvolvimento do País.
Agricultura Leva Aprendizagem Para Além da Sala de Aula
Há outro elemento distintivo no projecto de Pessene.
A escola deverá possuir uma área destinada ao desenvolvimento de actividades agro-pecuárias, concebida como extensão do espaço pedagógico. Os alunos poderão adquirir conhecimentos práticos de agricultura e criação de animais, estando igualmente prevista a possibilidade de parte da produção apoiar a alimentação escolar.
A abordagem é particularmente relevante numa economia onde a agricultura continua a absorver uma parcela substancial da população activa.
A educação gera maior valor económico quando, para além de transmitir conhecimento, desenvolve capacidades que podem ser aplicadas na realidade produtiva. Aproximar escola, tecnologia, agricultura, empreendedorismo e mercado pode ajudar a transformar a educação numa plataforma de preparação efectiva dos jovens para a vida económica.
Crescimento do Porto Procura Chegar às Comunidades
A escola surge igualmente associada à expansão da presença da MPDC em Pessene, onde funciona o Parque de Gestão de Tráfego de Camiões criado para organizar a circulação de viaturas destinadas ao Porto de Maputo, reduzir a pressão sobre a EN4 e melhorar a segurança rodoviária.
Em Setembro de 2025, a empresa havia já entregue o Centro de Saúde de Pessene depois de uma intervenção de melhoria da unidade sanitária.
O Director Executivo da MPDC, Osório Lucas, enquadrou estes investimentos numa perspectiva segundo a qual os benefícios económicos gerados pelo Porto não devem terminar nos seus limites físicos, devendo alcançar as comunidades através de emprego, saúde, educação, segurança e oportunidades.
É uma abordagem relevante para o debate mais amplo sobre o papel dos grandes projectos na economia moçambicana.
A contribuição empresarial para o desenvolvimento não se esgota nos impostos pagos, nos empregos directos ou nas compras efectuadas localmente. Pode também traduzir-se na criação de activos colectivos capazes de aumentar a produtividade futura das próprias regiões onde esses investimentos operam.
Construir a Escola É Apenas a Primeira Parte do Investimento
A infra-estrutura, porém, não deverá ser confundida com o resultado final.
Uma escola moderna pode aumentar o acesso, mas o verdadeiro retorno económico da educação resulta daquilo que os estudantes efectivamente aprendem. Professores qualificados, materiais didácticos, gestão escolar, manutenção das instalações, assiduidade, qualidade pedagógica e ligação das competências às necessidades da economia serão determinantes.
É precisamente esta distinção entre escolarização e aprendizagem que deve acompanhar a expansão da rede educativa.
Nesse sentido, a Escola Secundária de Pessene representa simultaneamente um investimento e uma oportunidade: o investimento físico de 67 milhões de meticais cria capacidade para receber mais de mil estudantes; o retorno de longo prazo dependerá da capacidade de transformar essa infra-estrutura em aprendizagem, competências e oportunidades económicas.
Para Moçambique, onde a ambição de industrializar, diversificar a economia, desenvolver corredores, aproveitar os recursos naturais e gerar emprego para uma população jovem exigirá trabalhadores progressivamente mais qualificados, investir na educação não é apenas financiar o sector social. É financiar uma das bases da própria transformação económica.
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