Quo vadis BNI?

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Em 10 anos de percurso institucional, o BNI já contornou o cabo das tormentas e segue agora pela via da boa esperança

Criado dentro de uma certa lógica e contexto das relações Moçambique-Portugal, em 2010, perspectiva que viria a ser abandonada por razões conjunturais, o BNI foi praticamente refundado, em 2012, na sequência da Modificação da Estrutura Accionista, com o Estado, através do IGEPE a passar controlar 100% do capital.

Assim, o BNI tornou-se banco do Estado e vira-se para o segmento de banca de desenvolvimento em complemento a actividade da banca de investimento.

Quando o Presidente da República anuncia no seu discurso de investidura do seu segundo mandato que pretende promover a constituição de uma instituição financeira de desenvolvimento, com participação significativa do Estado, para financiar em termos concessionais de prazo e juro, empreendimentos e negócios , incluindo linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, vaticina-se a  terceira fundação do BNI, no qual o BNI poderá despoletar todo o seu potencial e toda a sua vocação, atendendo a maturidade que já demonstrou e a eficiência com que prossegue as sua actividades, antevendo-se que, nesta espécie de terceira via, a via do bom auguro, o BNI passe a receber dotações orçamentais do seu accionista, o Estado Até a data em que o BNI vai celebrar os seus 10 anos de existencia, a 20 de Junho, a COVID-19 continuará a estar no centro das atenções mundiais em resultado dos efeitos avassaladores que esta pandemia está a inflingir nas principais economias e pracas financeiras mundiais. A paralisação económica é de tal ordem que ja está a afectar as principais commodities, vaticinando-se desde já uma recessão económica mundial. Contudo, para o BNI, os 10 anos antecedentes a esta crise de saúde pública mundial foram marcados por  sistemáticos  testes de stress aos quais passou com distinção, afirmando-se e consolidando o seu posicionamento, bem como mantendo uma trajectória de crescimento contínuo e sustentado, o que reforça a confiança do mercado e do accionista, requisito importante para garantir a satisfação dos seus clientes, parceiros e colaboradores e plena realização do seu potencial e da sua vocação.

Com efeito, ao longo dos oito anos de actividade operacional, o BNI gerou lucros anuais consecutivos no valor global de 1.143 milhões de meticais, não obstante o ambiente macroeconómico adverso prolongado.

O accionista, o Estado neste caso, recolheu dividendos no valor total de 165 milhões meticais a partir de 2014. O volume de activos aumentou em 144%, os capitais próprios incrementam em 33% com a incorporação de resultados não distribuídos de anos anteriores e concedeu financiamentos ao sector produtivo no montante de 5 mil milhões de meticais, com destaque para o sector do agro-negócio e indústria.

EM 10 anos de existencia, o BNI registou indicadores regulamentares bastante satisfatórios, como é  o caso do rácio de solvabilidade de 32.10%, rácio de liquidez de 185%, rácio de alavancagem financeira regulamentar determinado pela proporção de capitais próprios sobre o activo total de 50.3%, indicando uma forte capitalização do Banco em relação a média do sector bancário.

A perfomance do BNI não possou incólume à crítica especializada, o que lhe valeu direito a reconhecimentos e distinções. O BNI colectou para sua sala de trófeus, ao longo do período em referência, o Primeiro Lugar no Ranking dos Bancos mais eficientes, pelo indicador  “rácio  de eficiência”, da pesquisa “As 100 Maiores Empresas de Moçambique- Edição 2016, da KPMG” e Relatório da Pesquisa do Sector Bancário de Moçambique, Edição 2016 – medido pelos Custos de Estrurura sobre Produto Bancário e a Publicação “THE EUROPEAN – Global Banking & Finanance Awards 2109, a qual atribuiu ao banco o galardão “Best Investment BankMozambique”.

Tomás Matola recebeu o testemunho de Adriano Maleiane e fez a grande parte desta corrida de obstáculos, cortando a meta e estabelecendo vários recordes.

O futuro? Relegioso que é, Tomás Matola, esconde-se na resposta, “ao futuro Deus pertence”, mas como desportista que também é, sente-se com estofo e motivação para promover mais um ciclo de vitórias e recordes para o BNI, acreditando que, desta vez, poderá o fazer com ventos mais favoráveis a fazer fé no discurso do Presidente da República que abre novas perspectivas para o banco. Como economista e gestor, afirma que o ADN do BNI não deverá mudar essencialmente. A criatividade, agilidade e reinvenção continuam, pois vive-se um período de ciclos económicos cada vez mais curtos e intensos, que existem ajustamentos contínuos, monitoria sistemática do ambiente envolvente e iniciativas inovadoras.

Sobre as PME´s, o líder do BNI revela que já tem tudo preparado para atender com prontidão e eficiência aos desafios que este segmento apresenta e as expectativas existentes. A solução chama-se BNI Capital.

BNI suprime falta de fundos públicos com Empréstimos Obrigacionistas

O BNI é um banco destinado a promover o desenvolvimento do país através do financiamento de infraestruturas e sectores produtivos, gerir e repassar fundos de desenvolvimento para a economia.

Por sua vocação, o BNI deve igualmente reforçar a capacidade das empresas e/ou projectos nacionais, assessorar empresas e/ou projectos com impacto no  desenvolvimento e dinamizar o mercado de capitais como alternativa de financiamento às empresas e/ou projectos nacionais.

Porém, para o banco, o cumprimento destes objectivos exige um grande “Jogo de Cintura”. Este facto deve-se a falta de fundos públicos como dotações orçamentais, principal fonte de recursos de um banco de desenvolvimento, o que obriga a instituição a recorrer única e exclusivamente a empréstimos obrigacionistas e a linhas de crédito de seus parceiros internacionais para se financiar tanto em meticais como em moeda externa, pois, pela sua natureza, o BNI não capta depósitos como os bancos comerciais. Estes factos constituiram desafios que exigiram da administração muita criatividade para assegurar a sustentabilidade financeira do banco em meio aos desafios macroeconómicos em que o BNI trabalhou.

Ambiente macroeconómico

Até o ano de 2014,  a  economia mundial estava marcada pela prevalência dos efeitos adversos da crise financeira internacional iniciada em 2008/9 e crise financeira na Europa. Crescimento economico lento, elevadas taxas de desemprego, incerteza e falta de confiança nos mercados financeiros constituram as principais características deste período.

Já nos princípios do ano de 2015, a crise económica mundial que afectava sobretudo as maiores economias do mundo, começou a dar sinais de contágio à economia moçambicana que vinha registando níveis de crescimento de 7.5% ano, acima da média da região e do mundo.

A Economia mocambicana foi directa e negativamente impactada com a queda de consumo na China, a instabilidade política de alguns países produtores de petróleo e o excesso de oferta, queda do preço das commodities.

Como consequência, o volume e valor das principais exportações moçambicanas caiu, gerando a excassez de divisas na economia.

Este cenário foi agravado por factores internos como a insustentabilidade da dívida pública, instabilidade político-militar e as calamidades. Este ambiente, resultou em derrapagem do metical face as principais moedas de transacção. Agravou a inflação e gerou uma crise de liquidez no sistema financeiro moçambicano.

Para o BNI, a situação de incertezas manteve-se nos anos subsequentes 2016, 2017 e 2018, expondo a economia moçambicana a desafios significativos que limitaram uma aceleração mais robusta. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) para níveis de crescimento em média cerca de 3,4% nos últimos três anos, foi o reflexo directo da instabilidade económica resultante da combinação de factores internos e externos.

Não podendo estar imunes dessa situação, particularmente ao enfraquecimento do sector privado, que de modo particular afectou directa e indirectamente as instituições financeiras, diz o BNI, o seu o desempenho foi largamente atingido pelo fraco desempenho da economia moçambicana, pois, “as dificuldades enfrentadas pelas empresas condicionaram a capacidade destas de continuar a honrar as suas obrigações com normalidade”.

Segundo o BNI, este facto deveu-se ao desajustamento entre os seus cashflows e as prestações que tinham subido por conta da altas taxas de juro.

Esta situação obrigou o banco a implementar uma série de restruturações acompanhadas de reforços de provisões e imparidades, o que afectou o desempenho da carteira de crédito no segmento de banca de desenvolvimento.

O segmento de banca de investimento também foi abalado com falhas no cumprimento de alguns mandatos de assessoria devido à mudança de planos das empresas que precisavam de se ajustar à nova realidade.

Para se livrar do problema causado pelo ambiente económico áspero, a equipa do Conselho de Administração adoptou uma estratégia de prudência.

As medidas tomadas centraram-se em três eixos, designadamente, a eficiência operacional, a gestão prudente de riscos e a diversificação das fontes de receita.

“Foi a articulação destes três eixos que resultou numa abordagem operacional bem-sucedida o que nos permitiu lograr resultados positivos durante o período em referência, e conservar indicadores económicos e financeiros confortáveis, como são os casos da rentabilidade dos acti- vos, do rácio de liquidez, da robustez dos fundos próprios e do nível de adequação de capital, dados que confirmam a resiliência e solidez financeira do banco”, conclui o BNI.

Estratégia de actuação

Desta forma, o BNI indica que registou um desempenho positivo resultante do elevado nível de cumprimento das metas contidas no Plano Estratégico, e por outro, a difícil conjuntura macroecómica do país que requereu do lado do banco, muita criatividade, coragem e muito empenho e dedicação.

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