
Banco Mundial Defende Agricultura Como Motor De Emprego E Crescimento Inclusivo Em Moçambique
- Rinku Murgai afirma que os resultados do CAP 2023/24 deverão servir para orientar investimentos, fortalecer cadeias de valor e acelerar a transformação estrutural da agricultura moçambicana.
- Banco Mundial considera o CAP 2023/24 uma operação estratégica para transformação económica de Moçambique;
- Rinku Murgai defende utilização dos dados do censo para impulsionar agronegócio, investimento e criação de emprego;
- Novo quadro de parceria com Moçambique aposta em cadeias de valor agrícolas, energia e corredores de desenvolvimento;
- Banco Mundial quer mobilizar capital privado através da iniciativa AgriConnect;
- Resultados do CAP evidenciam desafios estruturais, mas também elevado potencial agrícola do país.
A Gestora de Prática da Pobreza e Igualdade do Banco Mundial, Rinku Murgai, defendeu esta quarta-feira que a agricultura moçambicana poderá assumir um papel muito mais relevante na transformação económica do país, desde que sejam fortalecidas as bases estatísticas, os corredores logísticos, o acesso ao investimento privado e as cadeias de valor ligadas ao agronegócio.
A posição foi apresentada durante a divulgação dos resultados definitivos do III Censo Agro-Pecuário (CAP 2023/24), ocasião em que Rinku Murgai classificou a operação estatística como “uma iniciativa histórica para o País”.
Segundo a responsável, o novo CAP representa muito mais do que um simples exercício técnico de recolha de dados, constituindo antes “um investimento estratégico do Estado moçambicano em conhecimento e evidência”, capaz de apoiar políticas públicas, orientar investimentos, promover criação de emprego e melhorar as condições de vida de milhões de moçambicanos dependentes da agricultura.
A intervenção acabou por introduzir uma dimensão mais económica e estratégica ao debate em torno do censo, associando directamente a qualidade da informação estatística à capacidade do país atrair investimento, dinamizar cadeias produtivas e acelerar o crescimento inclusivo.
Rinku Murgai Defende Agricultura Mais Orientada Para O Mercado
Durante a apresentação, Rinku Murgai reconheceu que, apesar do elevado potencial agrícola de Moçambique, persistem desafios estruturais relacionados com baixa produtividade e limitada transformação económica no meio rural.
“Persistem desafios relacionados com baixos níveis de produtividade e uma limitada transformação estrutural, com muitos produtores ainda inseridos em sistemas agrícolas de baixa eficiência”, referiu.
Neste contexto, explicou que o novo Quadro de Parceria entre o Governo de Moçambique e o Grupo Banco Mundial passa a privilegiar uma abordagem mais orientada para o mercado, com forte enfoque no agronegócio e nas cadeias de valor agrícolas, florestais e pesqueiras.
Segundo detalhou, a nova estratégia estará assente em quatro prioridades principais: reforço da estabilidade macroeconómica, desenvolvimento do capital humano, expansão do acesso à energia e promoção de corredores de desenvolvimento capazes de estimular emprego liderado pelo sector privado.
A agricultura e o turismo surgem como dois dos sectores considerados mais promissores nesse novo quadro estratégico.
Corredor De Nacala Surge Como Plataforma Estratégica
Um dos elementos centrais da intervenção incidiu sobre a aposta do Banco Mundial numa abordagem territorial focada nas províncias do Norte do país e ancorada no Corredor de Nacala.
Segundo explicou Rinku Murgai, o objectivo passa por reforçar ligações logísticas e infra-estruturais que permitam tornar os sistemas agrícolas mais produtivos, competitivos e integrados aos mercados.
O posicionamento reflecte uma visão segundo a qual a transformação agrícola dependerá não apenas da produção em si, mas igualmente da existência de infra-estruturas de transporte, energia, armazenamento, processamento e comercialização.
Ao mesmo tempo, o Banco Mundial anunciou intenção de mobilizar capital privado para apoiar cadeias de valor ligadas ao agronegócio através da iniciativa AgriConnect, recentemente lançada pela instituição.
CAP Passa A Ser Ferramenta Para Investimento E Planeamento
No entendimento do Banco Mundial, o CAP 2023/24 cria uma nova base de evidência capaz de apoiar decisões públicas e privadas de forma muito mais precisa.
“O Censo Agro-Pecuário hoje apresentado oferece uma fotografia abrangente, detalhada e nacionalmente representativa do sector agrário moçambicano”, afirmou Rinku Murgai.
Segundo explicou, os dados recolhidos permitirão identificar cadeias de valor prioritárias, compreender constrangimentos enfrentados pelos produtores, desenhar políticas públicas mais eficazes e fortalecer mecanismos de monitoria e avaliação.
A intervenção converge com o posicionamento apresentado pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, que classificou o CAP como “instrumento estratégico de inteligência económica e territorial”.
O governante defendeu igualmente que nenhuma transformação estrutural consistente pode ser construída “sobre percepções difusas, diagnósticos incompletos ou ausência de evidência”.
Pequenas Explorações Continuam A Dominar Estrutura Agrária
Os resultados do CAP confirmam que a agricultura moçambicana continua fortemente dominada por pequenas explorações familiares.
Segundo os dados apresentados durante o seminário, o país possui cerca de 5,2 milhões de explorações agro-pecuárias, sendo que mais de 5 milhões correspondem a pequenas explorações.
O relatório mostra igualmente que mais de 84% das explorações agrícolas possuem menos de dois hectares, evidenciando limitações associadas à mecanização, irrigação, acesso à assistência técnica e integração comercial.
Ao mesmo tempo, apenas cerca de 17,8% dos 36 milhões de hectares de terra arável disponível no país estão actualmente cultivados.
Para o Banco Mundial, estes números evidenciam simultaneamente os desafios e o potencial ainda existente para aumentar produtividade, comercialização e industrialização agrícola.
Banco Mundial Defende Uso Prático Dos Dados
Na parte final da intervenção, Rinku Murgai advertiu que o verdadeiro valor do censo dependerá da forma como os dados serão utilizados pelas instituições públicas, parceiros, investigadores e sector privado.
“Os dados, por si só, não são suficientes”, afirmou, defendendo que a informação produzida seja efectivamente transformada em políticas concretas, investimentos e melhoria das condições de vida dos agricultores moçambicanos.
A responsável sublinhou ainda que será necessário garantir que os dados produzidos sejam acessíveis, amplamente utilizados e integrados nos processos de tomada de decisão “em todos os níveis”.
No encerramento da intervenção, Rinku Murgai reafirmou o compromisso do Banco Mundial em continuar a apoiar Moçambique no fortalecimento dos sistemas estatísticos e na implementação da agenda de desenvolvimento sustentável e inclusivo.
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