OPEC+ Avalia Aumento De 137 Mil Barris/Dia Em Abril Num Mercado Tensionado Pelo Dossier Irão

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Aliança liderada pela Arábia Saudita reúne-se a 1 de Março; Brent aproxima-se de máximos de sete meses enquanto Washington pondera acção contra Teerão.

Questões-Chave:
  • Oito membros do OPEC+ deverão discutir um aumento de 137 mil barris por dia (bpd) já em Abril;
  • A decisão surge após uma pausa de três meses nas subidas de produção no primeiro trimestre de 2026;
  • O Brent negoceia perto de US$ 71 por barril, próximo do máximo de sete meses;
  • Tensões entre os EUA e o Irão reforçam o prémio geopolítico no mercado;
  • A Arábia Saudita activou plano de contingência para eventual disrupção de fluxos no Médio Oriente.

O grupo alargado de produtores de petróleo conhecido como OPEC+ deverá considerar um aumento de 137.000 barris por dia na produção a partir de Abril, segundo fontes citadas pela Reuters, numa altura em que o mercado internacional equilibra expectativas de maior oferta com um reforço do risco geopolítico no Médio Oriente.

A decisão será discutida numa reunião agendada para 1 de Março, envolvendo oito produtores-chave: Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã. Estes países tinham acordado elevar gradualmente as quotas entre Abril e Dezembro de 2025, totalizando cerca de 2,9 milhões de barris por dia — aproximadamente 3% da procura global — antes de congelarem novos aumentos entre Janeiro e Março de 2026, devido à sazonalidade mais fraca do consumo.

Regresso gradual da oferta num contexto de reequilíbrio

Caso o aumento de 137 mil bpd seja confirmado, repetirá o volume adicional aprovado em Outubro, Novembro e Dezembro do ano passado, sinalizando uma estratégia de ajustamento incremental e prudente.

Para a Arábia Saudita — líder de facto do grupo — e para os Emirados Árabes Unidos, a retoma dos aumentos permitirá recuperar quota de mercado num momento em que outros membros enfrentam constrangimentos. A Rússia e o Irão continuam sob sanções ocidentais, enquanto o Cazaquistão recupera de recentes constrangimentos operacionais que afectaram a sua produção.

O OPEC+, que integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia, representa cerca de metade da produção mundial de crude, mantendo assim um papel determinante na formação de preços e na estabilidade do mercado energético global.

Brent Sustentado Por Prémio Geopolítico

Apesar dos receios, no início do ano, de um eventual excesso de oferta, o Brent está a negociar próximo de US$ 71 por barril, não muito distante do máximo de sete meses de US$ 72,50 atingido esta semana. A valorização reflecte, sobretudo, o agravamento das tensões entre Washington e Teerão.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou estar a considerar um eventual ataque ao Irão como forma de pressionar as autoridades iranianas a aceitarem um acordo que limite o seu programa nuclear. Em paralelo, fontes citadas pela Reuters indicam que a Arábia Saudita activou um plano de contingência para um aumento temporário da produção e das exportações, caso um eventual ataque norte-americano venha a perturbar os fluxos de crude no Médio Oriente.

Esta combinação — possível reforço coordenado da oferta por parte do OPEC+ e risco de disrupção geopolítica — cria um ambiente de elevada volatilidade, no qual o mercado procura antecipar tanto o pico de procura do Verão no hemisfério norte como eventuais choques na cadeia de abastecimento.

Abril: Aumento Ou Nova Pausa?

Embora três fontes apontem para a probabilidade de aprovação do aumento de 137 mil bpd, uma quarta fonte admite que o grupo poderá optar por nova pausa em Abril, caso as condições de mercado assim o aconselhem.

A decisão final dependerá da leitura que os produtores façam do equilíbrio entre oferta e procura global, da trajectória dos preços e da evolução das tensões no Golfo Pérsico.

Para economias importadoras líquidas de energia, como Moçambique, a manutenção do Brent acima dos US$ 70 representa pressão acrescida sobre a factura energética e sobre os equilíbrios macroeconómicos, particularmente num contexto de volatilidade cambial e desafios inflacionistas.

A reunião de 1 de Março poderá, assim, redefinir o tom do mercado petrolífero para o segundo trimestre de 2026.

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