
Ouro Caminha Para Segunda Queda Semanal Com Dólar Forte E Menores Expectativas De Corte De Juros
Escalada dos preços do petróleo e fortalecimento do dólar pressionam o metal precioso, enquanto investidores aguardam novos dados de inflação nos Estados Unidos.
- Ouro caminha para a segunda queda semanal consecutiva, com perdas acumuladas de cerca de 1,7%;
- Fortalecimento do dólar e subida das yields do Tesouro dos EUA pressionam o metal precioso;
- Escalada dos preços do petróleo reduz expectativas de cortes de juros pela Reserva Federal;
- Investidores aguardam novos dados de inflação nos EUA para avaliar o rumo da política monetária.
O ouro encaminha-se para a segunda queda semanal consecutiva nos mercados internacionais, pressionado pela valorização do dólar norte-americano, pela subida das taxas de juro das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos e pela redução das expectativas de cortes de juros por parte da Reserva Federal. As informações foram avançadas pela Reuters.
Apesar de uma ligeira recuperação na sessão de sexta-feira, o metal precioso permanece em terreno negativo no balanço da semana. O ouro à vista registava uma subida marginal de 0,2%, negociando em torno de 5.087 dólares por onça, mas ainda assim acumulava uma queda semanal de aproximadamente 1,7%, segundo dados citados pela Reuters.
Os contratos futuros de ouro nos Estados Unidos, com entrega em Abril, apresentavam igualmente uma ligeira queda de 0,16%, situando-se perto de 5.092 dólares por onça, reflectindo a cautela dos investidores perante a evolução das condições macroeconómicas globais.
Petróleo caro altera expectativas de política monetária
Um dos factores determinantes para o actual movimento do ouro tem sido a escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente e pela persistência de riscos no fornecimento global de energia.
Segundo analistas citados pela Reuters, a subida do crude acima dos 100 dólares por barril tem alimentado preocupações com novas pressões inflacionistas, reduzindo as expectativas de cortes de juros por parte da Reserva Federal norte-americana.
Ross Norman, analista independente, explicou que o ouro tem sido utilizado por alguns investidores como uma fonte rápida de liquidez para cobrir perdas noutros mercados financeiros, sobretudo num contexto em que as bolsas têm apresentado maior volatilidade.
Conflito no Médio Oriente aumenta incerteza nos mercados
A tensão geopolítica também continua a influenciar o comportamento dos mercados globais. O Irão reiterou a intenção de manter encerrado o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte mundial de petróleo e gás, agravando as preocupações com o abastecimento energético global.
Este contexto ocorre num momento em que o conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão se aproxima de duas semanas de confrontos, com ataques de drones e mísseis em várias regiões do Médio Oriente, acrescenta a Reuters.
Como consequência, os mercados accionistas asiáticos caminham também para perdas semanais, reflectindo o aumento da aversão ao risco entre os investidores internacionais.
Dólar forte e juros elevados pressionam o ouro
Outro factor determinante para o enfraquecimento do ouro tem sido a valorização do dólar norte-americano, que atingiu o nível mais elevado dos últimos três meses.
Ao mesmo tempo, as taxas de rendimento das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos a 10 anos aproximam-se do nível mais alto em seis semanas, tornando os activos denominados em dólares mais atractivos em comparação com o ouro, que não gera rendimento.
Segundo Ross Norman, citado pela Reuters, o dólar tem assumido o papel de principal activo de refúgio no actual contexto de incerteza global, o que contribui para limitar o potencial de valorização do metal precioso.
Ainda assim, o analista considera que o ouro deverá manter suporte sólido acima do nível psicológico de 5.000 dólares por onça, sinalizando que o metal continua a desempenhar um papel relevante como activo de protecção em períodos de turbulência financeira.
Outros metais também recuam
O movimento de queda não se limita ao ouro. Outros metais preciosos registaram igualmente perdas nos mercados internacionais.
A prata caiu cerca de 1,3%, negociando em torno de 82,66 dólares por onça, enquanto o platina recuou 2,3%, para aproximadamente 2.081 dólares.
Já o paládio registou uma descida mais moderada, de 0,7%, fixando-se perto de 1.605 dólares por onça, segundo dados citados pela Reuters.
Os investidores aguardam agora a divulgação dos dados de Personal Consumption Expenditures (PCE) referentes a Janeiro nos Estados Unidos, um indicador-chave da inflação monitorizado pela Reserva Federal, que poderá influenciar as expectativas sobre o rumo da política monetária norte-americana.
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de August, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de March, 2026
















