
OPEP enfrenta declínio da procura e uma diminuição da quota de mercado no início de 2024
A OPEP está a enfrentar um enfraquecimento da procura do seu crude na primeira metade de 2024, numa altura em que a sua quota de mercado global desce para o nível mais baixo desde a pandemia de Covid-19, devido aos cortes na produção e à saída de Angola, segundo cálculos da Reuters e dados de analistas ouvidos pela agência.
De acordo com a Reuters, a tendência significa que o grupo terá dificuldades em reduzir os cortes na produção, a menos que a procura mundial de petróleo acelere ou que a OPEP esteja preparada para aceitar preços mais baixos.
Angola anunciou este mês que vai abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a partir de Janeiro de 2024, após as saídas do Equador em 2020, do Qatar em 2019 e da Indonésia em 2016.
A saída de Angola deixará o grupo com 12 membros e levará a sua produção para menos de 27 milhões de barris por dia (bpd) – menos de 27% do total da oferta mundial de 102 milhões de bpd.
A última vez que a quota de mercado da OPEP desceu para 27% foi durante a pandemia de 2020, quando a procura mundial caiu 15-20%. Desde então, a procura mundial recuperou para níveis recorde, o que significa que a OPEP perdeu quota de mercado para os seus rivais.
A OPEP não respondeu a um pedido de comentário.
O grupo produziu cerca de metade do petróleo bruto mundial na década de 1970, antes do aparecimento de fontes de abastecimento não pertencentes à OPEP, como o Mar do Norte.
Nas décadas posteriores, a quota da OPEP situou-se entre 30% e 40%, mas o crescimento recorde da produção de rivais como os Estados Unidos tem vindo a reduzir progressivamente essa quota nos últimos anos.
Em Novembro de 2023, a produção de petróleo bruto da OPEP representava 27,4% do mercado total, contra 32-33% em 2017-2018, de acordo com os dados dos relatórios mensais do grupo.
Procura no segundo trimestre
A OPEP foi fundada em 1960 pela Arábia Saudita, Kuwait, Venezuela, Irão e Iraque. Angola juntou-se ao grupo em 2007. Desde 2017, a OPEP tem trabalhado com a Rússia e outros não-membros no âmbito do grupo OPEP+ para gerir o mercado.
Alguns pequenos produtores aderiram à OPEP nos últimos anos, incluindo o Gabão em 2016, a Guiné Equatorial em 2017 e o Congo em 2018.
A OPEP+ está actualmente a reduzir a sua produção em cerca de 6 milhões de bpd, pelo que o grupo poderia, em teoria, aumentar a produção para lutar pela quota de mercado.
Mas isso implicaria uma queda acentuada do preço se a procura de crude não melhorasse.
Alguns membros da OPEP+, incluindo a Rússia, afirmaram que o grupo poderia adoptar medidas adicionais, se necessário.
Os dados de três agências de previsão petrolífera muito observadas – a Agência Internacional da Energia (AIE), a Administração da Informação sobre Energia (EIA, sigla em inglês) dos EUA e a própria OPEP – sugerem pouca margem para um abrandamento dos cortes no segundo trimestre.
A EIA prevê que a procura de petróleo bruto da OPEP diminua no segundo trimestre em relação ao primeiro, com base num cálculo da Reuters.
A AIE prevê que a procura de petróleo bruto da OPEP se mantenha estável, enquanto a OPEP também prevê uma descida, embora a partir de um nível mais elevado do que as outras duas previsões.
A OPEP considera que a sua quota de mercado irá aumentar a longo prazo, à medida que a produção diminuir noutros países e a procura mundial continuar a aumentar.
O seu último World Oil Outlook prevê que a quota total do grupo no mercado do petróleo aumente para 40% em 2045, à medida que a produção não-OPEP começa a diminuir a partir do início da década de 2030.
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