Petróleo dispara com escalada da guerra EUA-Irão e paralisação do Estreito de Ormuz

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Conflito militar, interrupções logísticas e suspensão de exportações de gás do Qatar elevam receios de choque energético global

Questões-Chave:
  • Preço do Brent sobe acima dos 83 dólares por barril em reacção à escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão;
  • Tráfego petrolífero no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do consumo energético mundial, aproxima-se de uma paralisação;
  • Iraque corta produção em cerca de 1,5 milhões de barris por dia por falta de capacidade de armazenamento e rotas de exportação;
  • Qatar declara força maior nas exportações de gás natural liquefeito, agravando o risco para os mercados energéticos globais;
  • Cerca de 329 navios petrolíferos permanecem retidos no Golfo, segundo estimativas da J.P. Morgan.

Mercado reage imediatamente à escalada militar

Os preços do petróleo voltaram a subir nos mercados internacionais esta quinta-feira, reflectindo a crescente preocupação dos investidores com a intensificação do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, que ameaça interromper fluxos energéticos vitais provenientes do Médio Oriente.

Nos mercados asiáticos, o Brent, referência internacional, avançou 1,67 dólares (2,05%), atingindo 83,07 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) registou uma subida de 1,94 dólares (2,60%), negociando em 76,60 dólares por barril.

A valorização ocorre num contexto de forte tensão geopolítica, após um ataque norte-americano contra um navio militar iraniano ao largo do Sri Lanka, episódio que contribuiu para ampliar o confronto entre os dois países.

Estreito de Ormuz quase paralisado

O elemento mais sensível para os mercados energéticos globais é a situação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

Este corredor marítimo é responsável pelo transporte de cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo e gás, ligando os principais produtores do Golfo aos mercados internacionais.

Contudo, segundo informações de operadores marítimos, o tráfego na região encontra-se praticamente interrompido pelo quinto dia consecutivo, à medida que as hostilidades entre Washington e Teerão aumentam os riscos para a navegação.

A agência britânica de operações comerciais marítimas relatou inclusive uma grande explosão nas proximidades do Kuwait, observada por um petroleiro ancorado a cerca de 30 milhas náuticas do porto de Mubarak Al Kabeer.

Produção e exportações energéticas afectadas

A instabilidade regional já começa a afectar directamente a oferta global de energia.

O Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), reduziu a sua produção em aproximadamente 1,5 milhões de barris por dia, devido à incapacidade de armazenar petróleo adicional e à falta de rotas seguras para exportação.

Ao mesmo tempo, o Qatar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações de gás, sinalizando que o retorno aos níveis normais de produção poderá demorar pelo menos um mês.

A combinação entre interrupções logísticas e redução da produção reforça o receio de um choque energético global, num momento em que a procura internacional permanece relativamente robusta.

Centenas de navios presos no Golfo

De acordo com uma análise da J.P. Morgan, cerca de 329 navios petrolíferos encontram-se actualmente retidos na região do Golfo, aguardando condições de segurança para retomar as operações.

Embora o Irão tenha evitado, até ao momento, ataques directos às principais infra-estruturas energéticas da região, o risco para a navegação permanece extremamente elevado.

O banco de investimento sublinha que o principal constrangimento actual não é geológico, mas logístico, destacando que muitos campos petrolíferos poderiam retomar a produção rapidamente caso as rotas de transporte fossem normalizadas.

Choque energético pode pressionar inflação global

Historicamente, conflitos no Médio Oriente tendem a provocar reacções rápidas nos mercados energéticos.

Sempre que ocorrem guerras ou tensões militares envolvendo produtores de petróleo, os preços do crude e do gás natural registam aumentos significativos, com impactos directos na inflação, nos custos de transporte e no crescimento económico global.

Caso a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz se prolongue, analistas alertam que os mercados poderão enfrentar um novo ciclo de volatilidade energética, com repercussões sobre cadeias de abastecimento e políticas monetárias em várias economias.

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