Os intervenientes da cadeia de valor da castanha do caju discutiram na última semana, em Nampula, as melhores formas de revitalizar o sector, de modo a aumentar a produção e produtividade, numa altura em que as exigências do mercado internacional são cada vez maiores.

Segundo os actores, o desafio é reposicionar o país como um dos maiores produtores e exportadores da castanha de caju.

Em Moçambique, a cadeia de valor da castanha do caju é de importância vital na geração de renda no meio rural, em particular na zona Norte do país, onde a província de Nampula se destacou, desde sempre, como o maior produtor e exportador desta cultura de rendimento. Estima seque mais de 1.4 milhão de peque nos agricultores em todo o país estejam envolvidos no cultivo de caju. Numa intervenção feita na abertura da primeira reunião nacional de concertação dos actores da cadeia de valor do caju, que decorre na capital provincial, o secretário de Estado em Nampula, Jaime Neto, disse que, nos últimos anos, a produção de castanha de caju tem registado um aumento dos níveis de comercialização, mas a capacidade da indústria nacional de processamento não é integralmente explorada.

Apontou factores como a baixa de preços no mercado internacional, resultado da retracção da economia mundial e do quadro global da inflação originada pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que acarreta custos elevados de energia, com destaque para os preços de petróleo como sendo os motivos que concorrem para a não exploração integral da capacidade de processamento da indústria nacional. Neto disse que este fenómeno reduz a capacidade de tesouraria das empresas, o que condiciona a sua capacidade de financia menta, a despeito dos esforços que têm sido levados a cabo pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural junto dos seus parceiros, com vista a fortalecer e expandir o processamento interno.

O governante destacou o notório crescimento do sector de processamento secundário de castanha, que tem agregado valor a este produto, satisfazendo o mercado interno de consumo de amêndoa e alimentando os mercados dos países vizinhos. Segundo o secretário de Estado, na província de Nampula, que falava em representação dos órgãos centrais, a conjuntura actual da cadeia de valor do caju, caracterizada pela oscilação expressiva de preços da castanha no mercado internacional, com impacto no mercado doméstico, tem suscitado a necessidade de reforçar a coordenação multissectorial e público/privado para estabelecer sinergias e melhorar, continuamente, a sua produtividade, competitividade e sustentabilidade do subsector.

Em termos de números, indicou que, nos últimos anos, a produção de caju tem vindo a crescer, ainda que de forma tímida, tendo alcançado mais de 146 mil toneladas de castanha na campanha 2021/2022, contra 144 mil toneladas na safra anterior.

O Governador de Nampula, Manuel Rodrigues, reafirmou a aposta da província em consolidar a sua posição de maior produtor da castanha no país, indicando, por exemplo, que mais de 300 mil produtores estão envolvidos neste desiderato. Disse que na campanha 2022 2023, a província comercializou 77 mil toneladas, contra pouco mais de 67 mil toneladas na campanha anterior.

Entretanto, vários outros intervenientes da sessão de abertura do encontro, dentre os quais os representantes dos produtores, a Associação Comercial e industrial Agrícola de Nampula (ACIANA), Associação dos Industriais do Caju (AICAJU) e os parceiros de cooperação falaram da importância do evento apelando para que saiam da primeira reunião nacional soluções viáveis, realísticas e locais e, acima de tudo, concertadas para o fortalecimento da cadeia de valor, bem como a necessidade de se apostar no diálogo público/ privado.