
Parlamento Aprova Criação Do Banco De Desenvolvimento De Moçambique Com Capital De 32 Mil Milhões De Meticais
Instituição visa financiar sectores estruturantes, promover industrialização e complementar a banca comercial num contexto de restrições ao crédito de longo prazo.
- Banco de Desenvolvimento arranca com capital inicial de 32 mil milhões de meticais;
- Estado será accionista maioritário, com abertura até 49% para parceiros internacionais;
- Instituição focar-se-á em sectores com elevado impacto económico e social;
- Objectivo é colmatar falhas de mercado no financiamento de longo prazo;
- Medida é aprovada por consenso, sinalizando alinhamento político em torno do desenvolvimento.
Consenso parlamentar em torno de instrumento estratégico de desenvolvimento
A Assembleia da República aprovou, na generalidade e por consenso, a proposta de Lei que cria o Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), numa decisão que poderá marcar um ponto de inflexão na arquitectura do financiamento ao desenvolvimento no país.
A proposta foi viabilizada pelas quatro bancadas parlamentares, num sinal político relevante de convergência em torno da necessidade de dotar o país de instrumentos mais robustos de financiamento estruturante.
A criação do BDM insere-se numa visão estratégica mais ampla de promoção do desenvolvimento económico, alinhada com a necessidade de industrialização, diversificação produtiva e redução das assimetrias regionais.
Capital robusto e modelo híbrido com parceiros internacionais
O novo banco arrancará com um capital social inicial de 32 mil milhões de meticais, integralmente subscrito pelo Estado numa primeira fase, podendo posteriormente acolher a participação de instituições financeiras de desenvolvimento e bancos multilaterais até ao limite de 49%.
Este modelo híbrido visa assegurar simultaneamente controlo público e mobilização de financiamento externo, potenciando a capacidade de intervenção da instituição.
A estrutura de capital e a possibilidade de parcerias internacionais posicionam o BDM como um instrumento com potencial para alavancar investimentos de maior escala e complexidade.
Resposta a falhas estruturais do sistema financeiro
A criação do banco surge como resposta a limitações reconhecidas no sistema financeiro nacional, particularmente no que diz respeito ao financiamento de projectos de longo prazo e maior risco.
Segundo a fundamentação do Governo, as instituições financeiras existentes tendem a privilegiar operações de curto prazo e baixo risco, deixando descobertos sectores estratégicos como infra-estruturas, energia e indústria.
Neste contexto, o BDM pretende actuar com base no princípio da adicionalidade financeira, ou seja, complementando — e não substituindo — a banca comercial.
Foco em impacto económico e inclusão financeira
A missão do Banco de Desenvolvimento será viabilizar investimentos com impacto real na economia, com especial enfoque em sectores estruturantes e com elevado potencial de transformação.
A Ministra das Finanças sublinhou que a instituição não pretende concorrer com a banca comercial, mas antes utilizar a sua capilaridade para ampliar o acesso ao financiamento e promover a inclusão financeira.
Este posicionamento sugere uma abordagem orientada para o efeito catalítico, mobilizando recursos e criando condições para a materialização de investimentos que, de outra forma, não ocorreriam.
Desafios de governação e eficácia serão determinantes
Apesar do potencial transformador, a eficácia do BDM dependerá de factores críticos como a qualidade da governação, a capacidade técnica e a definição clara de prioridades estratégicas.
Experiências internacionais demonstram que bancos de desenvolvimento podem desempenhar um papel crucial no crescimento económico, mas também estão sujeitos a riscos, incluindo ineficiência, captura política e má alocação de recursos.
Neste sentido, a transparência, a disciplina financeira e o alinhamento com objectivos de desenvolvimento serão determinantes para o sucesso da instituição
Um novo pilar para o financiamento do desenvolvimento em Moçambique
A aprovação da criação do Banco de Desenvolvimento representa um passo significativo na construção de uma arquitectura financeira mais orientada para o desenvolvimento económico de longo prazo.
Num contexto de restrições de financiamento, volatilidade externa e necessidade de transformação estrutural, o BDM surge como um instrumento potencialmente decisivo para impulsionar investimentos estratégicos e acelerar o crescimento inclusivo.
A fase seguinte — de regulamentação, operacionalização e implementação — será crucial para transformar esta ambição em resultados concretos.
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