
Petróleo estável: Impacto de tempestades nos EUA e estímulo desapontante da China marcam o mercado
Nesta segunda-feira, 11/11, os preços do petróleo mantiveram-se relativamente estáveis nos principais mercados globais, com o Brent cotado a US$73,78 por barril e o WTI a US$70,23 por barril. Após uma queda de mais de 2% na última sexta-feira, a estabilização dos preços é consequência da diminuição das preocupações iniciais com as potenciais interrupções no fornecimento causadas pela tempestade Rafael no Golfo do México, que ameaçou parte da produção de petróleo e gás natural dos EUA. Mais de um quarto da produção de petróleo e 16% da produção de gás natural na região foram temporariamente suspensas, mas as previsões apontam para uma recuperação gradual sem impactos significativos no fornecimento a longo prazo.
Outro factor que influenciou o mercado foi o mais recente pacote de estímulos anunciado pela China, que não correspondeu às expectativas dos investidores. A China, o segundo maior consumidor mundial de petróleo, vinha sendo esperada como uma das principais forças para impulsionar a demanda global de petróleo. Contudo, o novo estímulo, focado em sectores como habitação e consumo, não trouxe o impulso necessário para reavivar a procura por petróleo. “As últimas medidas de apoio não vão reavivar o crescimento da procura de petróleo na China nem as importações de petróleo bruto”, avaliou Tamas Varga, analista da correctora de petróleo PVM.
Em 2024, a China enfrentou um crescimento económico mais moderado, o que impactou diretamente a demanda por petróleo. Este cenário é agravado pelo aumento de veículos eléctricos, que substituem o consumo de gasolina, e pela crescente utilização de gás natural como alternativa ao gasóleo em camiões . O analista de mercado Tony Sycamore também comentou que o estímulo modesto sinaliza incerteza quanto ao crescimento da procura de petróleo no país asiático, o que acaba influenciando o sentimento do mercado de energia em escala global.
Nos Estados Unidos, a recente eleição de Donald Trump reacendeu debates sobre as sanções à produção de petróleo de países da OPEP, como o Irão e a Venezuela, que poderiam influenciar a oferta global. A expectativa é que o novo governo intensifique as tarifas de importação e possa tomar medidas restritivas contra produtores estrangeiros, o que poderia ter um efeito direto sobre o preço do petróleo. No entanto, Tim Evans, da Evans Energy, adverte que os produtores norte-americanos podem repensar expansões em um cenário de preços instáveis e metas de produção gradual da OPEP+, planejadas para 2025.
O mercado de petróleo continua a refletir uma mistura de influências globais e expectativas que limitam aumentos significativos no curto prazo, mesmo com mudanças no cenário político e novas políticas de estímulo económico.
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