
Perspectivas globais: Economia mostra resiliência, mas desafiada pelo fraco crescimento e pelo aprofundamento das divergências – FMI
As perspectivas económicas revelam que a economia mundial demonstrou uma resiliência notável e o primeiro semestre de 2023, trouxe mesmo boas notícias, em grande parte devido à procura de serviços mais forte do que o esperado e aos progressos tangíveis na luta contra a inflação. Isto de acordo com o FMI
Essa tendência, segundo a instituição, aumenta as chances de uma aterrissagem suave para a economia global. “Mas não podemos baixar a guarda”, apelou a Directora- Geral Kristalina Georgieva, que considera que embora a recuperação dos choques dos últimos anos continue, a mesma ocorre de forma “lenta e desigual”
As previsões actualizadas do FMI indicam que o actual ritmo de crescimento global permanece bastante fraco, bem abaixo da média de 3,8% nas duas décadas anteriores à pandemia. E olhando para o futuro, a médio prazo, as perspectivas de crescimento enfraqueceram ainda mais.
No entanto, existem diferenças marcantes na dinâmica de crescimento. Um impulso mais forte vem dos Estados Unidos. A Índia e várias outras economias emergentes, incluindo a Costa do Marfim, são pontos positivos . Entretanto, a maioria das economias avançadas está a abrandar. Na China a actividade económica está abaixo das expectativas e muitos países enfrentam um crescimento anémico.
Para o FMI uma das grandes ameaças actuais ao crescimento económico é a fragmentação económica que ameaça minar ainda mais as perspectivas de crescimento, especialmente para as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo África.
A situcao tem estado a resultar num aprofundamento da divergência nas fortunas económicas entre e dentro de diferentes grupos de países.
Parte disso vem de “cicatrizes económicas”, tal como designou a Directora- Geral Kristalina Georgieva.
O FMI estima que a perda acumulada da produção global resultante de choques sucessivos desde 2020 ascenda a 3,7 biliões de dólares em 2023.
Uma perda que está distribuída de forma desigual entre os países. Os EUA são a única grande economia onde a produção regressou à trajetória anterior à pandemia. O resto do mundo ainda está abaixo da tendência, sendo os países de baixo rendimento os mais atingidos devido a sua capacidade extremamente limitada para proteger as suas economias e apoiar os mais vulneráveis.
A divergência também é motivada por diferenças no espaço político e nos fundamentos macroeconómicos, no grau de dependência das importações de combustíveis e alimentos, na proporção de bens versus serviços na economia, no papel do comércio, na dinâmica das reformas e no ritmo da luta contra inflação – com todos estes factores a afectarem as escolhas políticas de ambos os países e o seu desempenho económico.
Políticas para um crescimento futuro mais forte
Dadas estas tendências divergentes, o FMI reclama para si um papel importante a desempenhar para ajudar os países a identificar escolhas políticas e a prosseguir estratégias de crescimento bem-sucedidas, destacando três prioridades políticas,
omeadamente, reforçar a estabilidade económica e financeira, onde o combate a inflação é a prioridade número um. “Graças às acções decisivas dos bancos centrais e às políticas orçamentais responsáveis, a inflação está a diminuir na maioria dos países, mas é provável que permaneça acima da meta, para alguns países até 2025. A inflação elevada mina a confiança dos consumidores e dos investidores, desgastando as bases para o crescimento e, acima de tudo, prejudica mais as pessoas mais pobres da sociedade”. Diz Kristalina Georgieva.
Para a responsável “vencer a luta contra a inflação exige que as taxas de juro permaneçam mais elevadas durante mais tempo”
“ É fundamental evitar uma flexibilização prematura da política, dado o risco de um ressurgimento da inflação”. Alertou Georgieva.
De acordo com o FMI, é precisa [também] salvaguardar a estabilidade financeira .
“As expectativas de uma “aterragem suave” ajudaram a impulsionar vários preços de activos. Mas uma rápida reavaliação destas perspectivas – com o ressurgimento repentino da inflação – poderá levar a um forte aperto das condições financeiras, afectando duramente os mercados e as economias. Alerta o FMI.
A instituição de Bretton Woods considera que no momento actual as economias enfrentam riscos significativos do lado fiscal, pelo que é preciso reconstruir a margem de manobra orçamental dos países. “Na maioria dos casos, isto significa uma política fiscal mais restritiva – que também pode apoiar a política monetária onde as pressões inflacionistas ainda são fortes”, propõe o FMI
“Os riscos são elevados, porque os choques dos últimos anos causaram um novo aumento dos encargos da dívida em muitos países, incluindo em África . Com pouco ou nenhum espaço fiscal restante – e com custos crescentes do serviço da dívida – muitos governos enfrentam decisões difíceis. Significa priorizar os gastos e comunicar planos fiscais claros de médio prazo para construir credibilidade e reduzir os níveis de dívida”, disse a a Directora- Geral Kristalina Georgieva .
Essa sirtucao, segundo o FMI, conduz a uma segunda prioridade política: lançar as bases para um crescimento inclusivo e sustentável através de reformas transformacionais e da construção de instituições estatais fortes, o que, por sua vez, conduz à terceira prioridade política, que é, aumentar a resiliência colectiva através da cooperação internacional.
“Precisamente no momento em que mais precisamos dela, a cooperação está a enfraquecer . As pontes que ligam os países estão a corroer-se à medida que aumentam as barreiras ao comércio e ao investimento”. Disse Kristalina Georgieva.
“Um mundo fragmentado é especialmente desafiador para os países emergentes e em desenvolvimento, devido à sua maior dependência do comércio e ao seu espaço político mais limitado. Em comparação com outras regiões, o continente africano deverá sofrer as maiores perdas económicas decorrentes da grave fragmentação”. Sublinhou.
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