Problemas socioeconómicos impulsionam manifestações pós-eleitorais em Moçambique, afirma IMD

0
909

O Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) identificou uma série de problemas sociais e económicos como factores determinantes para as manifestações pós-eleitorais que têm marcado Moçambique desde Outubro. Durante uma mesa redonda realizada em Maputo, o pesquisador Carvalho Cumbe destacou questões como corrupção, pobreza generalizada, falta de oportunidades para os jovens e serviços públicos de baixa qualidade como principais catalisadores das manifestações

Conflito de resultados e reacções populares

As manifestações ganharam força após a contestação dos resultados das eleições gerais de 9 de Outubro, nas quais o partido Frelimo e o seu candidato presidencial, Daniel Chapo, foram declarados vencedores pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). O PODEMOS, partido da oposição liderado por Venâncio Mondlane, contesta os resultados, alegando ter feito uma contagem paralela que lhe atribui a vitória com 53,3% dos votos e 138 assentos parlamentares. Em contrapartida, os números da CNE indicam que Chapo obteve 70,67% dos votos e que o Frelimo garantiu 195 dos 250 assentos disponíveis【.

Cumbe afirmou que os protestos têm atraído solidariedade popular ao incorporarem outras questões sociais além da política eleitoral. Apesar de algumas manifestações ocorrerem de forma pacífica, há registo de actos de vandalismo e pilhagem em várias cidades do país, resultando em mais de 40 mortes e 500 feridos.

Diálogo como caminho

O Presidente da República, Filipe Nyusi, demonstrou abertura para o diálogo ao reunir-se com líderes religiosos e representantes de partidos políticos. Mondlane também anunciou disposição para dialogar, apresentando uma agenda de 20 pontos, baseada em mais de 40 mil contribuições enviadas por cidadãos. O candidato presidencial suportado pelo partido PODEMOS enfatizou que o diálogo deve ser público e incluir a comunidade internacional.

Tomás Vieira Mário, Director-Executivo do Sekelekani, alertou para o risco de politização do sistema judicial, sublinhando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tem actuado de forma a intimidar o debate político. Vieira Mário apelou para que as autoridades concentrem esforços na busca de soluções que promovam o exercício das liberdades de expressão e a cidadania.

Próximos passos e o papel das osc

Com a validação dos resultados pelo Conselho Constitucional (CC) ainda pendente, Cumbe defendeu que as Organizações da Sociedade Civil (OSC) devem adoptar medidas de contenção social para minimizar os impactos de uma possível escalada da tensão. O futuro do processo eleitoral e a busca por estabilidade política dependem do equilíbrio entre o diálogo institucional e as exigências sociais manifestadas pelas populações.

Esta fase crítica no contexto político moçambicano exige esforços concertados para superar os desafios estruturais, fomentando a inclusão social e restaurando a confiança nas instituições.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.