
Chapo Quer Comercialização Agrícola Como Motor Da Industrialização Rural E Independência Económica
- Presidente da República afirma que a comercialização agrícola deve deixar de ser apenas um mecanismo de escoamento de produtos e transformar-se num instrumento estratégico de industrialização, agregação de valor e independência económica.
- Governo prevê comercializar mais de 14,6 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2026;
- Daniel Chapo defende reorganização estrutural da cadeia de comercialização agrícola;
- Executivo prepara novo Decreto-Lei para ordenar a actividade comercial agrícola;
- Agro-processamento é apontado como pilar da industrialização rural;
- Presidente quer maior protagonismo dos operadores nacionais junto dos produtores.
O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu uma profunda reorganização da comercialização agrícola em Moçambique, considerando que o sector deve assumir-se como instrumento estratégico de transformação económica, industrialização rural e consolidação da independência económica nacional.
Falando durante a cerimónia oficial de lançamento da Campanha de Comercialização Agrícola 2026, realizada no distrito de Ribáuè, província de Nampula, o Chefe do Estado apresentou uma visão mais ampla da agricultura, associando-a não apenas à produção alimentar, mas também à criação de cadeias de valor, emprego, agro-processamento e dinamização da economia nacional.
Sob o lema “Comercialização Agrícola: Dinamizando Negócios e Cadeias de Valor”, a campanha decorre num contexto em que o Executivo procura reposicionar a agricultura como uma das bases centrais da transformação produtiva do país.
Comercialização Surge Como Elo Estratégico Da Economia
Um dos aspectos centrais da intervenção presidencial foi a ideia de que o verdadeiro impacto económico da agricultura depende da eficácia dos mecanismos de comercialização.
“A comercialização agrícola ocupa um lugar central no desenvolvimento nacional, porque é ela que liga a produção ao mercado e traduz o trabalho do produtor em resultados económicos e sociais concretos”, afirmou Daniel Chapo.
O Presidente alertou que quando os sistemas de comercialização falham, o esforço produtivo perde valor, comprometendo rendimento, estabilidade social e capacidade de geração de prosperidade nas zonas rurais.
A abordagem reflecte uma crescente preocupação do Governo relativamente às fragilidades estruturais da cadeia agrícola nacional, incluindo perdas pós-colheita, dificuldades logísticas, mercados desorganizados, insuficiência de armazenamento e volatilidade de preços.
Produção Agrícola Prevista Crescer 26%
Apesar dos desafios climáticos enfrentados nos últimos meses, o Executivo prevê uma campanha agrícola robusta em 2026.
Segundo Daniel Chapo, o país estima alcançar uma produção global superior a 21,3 milhões de toneladas, representando um crescimento de 26% em relação à campanha anterior. Deste volume, cerca de 14,6 milhões de toneladas deverão ser comercializadas ao longo do ano.
Entre os principais produtos destacados estão milho, mandioca, arroz, feijão, hortícolas, gergelim e castanha de caju.
As maiores disponibilidades concentram-se nas províncias de Nampula, Tete, Niassa, Zambézia e Manica, sendo Nampula apresentada pelo Presidente como uma das principais plataformas produtivas do país.
Choques Climáticos Continuam A Pressionar Sector Agrário
Embora tenha destacado sinais positivos de crescimento produtivo, Daniel Chapo reconheceu os impactos significativos dos choques climáticos sobre a agricultura nacional.
O Presidente revelou que aproximadamente 441 mil hectares foram afectados por cheias, ciclones e outros eventos extremos, dos quais cerca de 54 mil hectares acabaram perdidos, afectando perto de 300 mil produtores em todo o país.
Ainda assim, o Chefe do Estado procurou enfatizar a resiliência do sector rural moçambicano, elogiando particularmente o papel das mulheres e dos jovens agricultores.
Governo Quer Reorganizar Cadeia Comercial E Reforçar Papel Nacional
Um dos anúncios politicamente mais relevantes do discurso foi a intenção do Governo de reorganizar o funcionamento da cadeia de comercialização agrícola, reforçando o papel dos operadores nacionais no contacto directo com os produtores rurais.
Segundo Daniel Chapo, o Executivo já iniciou reformas legislativas para estruturar uma nova arquitectura comercial, reservando aos operadores nacionais a compra directa de produtos agrícolas ao nível das localidades, postos administrativos e distritos, enquanto os operadores estrangeiros passariam a actuar principalmente nas capitais provinciais.
Ao mesmo tempo, o Presidente revelou que está em preparação um novo Decreto-Lei sobre a autorização do exercício da actividade comercial, visando reforçar os mecanismos de regulação, organização e controlo do mercado agrícola.
A medida surge num contexto em que o Governo procura equilibrar a participação de operadores estrangeiros com o fortalecimento da capacidade empresarial nacional nas cadeias de comercialização.
Agro-Processamento Assume Centralidade Na Estratégia Económica
Outro eixo estratégico destacado por Daniel Chapo foi a necessidade de transformar excedentes agrícolas em capacidade industrial.
“Produzir mais não é suficiente”, afirmou o Presidente, defendendo que Moçambique deve apostar fortemente no agro-processamento, armazenamento, logística e transformação local dos produtos agrícolas.
O Chefe do Estado declarou que o país pretende ver o milho transformar-se em farinha produzida localmente e culturas como castanha de caju, gergelim e amendoim impulsionarem o surgimento de novas unidades industriais, sobretudo nos distritos rurais.
Segundo Daniel Chapo, esta estratégia está alinhada com o Programa Nacional Industrializar Moçambique (PRONAI), sendo vista como mecanismo para geração de emprego, inclusão económica e dinamização territorial.
Agricultura É Apresentada Como Base Da Independência Económica
Ao longo do discurso, Daniel Chapo voltou a associar a agricultura ao projecto mais amplo de independência económica nacional.
“A agricultura não é apenas um sector económico. Ela é a raiz da nossa sobrevivência colectiva como um povo (…) e uma das maiores forças da independência económica que estamos a construir”, afirmou o Presidente.
A formulação reforça a narrativa que o Chefe do Estado tem vindo a consolidar nos últimos meses, segundo a qual a independência económica dependerá da capacidade do país transformar produção agrícola, recursos naturais e cadeias produtivas em valor acrescentado, industrialização e prosperidade interna.
Mais notícias
-
CEDSIF avança com auditorias financeiras e modernização tecnológica
28 de Dezembro, 2024
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026















