Perspectivas globais: Economia mostra resiliência, mas desafiada pelo fraco crescimento e pelo aprofundamento das divergências – FMI

0
521

As perspectivas económicas revelam que a economia mundial demonstrou uma resiliência notável e o primeiro semestre de 2023,  trouxe mesmo boas notícias, em grande parte devido à procura de serviços mais forte do que o esperado e aos progressos tangíveis na luta contra a inflação. Isto de acordo com o FMI

Essa tendência, segundo a instituição, aumenta as chances de uma aterrissagem suave para a economia global. “Mas não podemos baixar a guarda”, apelou a Directora- Geral Kristalina Georgieva, que considera que embora a recuperação dos choques dos últimos anos continue, a mesma ocorre de forma  “lenta e desigual”

 As previsões actualizadas do FMI indicam que o actual ritmo de crescimento global permanece bastante fraco, bem abaixo da média de 3,8% nas duas décadas anteriores à pandemia. E olhando para o futuro, a médio prazo, as perspectivas de crescimento enfraqueceram ainda mais.

No entanto, existem diferenças marcantes na dinâmica de crescimento. Um impulso mais forte vem dos Estados Unidos. A Índia e várias outras economias emergentes, incluindo a Costa do Marfim, são pontos positivos . Entretanto, a maioria das economias avançadas está a abrandar. Na China a actividade económica está abaixo das expectativas e muitos países enfrentam um crescimento anémico.

Para o FMI uma das grandes ameaças actuais ao crescimento económico é  a fragmentação económica que ameaça minar ainda mais as perspectivas de crescimento, especialmente para as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo África.

A situcao tem estado a resultar num aprofundamento da divergência nas fortunas económicas entre e dentro de diferentes grupos de países. 

Parte disso vem de “cicatrizes económicas”, tal como designou a Directora- Geral Kristalina Georgieva.

O FMI estima que a perda acumulada da produção global resultante de choques sucessivos desde 2020 ascenda a 3,7 biliões de dólares  em 2023.

Fonte: FMI

Uma perda que está distribuída de forma desigual entre os países. Os EUA são a única grande economia onde a produção regressou à trajetória anterior à pandemia. O resto do mundo ainda está abaixo da tendência, sendo os países de baixo rendimento os mais atingidos devido a sua  capacidade extremamente limitada para proteger as suas economias e apoiar os mais vulneráveis.

A divergência também é motivada por diferenças no espaço político e nos fundamentos macroeconómicos, no grau de dependência das importações de combustíveis e alimentos, na proporção de bens versus serviços na economia, no papel do comércio, na dinâmica das reformas e no ritmo da luta contra inflação – com todos estes factores a afectarem as escolhas políticas de ambos os países e o seu desempenho económico. 

Políticas para um crescimento futuro mais forte

Dadas estas tendências divergentes, o FMI reclama para si um papel importante a desempenhar para ajudar os países a identificar escolhas políticas e a prosseguir estratégias de crescimento bem-sucedidas, destacando  três prioridades políticas,

omeadamente, reforçar a estabilidade económica e financeira, onde o combate a inflação é a prioridade número um. “Graças às acções decisivas dos bancos centrais e às políticas orçamentais responsáveis, a inflação está a diminuir na maioria dos países, mas é provável que permaneça acima da meta, para alguns países até 2025. A inflação elevada mina a confiança dos consumidores e dos investidores, desgastando as bases para o crescimento e, acima de tudo, prejudica mais as pessoas mais pobres da sociedade”. Diz Kristalina Georgieva.

Kristalina Georgieva, Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI)

Para a responsável “vencer a luta contra a inflação exige que as taxas de juro permaneçam mais elevadas durante mais tempo”

“ É fundamental evitar uma  flexibilização prematura da política,  dado o risco de um ressurgimento da inflação”. Alertou  Georgieva.

De acordo com o FMI,  é precisa [também]  salvaguardar a estabilidade financeira . 

“As expectativas de uma “aterragem suave” ajudaram a impulsionar vários preços de activos. Mas uma rápida reavaliação destas perspectivas – com o ressurgimento repentino da inflação – poderá levar a um forte aperto das condições financeiras, afectando duramente os mercados e as economias. Alerta o FMI.

A instituição de Bretton Woods considera que no momento actual as economias enfrentam riscos significativos do lado fiscal, pelo que é preciso reconstruir a margem de manobra orçamental  dos países. “Na maioria dos casos, isto significa uma política fiscal mais restritiva – que também pode apoiar a política monetária onde as pressões inflacionistas ainda são fortes”, propõe o FMI

“Os riscos são elevados, porque os choques dos últimos anos causaram um novo aumento dos encargos da dívida em muitos países, incluindo em África . Com pouco ou nenhum espaço fiscal restante – e com custos crescentes do serviço da dívida – muitos governos enfrentam decisões difíceis. Significa priorizar os gastos e comunicar planos fiscais claros de médio prazo para construir credibilidade e reduzir os níveis de dívida”, disse a a Directora- Geral Kristalina Georgieva .

Essa sirtucao, segundo o FMI, conduz a uma segunda prioridade política: lançar as bases para um crescimento inclusivo e sustentável através de reformas transformacionais e da construção de instituições estatais fortes, o que, por sua vez, conduz  à terceira prioridade política, que é, aumentar a resiliência colectiva através da cooperação internacional.

“Precisamente no momento em que mais precisamos dela, a cooperação está a enfraquecer . As pontes que ligam os países estão a corroer-se à medida que aumentam as barreiras ao comércio e ao investimento”. Disse Kristalina Georgieva.

“Um mundo fragmentado é especialmente desafiador para os países emergentes e em desenvolvimento, devido à sua maior dependência do comércio e ao seu espaço político mais limitado. Em comparação com outras regiões, o continente africano deverá sofrer as maiores perdas económicas decorrentes da grave fragmentação”. Sublinhou.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.