Moçambique e Reino Unido Lançam Pacto Para Mobilizar Até 3 Mil Milhões Em Investimento Produtivo

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Acordo assinado em Maputo assenta numa nova abordagem de cooperação económica, com foco em investimento produtivo, industrialização verde, mercados de capitais e reforço institucional.

Questões-Chave:
  • Moçambique e o Reino Unido assinaram um pacto para mobilizar até 3 mil milhões de libras esterlinas, o equivalente a cerca de 3,8 mil milhões de dólares;
  • A parceria privilegia investimento produtivo, crescimento económico inclusivo e criação de emprego;
  • O acordo marca uma mudança de paradigma na cooperação bilateral, afastando-se do modelo tradicional de assistência;
  • Inclui instrumentos financeiros para mercados de capitais, agronegócio e industrialização verde;
  • Incorpora igualmente o reforço institucional e o combate às finanças ilícitas.

O Governo de Moçambique e o Reino Unido assinaram, em Maputo, um Pacto para o Crescimento Económico Inclusivo, que prevê a mobilização de até 3 mil milhões de libras esterlinas — cerca de 3,8 mil milhões de dólares — em investimento, com o objectivo de apoiar a transformação produtiva da economia, a criação de emprego e o reforço da resiliência climática.

De ajuda ao investimento: uma mudança de paradigma

O acordo foi rubricado pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e pela ministra britânica para o Desenvolvimento e África, Baronesa Chapman de Darlington, reflectindo uma nova abordagem do Reino Unido para a sua cooperação com África, assente em parcerias económicas, investimento privado e prioridades partilhadas.

Segundo a governante britânica, o objectivo central do pacto é impulsionar um crescimento económico resiliente ao clima, promover empregos de qualidade e apoiar trajectórias de desenvolvimento sustentáveis, substituindo gradualmente o modelo clássico de assistência por instrumentos orientados para o investimento.

 

Sectores produtivos, mercados de capitais e industrialização verde

O entendimento abrange sectores considerados estratégicos para a economia moçambicana, incluindo energia limpa, infra-estruturas, logística, agronegócio, educação, saúde e digitalização. Um dos pilares do pacto é o lançamento de um novo veículo de capital de risco, destinado a apoiar a modernização dos mercados de capitais e a facilitar o acesso ao financiamento para empresas nacionais, em particular no sector agrícola.

Paralelamente, foi estabelecida uma parceria estratégica para apoiar a implementação da estratégia de industrialização verde e de aumento da produtividade industrial, alinhada com os compromissos climáticos e com a necessidade de diversificação económica e criação de valor local.

Instituições, justiça económica e confiança dos investidores

Para além do eixo económico, o pacto incorpora uma dimensão institucional relevante. Foi formalizado um acordo de cooperação com a Procuradoria-Geral da República, com vista ao reforço das capacidades de investigação e acusação em matérias de corrupção, branqueamento de capitais e combate às finanças ilícitas.

Este componente é apresentado como essencial para melhorar o ambiente de negócios, reforçar a confiança dos investidores e consolidar a credibilidade institucional do país num contexto de crescente competição global por capital.

 

Emergência climática e resposta imediata

A assinatura do pacto ocorre num momento particularmente sensível, marcado por cheias severas em várias regiões do país. Neste quadro, o Reino Unido anunciou apoio humanitário adicional, incluindo financiamento e mobilização de equipas especializadas de busca e salvamento, sublinhando a articulação entre investimento estrutural de longo prazo e resposta a crises imediatas.

Juventude, mulheres e inclusão económica

Do lado moçambicano, Salim Valá destacou a centralidade da juventude e das mulheres no desenho do pacto, defendendo que a inclusão destes grupos no sector produtivo é determinante para um crescimento económico sustentável e equilibrado. Instrumentos como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local são apontados como plataformas que poderão beneficiar do enquadramento criado pela parceria.

As autoridades enquadraram o acordo no quadro mais amplo das relações históricas entre os dois países, que assinalam cinco décadas de cooperação e três décadas da adesão de Moçambique à Commonwealth. Mais do que um pacote financeiro fechado, o pacto é apresentado como uma plataforma de mobilização de investimento, dependente da capacidade de absorção da economia, da qualidade dos projectos e do reforço do quadro institucional.

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