Países ricos são os incumpridores dos acordos sobre clima

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Presidente da República, Filipe Nyusi

O incumprimento dos acordos alcançados sobre mudanças climáticas, principalmente pelos países industrializados, compromete o desenvolvimento sustentável e gera preocupação, a medir pelos crescentes impactos negativos dos eventos extremos, disse o Presidente da República, Filipe Nyusi, na abertura do VII Congresso Internacional de Educação Ambiental da CPLP e Galiza, que decorre desde ontem em Maputo.

Nyusi recordou que o impacto das mudanças climáticas, resultante do aquecimento global, devido à emissão dos gases de carbono, constitui principal factor da ocorrência cíclica de desastres naturais que afectam mais os países que menos poluem, como os da CPLP e Galiza.

No caso específico de Moçambique, a situação é agravada pela sua localização na zona de convergência das correntes quentes do Oceano Índico e das frias do Atlântico.

Neste contexto, o Presidente fez menção à ocorrência de vários ciclones, tempestades tropicais, cheias e inundações que nos últimos anos fustigaram o país, com destaque para o Idai, que em Março de 2019 matou 600 pessoas, destruiu infra-estruturas e produção agrícola, com incidência na cidade da Beira, com danos calculados em 3.2 biliões dólares norte-americanos.

As destruições prosseguiram no mês seguinte com a ocorrência do Kenneth, que devastou a região norte, com danos estimados em 100 milhões de dólares. Este ano a Zona Sul foi por duas ocasiões fustigada pelo ciclone tropical Freddy e inundações, cuja recuperação ainda decorre.

Nyusi recordou que na Cop21, realizada em Paris em 2015, os líderes mundiais comprometeram-se a manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e continuar esforços para limitar esse aumento de temperatura em 1,5°C.

No entanto, adianta, citando o relatório de 2021 do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, que para o alcance da meta de 1,5°C será necessário reduzir as emissões de dióxido de carbono em 45 por cento até 2030, o que será difícil devido à relutância dos países industrializados em cumprir o Acordo de Paris.

Por esta e outras razões, Nyusi refere que a educação ambiental não deve ser vista como assunto direccionado às comunidades, num sentido, por se tratar de uma ferramenta crucial para o alcance do desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões, envolvendo, sobretudo, aos mais poluentes.

O VII Congresso Internacional de Educação Ambiental tem como orientação a educação ambiental nas políticas de desenvolvimento, no sistema educativo e construção da cidadania, como resposta aos desafios impostos pela crise climática e como contributo aos grandes projectos de desenvolvimento.

Estiveram no evento inaugural cerca de 500 individualidades, entre governantes, especialistas e representantes da sociedade civil dos países da CPLP e Galiza, para além de participantes virtuais.

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