Os mercados globais enfrentam uma semana de intensa volatilidade, marcada por uma escalada nas tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, que impulsionaram os preços do ouro e do gás natural e colocaram o euro em um ponto de fragilidade histórica. Enquanto isso, o Bitcoin se aproxima de um marco histórico de $100.000, destacando a procura por ativos alternativos em tempos de incerteza.

Tensões geopolíticas impulsionam o Ouro e o Gás

O ouro registou seu maior ganho semanal em quase oito meses, atingindo $2.677 por onça e acumulando uma alta de 4,5% na semana. Este movimento reflete a procura por portos seguros após a Rússia reduzir seu limite para o uso de armas nucleares e lançar um míssil balístico hipersónico contra a Ucrânia. Analistas do ANZ Bank destacam que o ataque sinaliza uma nova fase no conflito, aumentando o receio de interrupções no fornecimento de recursos energéticos.

Os preços do gás natural na Europa alcançaram máximas de 12 meses, enquanto o petróleo Brent subiu 4,5% na semana, atingindo $74,44 por barril. Estes aumentos destacam a sensibilidade dos mercados de energia à escalada das tensões.

Euro em queda livre e pressão no mercado europeu

O euro enfrentou sua sétima semana de queda nas últimas oito, com uma desvalorização que o aproxima do suporte de $1,0448, a mínima de 2023. Especialistas apontam múltiplos fatores que pressionam a moeda, incluindo a desaceleração económica na Europa, tensões no orçamento francês para 2025 e instabilidade política na Alemanha. “Não há nada positivo no horizonte para o euro”, afirmou Ray Attrill, chefe de pesquisa de câmbio do National Australia Bank.

As ações europeias também refletem o pessimismo, caminhando para a quinta queda semanal consecutiva, em contraste com um aumento de 1% nos mercados globais.

Bitcoin e outras dinâmicas globais

Em meio às incertezas, o Bitcoin está prestes a ultrapassar os $100.000 pela primeira vez, consolidando-se como um refúgio alternativo para investidores em busca de proteçcão contra volatilidade. Paralelamente, os mercados asiáticos registaram ganhos modestos, impulsionados pelo setor de tecnologia, com destaque para a Nvidia.

No Japão, dados de inflação acima da meta de 2% mantêm a pressão para um aumento da taxa de juros pelo Banco do Japão, o que trouxe suporte ao iene, que se valorizou para 154,38 por dólar. Entretanto, o dólar americano se beneficiou de uma procura renovada por segurança, acumulando ganhos semanais de 0,4%.

O cenário actual espelha uma confluência de factores geopolíticos, económicos e monetários que redefinem as dinâmicas dos mercados globais. Enquanto o ouro e o gás lideram os ganhos em resposta aos riscos de guerra, o euro e outras moedas enfrentam desafios significativos. O mercado continua atento aos desdobramentos do conflito Rússia-Ucrânia e às suas implicações para o crescimento económico e a estabilidade global.

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