Governo Avança Com Plano De 10 Milhões De Dólares Para Transformar A Apicultura E Reduzir Importações De Mel

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  • Executivo quer estruturar cadeia de valor apícola, fortalecer produção nacional, impulsionar agro-indústria e travar saída de divisas num sector considerado estratégico para o desenvolvimento rural e conservação ambiental.
Questões-Chave:
  • Governo vai investir cerca de 10 milhões de dólares no desenvolvimento da cadeia apícola;
  • Executivo pretende reduzir dependência de importações de mel e fortalecer produção nacional;
  • Projecto financiado pelo Banco Mundial inclui subvenções, capacitação e crédito concessional;
  • Falta de estatísticas fiáveis continua a ser um dos principais entraves ao crescimento do sector;
  • Governo defende organização da cadeia de valor e maior integração das comunidades rurais.

O Governo moçambicano pretende lançar uma nova fase de dinamização da cadeia de valor da apicultura, através de um investimento estimado em cerca de 10 milhões de dólares norte-americanos, numa iniciativa que visa aumentar a produção nacional de mel, reduzir a dependência de importações e estimular a agro-indústria associada ao sector.

O anúncio foi feito pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante as celebrações do Dia Mundial da Abelha, realizadas esta quarta-feira, em Maputo.

Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino

Segundo o governante, o financiamento, apoiado pelo Banco Mundial, enquadra-se num projecto mais amplo de desenvolvimento da economia florestal e terá como foco central o reforço da produção apícola, a capacitação dos produtores, a expansão do processamento local e o fortalecimento da comercialização do mel e derivados.

“Estamos a falar de cerca de 10 milhões de dólares que queremos dedicar especialmente para a apicultura”, afirmou Roberto Albino.

Governo Quer Travar Importações E Valorizar Produção Nacional

A iniciativa surge num contexto em que Moçambique continua a importar mel, apesar do elevado potencial natural e florestal existente no país para o desenvolvimento da actividade apícola.

O Ministro considerou pouco coerente a actual dependência de importações, defendendo uma aposta mais estruturada na produção nacional e na organização do sector.

“Por que vamos gastar divisas que não temos a mandar vir mel dos Emirados Árabes Unidos?”, questionou o governante durante a cerimónia.

A preocupação do Executivo reflecte uma visão económica mais ampla centrada na substituição competitiva de importações, retenção de divisas e fortalecimento das cadeias produtivas internas, sobretudo em sectores ligados ao desenvolvimento rural e à bioeconomia.

Ao mesmo tempo, o Governo considera que a apicultura possui potencial para gerar rendimento local, dinamizar economias comunitárias e aumentar as exportações de produtos apícolas no médio prazo.

Falta De Dados Continua A Limitar Expansão Do Sector

Um dos aspectos mais enfatizados por Roberto Albino foi a ausência de estatísticas consolidadas sobre a cadeia de valor da apicultura em Moçambique, situação que, segundo explicou, limita a definição de políticas públicas e dificulta decisões relacionadas com importações, produção e regulação do mercado.

“Nós não temos estatísticas consolidadas daquilo que se passa na cadeia de valor da apicultura”, afirmou o Ministro.

Neste contexto, o governante lançou um desafio à Associação dos Apicultores e às instituições sectoriais, incluindo a Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia e a Direcção Nacional de Pecuária, para desenvolverem mecanismos eficazes de recolha e organização de dados sobre os diferentes operadores da cadeia.

A intenção é criar uma base de dados nacional que permita conhecer a real capacidade produtiva do país, identificar actores económicos relevantes e estruturar melhor o mercado.

Subvenções E Crédito Concessional Para Dinamizar A Cadeia De Valor

O modelo de financiamento apresentado pelo Executivo prevê duas componentes principais.

A primeira consistirá em subvenções a fundo perdido destinadas às comunidades produtoras, incluindo aquisição de colmeias, equipamento de protecção, formação técnica e apoio operacional às associações e produtores locais.

“Esta é subvenção a fundo perdido para a compra de colmeias, fatos, todo o processo de formação e apoio às comunidades”, explicou o Ministro.

A segunda componente será direccionada à agro-indústria apícola, através de linhas de crédito concessional destinadas ao processamento, certificação, embalagem e transporte de produtos apícolas.

O Executivo entende que o fortalecimento da agro-indústria será determinante para aumentar o valor acrescentado nacional e melhorar a competitividade do mel moçambicano nos mercados interno e externo.

Apicultura Vista Como Instrumento De Desenvolvimento Rural E Conservação Ambiental

Para além da dimensão económica, o Governo destacou igualmente o papel estratégico da apicultura na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável.

Durante as celebrações do Dia Mundial da Abelha, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas sublinhou que as abelhas desempenham uma função fundamental na polinização agrícola e florestal, contribuindo directamente para a segurança alimentar, preservação dos ecossistemas e geração de rendimento nas zonas rurais.

O Executivo considera ainda que o sector pode assumir relevância crescente na promoção da inclusão económica de jovens, mulheres e comunidades rurais, particularmente em regiões com elevado potencial florestal.

Contudo, o Governo reconhece que persistem desafios estruturais importantes, incluindo queimadas descontroladas, desmatamento e uso inadequado de pesticidas, factores que ameaçam os ecossistemas e a sustentabilidade da actividade apícola no país.

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