Lucros Do Millennium bim Caem 94% Em 2025 Sob Pressão De Imparidades E Ambiente Económico Adverso

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  • Banco encerrou o exercício com resultado líquido de apenas 201 milhões de meticais, enquanto o crédito vencido, o custo do risco e as imparidades agravaram-se significativamente num contexto marcado por desaceleração económica e pressão financeira.
Questões-Chave:
  • Resultado líquido do Millennium bim caiu de 3,3 mil milhões para 201 milhões de meticais em 2025;
  • Banco registou forte agravamento das imparidades de crédito e dos activos financeiros;
  • Crédito vencido acima de 90 dias aumentou 25% durante o exercício;
  • Produto bancário cresceu 6,4%, impulsionado pela margem financeira e serviços;
  • Custos operacionais e pressão macroeconómica deterioraram rentabilidade e eficiência.

O Millennium bim encerrou o exercício financeiro de 2025 com uma queda acentuada da rentabilidade, num ano marcado por deterioração da qualidade de crédito, aumento expressivo das imparidades e um ambiente macroeconómico particularmente desafiante.

De acordo com o Relatório e Contas 2025 do banco, o resultado líquido caiu 94%, passando de 3,309 mil milhões de meticais em 2024 para apenas 201 milhões de meticais em 2025. A instituição atribui o desempenho sobretudo ao aumento das imparidades de crédito, à deterioração de determinados segmentos da carteira e ao reforço de provisões sobre activos financeiros.

Imparidades E Custo Do Risco Penalizam Exercício

Um dos principais factores que pressionaram os resultados foi o agravamento das imparidades de crédito.

A imparidade associada ao crédito subiu de 178 milhões para 1,840 mil milhões de meticais, enquanto o custo do risco aumentou de 38 para 348 milhões de meticais, reflectindo o aumento da probabilidade de incumprimento em alguns segmentos da carteira de clientes.

Paralelamente, as imparidades de activos financeiros aumentaram significativamente, passando de 2,373 mil milhões para 4,560 mil milhões de meticais. O relatório associa esta evolução sobretudo à exposição do banco a títulos do Tesouro e ao agravamento do risco soberano.

O banco refere ainda que o ‘downgrade’ da notação da dívida pública moçambicana pela agência Standard & Poor’s teve impacto directo no reconhecimento de imparidades adicionais sobre activos financeiros ligados ao Estado.

Qualidade Da Carteira Continua Sob Pressão

O relatório mostra igualmente um agravamento da qualidade da carteira de crédito.

O crédito vencido acima de 90 dias aumentou 25%, passando de 1,120 mil milhões para 1,319 mil milhões de meticais, enquanto o rácio de crédito vencido sobre o total da carteira permaneceu elevado.

Apesar deste contexto, o banco afirma ter mantido uma política prudente de gestão e acompanhamento do risco de crédito, procurando assegurar níveis adequados de cobertura e mitigação de perdas potenciais.

Produto Bancário Cresce Apesar Do Ambiente Difícil

Mesmo num contexto adverso, o Millennium bim conseguiu aumentar o produto bancário em 6,4%, atingindo 19,229 mil milhões de meticais.

O crescimento foi sustentado sobretudo pela margem financeira, que aumentou devido ao crescimento das operações financeiras, bem como pela expansão das receitas de serviços e comissões.

A carteira de crédito bruto cresceu igualmente, passando de 47,070 mil milhões para 52,920 mil milhões de meticais, impulsionada principalmente pelo financiamento a particulares para aquisição de habitação e bens de consumo.

Os sectores da electricidade, água, gás e alimentação também contribuíram para o crescimento da carteira empresarial.

Custos Operacionais Continuam Aumentar

Os custos operacionais agravaram-se 7,4%, fixando-se em 9,752 mil milhões de meticais.

Segundo o banco, o aumento reflecte sobretudo o crescimento dos custos com pessoal, despesas ligadas à manutenção tecnológica, amortizações e investimentos associados à estratégia de transformação digital.

O rácio de eficiência deteriorou-se ligeiramente, passando de 50,2% para 50,7%, reflectindo a pressão simultânea do aumento dos custos e da desaceleração da rentabilidade.

Banco Aponta Ambiente Macroeconómico Difícil

Na análise financeira apresentada no relatório, o Millennium bim refere que 2025 foi marcado por um ambiente macroeconómico exigente, caracterizado por pressões fiscais, inflação persistente, custos elevados de financiamento e desaceleração da actividade económica.

O banco destaca igualmente que o Banco de Moçambique iniciou um ciclo de redução da taxa de política monetária ao longo do ano, procurando estimular a actividade económica num contexto de desaceleração inflacionária.

Apesar do contexto adverso, a instituição afirma ter prosseguido a estratégia de expansão da base de clientes, reforço da digitalização e diversificação das fontes de receita, procurando preservar a resiliência operacional e financeira.

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