Petróleo Sobe 1,5% Após Aumento Inferior ao Esperado da Produção da OPEP+

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  • Temores de Excesso de Oferta e Procura Fraca Limitam Ganhos de Curto Prazo no Mercado
Questões-Chave:
  • OPEP+ decide elevar a produção em 137 mil bpd em Novembro, repetindo o incremento de Outubro;
  • A decisão foi considerada mais modesta do que o esperado, contrariando propostas internas por um aumento mais expressivo;
  • Brent sobe 1,4% para 65,44 USD e o WTI avança 1,5% para 61,77 USD;
  • Rússia defendeu o aumento moderado para evitar pressão sobre os preços, enquanto a Arábia Saudita preferia aceleração da oferta;
  • Sanções ocidentais e ataques ucranianos a refinarias russas condicionam o equilíbrio de mercado;
  • Analistas alertam para uma procura enfraquecida e excesso sazonal de oferta no quarto trimestre.

Os preços do petróleo subiram cerca de 1,5% na segunda-feira, depois de a OPEP+ anunciar um aumento mais modesto da produção para Novembro do que o antecipado pelos mercados. A decisão visa mitigar a recente queda nas cotações e estabilizar o mercado, ainda que os analistas alertem para um cenário de fraca procura e potenciais excessos de oferta no curto prazo.

De acordo com o anúncio de domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados, liderados pela Rússia, decidiram manter o incremento mensal de 137 mil barris por dia (bpd) em Novembro — o mesmo valor de Outubro —, contrariando expectativas de uma expansão maior para recuperar quota de mercado.

Fontes internas indicaram que Moscovo pressionou por uma abordagem cautelosa, temendo um impacto negativo sobre os preços, enquanto Riade defendia um aumento duas a quatro vezes superior.

Segundo a ANZ Bank, o ajustamento “é gerível, considerando as interrupções de fornecimento e o aperto das sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Europa contra a Rússia e o Irão”.

Entretanto, ataques ucranianos continuaram a visar infra-estruturas energéticas russas, incluindo a refinaria de Kirishi, uma das maiores do país, com capacidade anual superior a 20 milhões de toneladas.

Os ministros das Finanças do G7 anunciaram novas medidas para aumentar a pressão sobre Moscovo, incluindo sanções adicionais a intermediários que facilitem a compra de petróleo russo.

Apesar do alívio inicial nos preços, especialistas anteveem limites aos ganhos de curto prazo. “Com a ausência de catalisadores optimistas e uma crescente incerteza sobre a procura, o mercado deverá permanecer contido”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista sénior da Phillip Nova.

A época de manutenção de refinarias, que se intensifica neste trimestre, deverá reduzir temporariamente a procura por crude. “À medida que a estação de transição avança, o aumento das paragens para manutenção criará um excedente significativo, pressionando novamente as cotações”, alertou a BMI numa nota a clientes.

A decisão da OPEP+ reflete uma postura de prudência estratégica, procurando equilibrar os riscos de queda dos preços com a necessidade de preservar receitas e quota de mercado. No entanto, com a procura global em abrandamento e os receios de excesso de oferta persistentes, o mercado do petróleo mantém-se num ponto de inflexão, sensível a evoluções geopolíticas e à trajectória macroeconómica mundial.

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