FAO Precisa De 107,6 Milhões De Dólares Para Apoiar Vítimas De Eventos Climáticos Extremos Em Moçambique

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  • Plano de recuperação da FAO prevê assistência a cerca de 1,8 milhão de pessoas até 2031, após cheias severas provocarem perdas superiores a 486 milhões de dólares no sector agro-alimentar moçambicano.

Questões-Chave:
• FAO pretende mobilizar 107,6 milhões USD para apoiar vítimas de eventos climáticos extremos;
• Cerca de 1,8 milhão de pessoas deverão beneficiar do programa até 2031;
• Cheias afectaram mais de 724 mil pessoas e destruíram 440 mil hectares;
• Perdas económicas foram estimadas em 30,4 mil milhões de meticais;
• Sector agrícola concentrou aproximadamente 73% dos danos registados;
• Gaza, Maputo, Sofala, Manica, Tete e Nampula estão entre as províncias mais afectadas.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) pretende mobilizar 107,6 milhões de dólares para apoiar cerca de 1,8 milhão de pessoas afectadas por eventos climáticos extremos em Moçambique até 2031, no quadro de um amplo plano de recuperação e resiliência pós-cheias.

Segundo o documento FAO Floods Recovery Plan (2026–2031), as necessidades de recuperação concentram-se sobretudo nas províncias do sul e centro do país, com destaque para Gaza, Inhambane, Maputo, Sofala, Manica, Tete e Nampula.

A FAO explica que o plano foi desenvolvido no âmbito do mecanismo multissectorial de Avaliação das Necessidades Pós-Desastre liderado pelo Governo moçambicano, visando apoiar os objectivos nacionais de recuperação de longo prazo e fortalecimento da resiliência climática.

O relatório alerta que as cheias severas registadas no país este ano provocaram fortes perturbações nos sistemas agro-alimentares, destruindo culturas agrícolas, afectando o sector pecuário, pescas e infra-estruturas agrícolas críticas em algumas das zonas mais produtivas de Moçambique.

Segundo os dados apresentados pela organização, as inundações afectaram mais de 724 mil pessoas e destruíram aproximadamente 440 mil hectares de terras agrícolas, agravando os riscos de insegurança alimentar e perda de meios de subsistência em várias regiões rurais.

Perdas Económicas Superam 486 Milhões De Dólares

A FAO estima que os danos e perdas económicas provocados pelas cheias ascendam a cerca de 30,4 mil milhões de meticais, o equivalente a aproximadamente 486 milhões de dólares ao câmbio actual.

O sector agrícola foi particularmente afectado, concentrando cerca de 73% das perdas totais registadas.

Segundo o relatório, as províncias de Gaza e Maputo registaram os impactos mais severos, com milhares de famílias rurais a perderem não apenas a produção agrícola corrente, mas também activos produtivos fundamentais para garantir rendimento, segurança alimentar e capacidade futura de produção.

A organização alerta que os impactos climáticos recorrentes continuam a aprofundar vulnerabilidades estruturais do sector agrícola moçambicano, fortemente dependente da agricultura de subsistência e particularmente exposto a choques climáticos extremos.

Plano De Emergência Prevê Apoio Imediato Até 2028

Paralelamente ao plano de recuperação de cinco anos, a FAO refere que o Plano de Emergência e Resiliência de Moçambique para o período 2026–2028 prevê um financiamento adicional de 79 milhões de dólares para apoiar acções emergenciais e reforçar a resiliência comunitária.

Deste montante, cerca de 38 milhões de dólares deverão ser mobilizados apenas em 2026 para apoiar aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.

A FAO lançou igualmente um apelo urgente adicional denominado “Mozambique: Floods – Urgent Appeal for Assistance”, destinado a responder às necessidades imediatas pós-desastre decorrentes das cheias registadas nos últimos meses.

No âmbito desta iniciativa, a organização procura mobilizar 27,9 milhões de dólares para apoiar cerca de 620 mil pessoas até Junho de 2026.

Pressão Climática Reforça Debate Sobre Resiliência Económica

O novo alerta da FAO surge num contexto em que Moçambique continua a figurar entre os países africanos mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, enfrentando ciclos recorrentes de cheias, secas, ciclones tropicais e eventos extremos.

Analistas consideram que os impactos acumulados destes fenómenos continuam a exercer forte pressão sobre:
• segurança alimentar;
• produção agrícola;
• receitas rurais;
• infra-estruturas económicas;
• finanças públicas;
• crescimento económico.

O relatório reforça igualmente o debate sobre a necessidade de acelerar investimentos em adaptação climática, infra-estruturas resilientes, irrigação, sistemas de alerta precoce e modernização agrícola, num momento em que o país procura reduzir a vulnerabilidade estrutural do sector rural aos choques climáticos.

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