
Ouro Recua Com Força Do Dólar E Expectativas De Acordo Comercial EUA–China
Após atingir recordes históricos, o metal precioso cede terreno face à valorização do dólar e à melhoria do sentimento nos mercados, mas mantém suporte estrutural com a expectativa de política monetária mais flexível.
- O ouro caiu 1% esta segunda-feira, para 4.072,65 USD/oz, pressionado pela valorização do dólar e pela expectativa de um acordo comercial entre EUA e China;
- Os futuros do ouro nos EUA recuaram 1,3%, para 4.085,60 USD/oz;
- A valorização do dólar face ao iene tornou o ouro mais caro para detentores de outras moedas;
- O mercado aguarda a reunião da Reserva Federal (Fed) de quarta-feira, em que se espera um corte de 0,25 pp na taxa de juro;
- As reservas do SPDR Gold Trust, o maior fundo de ouro cotado do mundo, caíram 0,5% na sexta-feira;
- Analistas apontam para uma correção técnica de curto prazo, mas mantêm o ouro numa tendência estrutural de alta sustentada por políticas monetárias mais brandas e persistente incerteza global.
O ouro abriu a semana em terreno negativo, perdendo 1% e negociando em torno de 4.072 USD por onça, à medida que a valorização do dólar e as expectativas de um entendimento comercial entre os Estados Unidos e a China reduziram a procura por activos de refúgio. O movimento ocorre na antecâmara de uma semana decisiva, marcada pela reunião da Reserva Federal, cujas decisões poderão redefinir o rumo dos mercados de metais preciosos.
Correcção técnica e dólar em alta
De acordo com a Reuters, o ouro spot caiu 1%, para 4.072,65 USD/oz, enquanto os futuros para Dezembro recuaram 1,3%, para 4.085,60 USD/oz, reflectindo o fortalecimento do dólar norte-americano, que atingiu o seu maior nível em mais de duas semanas face ao iene.
A valorização da moeda norte-americana tende a tornar o ouro mais caro para investidores que operam noutras divisas, reduzindo a procura. Paralelamente, sinais de aproximação entre Washington e Pequim — com a definição de um acordo-quadro comercial a ser decidido ainda esta semana pelos presidentes Donald Trump e Xi Jinping — aliviaram temporariamente o sentimento de risco global, levando investidores a reduzir posições em activos defensivos.
Sentimento de mercado e política monetária
Segundo o analista Kyle Rodda, da Capital.com, “o potencial acordo comercial entre os EUA e a China surgiu de forma inesperada e foi uma surpresa positiva para os mercados em geral. O reverso é que o desenvolvimento tem sido negativo para o ouro”.
Apesar da retração, Rodda considera que “o ouro mantém apoio estrutural devido à perspectiva de política fiscal e monetária expansionista. Se esta expectativa se confirmar, a tendência de alta do ouro deve manter-se.”
Atenção centrada na Reserva Federal
Os investidores voltam-se agora para a reunião da Fed, marcada para quarta-feira, na qual se espera um corte de 25 pontos base na taxa de juro. A decisão surge apoiada por um relatório de inflação abaixo das expectativas, divulgado na sexta-feira.
Mesmo que o corte já esteja amplamente antecipado, o mercado aguardará com particular interesse as declarações do presidente Jerome Powell, que poderão indicar o rumo futuro da política monetária norte-americana.
Num ambiente de juros baixos, o ouro — activo sem rendimento — tende a beneficiar por comparação a outros instrumentos de investimento.
Fundos e metais correlatos
O SPDR Gold Trust, o maior fundo de ouro cotado (ETF) do mundo, registou uma queda de 0,52% nas suas reservas, para 1.046,93 toneladas, reflexo do ajustamento de portefólios e realização de lucros após a recente escalada do metal.
Outros metais preciosos também recuaram: a prata caiu 1,3%, para 48,04 USD/oz, o platinum desceu 0,1%, para 1.604,80 USD/oz, e o paládio perdeu 0,8%, para 1.418 USD/oz.
Contexto global e implicações para África
A descida do ouro ocorre após semanas de valorização alimentada por incerteza geopolítica e expectativa de estímulos monetários. Ainda assim, a procura de bancos centrais e fundos soberanos mantém-se robusta, o que poderá limitar quedas acentuadas.
Para Moçambique e outros países africanos com potencial mineiro, a actual volatilidade reforça a necessidade de planeamento estratégico de investimento, conjugando eficiência operacional e diversificação num mercado sujeito a rápidas flutuações cambiais e macroeconómicas.
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