Petróleo Cai 1,5% Com Expectativas de Acordo EUA–Rússia–Ucrânia e Dúvidas Sobre Cortes da Fed

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Questões-Chave:
  • O preço do Brent caiu 1,5% para 62,42 dólares, acumulando terceira sessão consecutiva de perdas;
  • Esperança de um entendimento entre EUA, Rússia e Ucrânia aumenta a percepção de oferta adicional no mercado global;
  • Sanções dos EUA sobre Rosneft e Lukoil pressionam o sentimento, mas analistas duvidam da sua eficácia;
  • O fortalecimento do dólar e a redução das expectativas de cortes de juros pela Fed diminuem o apetite pelo risco;
  • Analistas alertam para vários “ventos contrários” que poderão manter a pressão nos preços nas próximas semanas.

O petróleo voltou a cair na sexta-feira, prolongando para uma terceira sessão consecutiva a sequência de perdas, numa descida de 1,5% que reflecte as expectativas de um possível acordo de paz envolvendo os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia, bem como a crescente incerteza sobre cortes de juros pela Reserva Federal. O Brent recuou para 62,42 dólares por barril, enquanto o WTI desceu para 57,97 dólares, ampliando as perdas semanais superiores a 2,5%. 

O mercado petrolífero abriu a sessão em queda acentuada, pressionado pela possibilidade de um avanço diplomático entre Moscovo e Kiev. De acordo com a Reuters, Washington tem intensificado esforços para a construção de um plano de paz tripartido que poderia alterar significativamente as expectativas de oferta global, numa altura em que as sanções norte-americanas às petrolíferas russas Rosneft e Lukoil entram formalmente em vigor. 

Analistas da Saxo Bank explicaram que “o petróleo prolongou a tendência de queda depois de Zelenskiy ter concordado em trabalhar num plano de paz redigido pelos EUA e pela Rússia”, acrescentando que o desencadear das sanções aumenta a incerteza no curto prazo.
Ainda assim, nota o relatório, o impacto real das sanções permanece incerto. Lukoil, por exemplo, tem até 13 de Dezembro para alienar o seu portfólio internacional, e alguns analistas consideram que a eficácia das restrições poderá ser limitada.

O sentimento nos mercados deteriorou-se igualmente devido ao desempenho fraco das bolsas norte-americanas e ao fortalecimento do dólar, que encarece as matérias-primas cotadas na moeda norte-americana. Para investidores que operam noutras divisas, o petróleo torna-se relativamente mais caro, o que reduz a procura.

A incerteza monetária dos EUA ampliou o pessimismo. A probabilidade de um corte de juros pela Reserva Federal em Dezembro caiu de cerca de 90% para apenas 35%, segundo dados do CME FedWatch citados na análise da OANDA. O especialista Kelvin Wong alertou que as expectativas mais restritivas da Fed criam uma pressão adicional sobre o consumo de petróleo, num contexto de actividade económica global menos dinâmica. 

A combinação de factores geopolíticos, monetários e de mercado levou a um movimento sincronizado de venda, com analistas a avisarem que as próximas semanas poderão ser marcadas por maior volatilidade e pressão descendente. O fraco apetite pelo risco, associado à perspectiva de oferta adicional no mercado global, mantém o Brent abaixo de 63 dólares, apagando a maior parte dos ganhos registados na semana anterior.

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