Petróleo Aproxima-se de Máximos de Sete Meses com Tensões EUA–Irão e Incerteza Tarifária

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Brent sobe para 72,08 USD e WTI para 66,88 USD, num movimento impulsionado por risco geopolítico no Médio Oriente e renovada volatilidade na política comercial norte-americana.

Questões-Chave:
  • Brent sobe 0,8% para 72,08 USD por barril;
  • WTI avança 0,9% para 66,88 USD;
  • Preços atingem níveis mais altos desde final de Julho/início de Agosto;
  • Tensões EUA–Irão dominam dinâmica de risco;
  • Incerteza tarifária reforça preocupações sobre procura global.

Os preços do petróleo avançaram esta terça-feira (24), aproximando-se de máximos de sete meses, num movimento impulsionado sobretudo por tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irão, enquanto a incerteza comercial norte-americana acrescenta uma camada adicional de volatilidade.

O Brent Crude subiu 59 cêntimos, ou 0,8%, para 72,08 dólares por barril, negociando no nível mais elevado desde 31 de Julho. Já o West Texas Intermediate (WTI) avançou 57 cêntimos, ou 0,9%, para 66,88 dólares, o valor mais firme desde 1 de Agosto.

Geopolítica faz “heavy lifting” nos preços

Segundo Priyanka Sachdeva, analista sénior da Phillip Nova, “nesta fase, a geopolítica está claramente a fazer o trabalho pesado nos preços do petróleo”, sublinhando que a actual firmeza resulta mais de antecipação de risco do que de perdas reais de oferta.

Os Estados Unidos e o Irão deverão realizar uma terceira ronda de negociações nucleares esta quinta-feira, em Genebra, conforme anunciado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã. O contexto permanece tenso: Washington exige que Teerão abandone o seu programa nuclear, exigência que o Irão rejeita.

A retirada de pessoal não essencial da embaixada norte-americana em Beirute reforçou as preocupações quanto à possibilidade de escalada militar no Médio Oriente. O Presidente Donald Trump advertiu que será “um dia muito mau” para o Irão caso não seja alcançado um acordo.

Intervalo técnico sob pressão

Do ponto de vista técnico, Tony Sycamore, analista da IG, observou que o crude tem permanecido no topo do intervalo de negociação que definiu os últimos seis meses, entre 55 e 66,50 dólares no caso do WTI.

Uma quebra sustentada acima desse intervalo poderá abrir espaço para ganhos adicionais em direcção à zona dos 70–72 dólares. Em sentido inverso, sinais claros de desescalada no Médio Oriente poderiam desencadear uma correcção para níveis próximos dos 61 dólares.

Comércio global adiciona ruído macroeconómico

Paralelamente, a política comercial dos Estados Unidos volta a injectar incerteza no mercado energético. Após o Supremo Tribunal ter invalidado tarifas de emergência impostas pela administração Trump, o Presidente anunciou novo aumento tarifário temporário de 10% para 15% sobre importações, ameaçando ainda taxas mais elevadas sob outros enquadramentos legais.

Analistas do UOB Bank alertaram que esta nova ronda de tarifas poderá criar incerteza quanto ao crescimento global e à procura por combustíveis, factor estruturalmente sensível para o mercado petrolífero.

O crude encontra-se, assim, num ponto de inflexão: suportado por risco geopolítico crescente, mas simultaneamente exposto à incerteza macroeconómica e comercial. A evolução das negociações EUA–Irão e a trajectória da política tarifária norte-americana serão determinantes para definir se o Brent consolidará acima dos 72 dólares ou se regressará a um intervalo lateral nas próximas semanas.

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